A falsa psicóloga que tinha três consultórios voltados ao público infantil na região metropolitana, onde é suspeita de ter feito centenas de vítimas, foi indiciada por dois crimes nesta terça-feira. O inquérito policial enquadra Jéssica Duarte Lara, 33 anos, em falsidade ideológica, com pena prevista de um a três anos de prisão, e exercício ilegal da profissão, que estabelece 15 dias a três meses de detenção.
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Foto: Reprodução
“Não sou daqueles que sustentam aumento generalizado de penas, mas nesse caso, que tem uma falsa profissional da área da saúde que atende crianças com problemas neurológicos, realmente são penas muito baixas”, declara o delegado de Ivoti, Fábio Motta Lopes, que enviou nesta tarde o inquérito ao Judiciário. “Embora grave a situação, a punição é branda.”
Silêncio
Jéssica, que ficou silêncio no interrogatório, vai responder em liberdade. Ela não foi localizada pela reportagem. “Só é possível prisão preventiva, à exceção dos casos de violência doméstica e familiar contra mulheres, se as penas máximas forem superiores a quatro anos de reclusão”, explica Lopes.
O caso tramita em Ivoti porque a indiciada usava o registro de uma psicóloga da cidade. A profissional levou o caso no dia 22 de maio à Polícia, que abriu a Operação Superego. O inquérito irá agora para o Ministério Público, que avaliará se denuncia Jéssica, e depois ao juiz, a quem caberá abrir ou não processo criminal contra ela.

Foto: Reprodução
Há outro inquérito em Porto Alegre
Outro inquérito está em curso na 3ª Delegacia de Polícia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) de Porto Alegre, onde pais de pacientes fizeram ocorrência depois do registro em Ivoti. Além de falsidade ideológica e exercício ilegal da profissão, o órgão pode indiciar Jéssica também por estelionato, em razão do pagamento 130 reais por consulta enganosa.
O terceiro possível crime tem pena de um a cinco anos de prisão, com o agravante de vítima vulnerável, o que pode aumentar o tempo. A indiciada, que mora no bairro Menino Deus, em Porto Alegre, tinha consultórios no bairro Cristo Redentor, também na capital, além de Canoas e Guaíba. Em todos os locais, no último dia 15, agentes das duas delegacias cumpriram mandados de busca e apreensão.
Mulher se dizia especialista e tinha forjado formatura
Jéssica divulgava, em redes sociais e sites, ser psicóloga clínica com especialização em neuropsicologia, transtorno do espectro autista (TEA), transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH), neurodisfunções e neurocomportamental.
A indiciada tinha providenciado até um álbum fotográfico de formatura, vestida com a toga e exibindo o canudo do diploma. “Apuramos que, lá atrás, chegou a cursar o primeiro semestre de psicologia. Ela diz ainda no currículo que cursa biomedicina à distância, mas nada disso se confirma. Não tem graduação alguma”, observa Lopes.
Na casa de Jéssica, os policiais apreenderam cartões de visita, recibos de pacientes, receituários e agendas com escala de horários de atendimento, entre outros documentos.

Foto: Polícia Civil