abc+

ENTREVISTA EXCLUSIVA

"Falando sobre sexo entre mulheres, sobre se masturbar": Mais uma estagiária denuncia delegado por assédio no Vale do Sinos

Jovem de 18 anos relata situações vividas dentro de uma delegacia da Polícia Civil entre março e maio deste ano; ela já deixou a vaga na instituição

Isaías Rheinheimer
Publicado em: 10/07/2025 às 22h:09
Publicidade

Mais uma ex-estagiária de uma delegacia do Vale do Sinos confirmou ter sido vítima de assédio por parte de um delegado de Polícia que atuava na região. A jovem, de 18 anos, revelou ao Grupo Sinos nesta quinta-feira (10) que o delegado foi insistente nas investidas. O policial é o mesmo que foi denunciado por outra estagiária dias antes.

Publicidade

MAIS SOBRE O CASO: “Fiquei com sentimento de nojo”: Estagiária relata assédio de delegado em DP do Vale do Sinos

Corregedoria da Polícia Civil apura denúncia envolvendo delegado | abc+



Corregedoria da Polícia Civil apura denúncia envolvendo delegado

Foto: Arquivo/GES

A nova vítima, que é estudante de Direito, afirma que os episódios e insinuações ocorreram entre os meses de março e maio deste ano, dentro da delegacia onde ambos atuavam. Ela relatou que o delegado fazia piadas com conotação sexual, se aproximava e tentava manter contato físico.

“Eu ficava sozinha na sala. Então, ele passava e sentava ali para conversar comigo, só que era sempre puxando assunto de cunho sexual, falando sobre sexo entre mulheres, sobre se masturbar”, conta. “Eu sempre ficava quieta porque, obviamente, ficava desconfortável com a situação”, complementa.

“Não conta para ninguém”

A estagiária afirma que demorou um tempo até assimilar que as investidas do delegado tinham um propósito diferente do profissional. Segundo ela, as atitudes foram escalando até chegar a um episódio mais grave. Em um determinado dia, no final do mês de abril, a estagiária acionou o chefe para esclarecer dúvidas sobre um procedimento.

Publicidade

Após explicar o que ela deveria fazer, o delegado teria se aproximado perigosamente da estagiária. “Ele se encostou atrás de mim e falou assim: ‘Tu pode me perguntar o que quiser, porque o que tu quiser eu faço, mas é só pra ti e tu não conta pra ninguém’”, recorda.

Após esse episódio, a estagiária decidiu que não poderia mais ficar ali e passou a procurar vaga na área em outro local, apenas seis meses após o início do estágio na Polícia Civil. Ela saiu da instituição no mês passado, assim que conseguiu uma oportunidade de estagiar em um escritório de advocacia.

Delegado pediu licença e transferência

A jovem decidiu formalizar a denúncia após ler, na última terça-feira (8), reportagem publicada com exclusividade no site ABCmais revelando o primeiro caso.

Publicidade

A denúncia foi registrada na Corregedoria-Geral da Polícia Civil ainda na noite de terça-feira. Até o momento, entretanto, ela não recebeu nenhum retorno sobre o andamento do caso. Procurada, a assessoria da Polícia Civil disse que a Corregedoria não recebeu nenhuma nova denúncia contra o delegado.

Após a formalização da primeira denúncia e a abertura de investigação por parte da Corregedoria, o delegado solicitou licença-prêmio, que é um direito previsto para servidores públicos com tempo de serviço e garante afastamento temporário remunerado.

Publicidade

Além disso, ele pediu transferência da unidade em que trabalhava. A Polícia Civil confirmou que, após o fim do período de licença, o delegado será realocado para outra delegacia. Para preservar a identidade das vítimas, o Grupo Sinos preserva a identificação da delegacia e o nome do delegado denunciado.

Publicidade