Subiu para duas o número de estagiárias que acusam um delegado da Polícia Civil do Vale do Sinos de assédio dentro do ambiente de trabalho. A primeira denúncia formal foi registrada por uma jovem de 25 anos, que quebrou o silêncio e concedeu entrevista exclusiva na tarde desta quinta-feira (10), revelando detalhes do episódio que a fez abandonar a função dois dias após o ataque sofrido.
O assédio, segundo a estudante de Direito, aconteceu no dia 23 de abril, dentro do gabinete do delegado. Na ocasião, ela estava registrando uma ocorrência policial e foi até a sala do delegado para esclarecer uma dúvida.

Foto: Isaías Rheinheimer/GES-Especial
Ao entrar no gabinete, a estagiária conta que foi surpreendida com comentários sobre sua aparência e questionamentos sobre o motivo de estar bem-vestida. Ao explicar que participaria de uma assembleia do condomínio onde havia financiado um apartamento, ouviu do delegado: “Tu vai sozinha? Que pena. Se teu namorado não for, eu vou contigo. Fiquei com sentimento de nojo, fechei minha cara e evitava olhar pra ele”, conta.
Escrivão testemunhou a investida
A abordagem aconteceu na presença de um escrivão de polícia, que também estava no gabinete do delegado. “Naquele momento fiquei desnorteada porque fui tirar a dúvida de uma ocorrência. Eu tava no meu trabalho e ele interrompeu pra falar da minha aparência, e falar que se eu fosse sozinha, ele poderia ir comigo”, relatou.
Após sair da sala, ela desabafou com outra estagiária, quando soube que a colega de 18 anos também estava sendo assediada. “Foi nesse momento que eu percebi que já não era a primeira vez que ele fazia isso. Isso me deixou bem assustada, vindo de um delegado, tendo esses comportamentos”, disse.
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Após o episódio, a jovem de 25 anos permaneceu apenas mais dois dias na delegacia onde atuou durante nove meses. “Comecei a me sentir desconfortável com a presença dele (delegado). Eu fiquei dois dias, e depois fui embora, pedi pra sair, porque tava sendo bem desconfortável ficar perto dele, depois do comportamento que ele teve e também o olhar que ele teve na hora”, recorda.
Jovem demorou um mês até criar coragem e denunciar o crime
A jovem levou cerca de um mês para formalizar a denúncia à Corregedoria-Geral da Polícia Civil, tempo necessário para processar o ocorrido e ganhar coragem. Segundo ela, o que a motivou a denunciar foi a sensação de injustiça.
“Não é justo ele estar no cargo que ocupa como se nada tivesse acontecido. Quando a (nome da colega) me falou que ela também tinha passado por isso, pensei: a gente não vai ser as últimas. Se a gente não falar nada, ele vai continuar impune e vai continuar acontecendo. Daqui a um tempo vai achar que pode fazer outras coisas piores”, completa.
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Depois que o caso desta estagiária veio à tona, na última terça-feira (8), a estagiária de 18 anos tomou coragem e também formalizou denúncia contra o delegado. Essa denúncia foi revelada nesta quinta-feira (10) por ABCmais, após entrevista com a jovem.
A Polícia Civil confirma que o delegado citado nas denúncias está sendo investigado pela Corregedoria. Após a formalização da primeira acusação, o policial pediu licença-prêmio, que é um afastamento remunerado garantido a servidores públicos com tempo de serviço, e também solicitou transferência para outra unidade. Ele deve ser realocado após o término da licença.
Para preservar a identidade das vítimas, o Grupo Sinos não divulga o nome do delegado e nem a qual DP ele está ligado. Trata-se de um órgão do Vale do Sinos.