Uma falsa psicóloga pode ter feito centenas de vítimas, a grande maioria crianças, na região metropolitana. Jéssica Duarte, 33 anos, tinha três consultórios voltados ao público infantil. Atendia há pelo menos três anos com o registro de uma profissional de Ivoti, que descobriu a fraude e a denunciou à Polícia Civil.
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Foto: Polícia Civil
Na manhã desta terça-feira (15), agentes cumpriram mandados de busca na casa da investigada, no bairro Menino Deus, em um consultório, no Cristo Redentor, ambos em Porto Alegre, e em outros dois locais de atendimento, em Canoas e Guaíba.
“O farto material que apreendemos afasta qualquer dúvida de que a gente tenha uma falsa psicóloga atuando há um bom tempo na região”, afirma o delegado de Ivoti, Fábio Motta Lopes. A mulher, que responde em liberdade, ficou em silêncio.
Jéssica divulgava, em redes sociais e sites, ser psicóloga clínica com especialização em neuropsicologia, transtorno do espectro autista (TEA), transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH), neurodisfunções e neurocomportamental. Ela não foi localizada pela reportagem.

Foto: Reprodução
“É preocupante que crianças com necessidade de acompanhamento profissional capacitado tenham sido atendidas por essa pessoa. É um fato extremamente grave, pois representa risco à saúde. Estamos aqui falando de saúde mental”, expõe o delegado.
Mulher tinha forjado até uma formatura
A investigada tinha providenciado até um álbum fotográfico de formatura, vestida com a toga e exibindo o canudo do diploma. “Apuramos que, lá atrás, chegou a cursar o primeiro semestre de psicologia. Ela diz ainda no currículo que cursa biomedicina à distância, mas nada disso se confirma. Não tem graduação alguma”, observa Lopes.

Foto: Reprodução
Na casa de Jéssica, os policiais apreenderam cartões de visita, recibos de pacientes, receituários e agendas com escala de horários de atendimento, entre outros documentos.
Profissional de Ivoti fez denúncia há dois meses
A investigação começou no dia 22 de maio, quando uma psicóloga de Ivoti foi à delegacia da cidade para relatar o uso criminoso do registro profissional dela. Depois apareceram dois casos em Porto Alegre, onde a mãe de duas crianças, pacientes da investigada, registrou ocorrência na 3ª Delegacia de Polícia de Proteção à Criança e ao Adolescente da capital.
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As delações ensejaram a Operação Superego, desenvolvida em conjunto pelos dois órgãos e aprofundada com os mandados cumpridos hoje. O delegado de Ivoti diz que ainda não se tem o número exato de pacientes ou vítimas, mas observa que, pelo conteúdo do material apreendido e em razão do tempo de atuação da investigada, a estimativa é que possa ser centenas.
Segundo o delegado, o inquérito em Ivoti deve ser concluído em duas semanas. “Aqui, em princípio, há os crimes de falsidade ideológica e exercício ilegal da profissão. Provavelmente, na medida em que as vítimas procurarem a Polícia Civil, pode se configurar estelionato, considerando que muitos pais foram enganados e pagaram caro por essas consultas.”