Um ex-vereador de São Leopoldo e dois de seus ex-assessores foram alvos de uma operação da Polícia Civil deflagrada na manhã desta segunda-feira (14), que apura a prática de rachadinha no gabinete parlamentar e a contratação de funcionário fantasma durante a legislatura anterior. A ação foi conduzida pela Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) do município, com apoio da 1ª e da 2ª Delegacia de Polícia de São Leopoldo.

Foto: Isaías Rheinheimer /GES-Especial
Mandados foram cumpridos em quatro endereços de São Leopoldo, no Centro, no Morro do Espelho e na Campina.
As investigações tiveram início a partir da denúncia de um ex-assessor do parlamentar, que procurou a Polícia Civil em maio de 2023 alegando ser vítima de extorsão. O denunciante afirmou que era obrigado a repassar mensalmente parte do salário que recebia como cargo comissionado ao então vereador e a seu chefe de gabinete.
O que inicialmente chegou à Draco como um caso de concussão (quando um agente público exige vantagem indevida) acabou revelando um esquema mais complexo. De acordo com a polícia, ficou comprovado que o denunciante, além de repassar valores, também atuou como funcionário fantasma no gabinete. Ele chegou a apresentar extratos bancários à polícia como prova dos pagamentos feitos ao ex-parlamentar.
Ex-vereador chegou a ficar com 100% do salário do funcionário fantasma
Conforme relatório que está em poder da Justiça, o assessor foi nomeado inicialmente em 2021 e, entre janeiro e março daquele ano, entregava R$ 600 em espécie por mês ao vereador. Após pedir exoneração, foi reconduzido ao cargo em fevereiro de 2022, permanecendo até setembro do mesmo ano sem cumprir expediente (funcionário fantasma). Neste período, segundo a polícia, todo o valor de seu salário era embolsado pelo vereador.
Além do ex-vereador e do ex-assessor denunciante, a Draco também identificou a participação do então chefe de gabinete no esquema. Ele teria recebido parte dos repasses mensais e atuado diretamente na exigência dos valores.
Durante as diligências, a Polícia Civil também apurou indícios de lavagem de dinheiro envolvendo a companheira do ex-parlamentar. Foram identificadas transações suspeitas em criptoativos, apontando tentativa de ocultação de patrimônio.
Com base no material reunido, a 4ª Vara Criminal de São Leopoldo autorizou o cumprimento de mandados de busca e apreensão, bloqueio de contas bancárias e sequestro de criptoativos, que somam aproximadamente R$ 90 mil. Os investigados também foram alvo de medidas cautelares alternativas à prisão, como a proibição de exercerem funções remuneradas vinculadas ao poder público e a obrigação de comparecimento periódico à Justiça.
Batizada de Dia D, a operação faz alusão ao desembarque aliado na Normandia durante a Segunda Guerra Mundial, em referência ao nome do principal investigado. “A operação é continuidade de um trabalho que é permanente da Draco de São Leopoldo, de combate ao crime organizado e especificamente combate à corrupção”, explicou o delegado Ayrton Figueiredo Martins Júnior. “Infelizmente, é o segundo vereador de São Leopoldo que sofre uma repressão por ter praticado crimes de corrupção ativa, corrupção passiva e também lavagem de dinheiro”, observa.
LEIA TAMBÉM