Um homem com ciúme doentio, possessivo e fora de si. Uma mulher acuada, que tentava terminar o relacionamento sem pedir ajuda. O caso acabou em feminicídio com 33 facadas, em Ivoti, na manhã de 26 de agosto de 2021. Na tarde desta quinta-feira, o matador foi condenado a 19 anos e três meses de reclusão em regime fechado.

Foto: Polícia Civil
Aírton Basílio Adams Henke, 61 anos, chegou preso para o júri no fórum de Ivoti. E assim saiu. Ele confessou o assassinato brutal da namorada, Rosa Maria Vargas, 53. A sessão foi rápida. Começou por volta das 9 horas e terminou pelas 15 horas.
Leia mais: O que aponta laudo do IGP sobre causa da morte de gêmeas em Igrejinha
A defesa sustentou a tese de insanidade mental. A estratégia era obter absolvição por inimputabilidade e uma consequente internação psiquiátrica. Segundo o Ministério Público, um laudo pericial descarta a hipótese.
“Ele tinha plena capacidade de entender seus atos no momento do crime”, destacou o promotor de Justiça Luiz Flávio Barbieri, que atuou em plenário. Os jurados reconheceram todas as qualificadoras apontadas na denúncia: motivo torpe, feminicídio, recurso que impossibilitou a defesa da vítima e meio cruel.
Corpo no carro e drone para prisão
O cadáver foi encontrado por volta das 8 horas no banco do motorista de um Palio, na Avenida Bom Jardim, bairro Cidade Nova, perto do quartel do Corpo de Bombeiros. As perfurações estavam concentradas no peito e pescoço.
Veja também: “Múltiplas lesões”: Mãe e pai são os principais suspeitos por torturar bebê de 9 meses até a morte no RS
Não foi difícil descobrir o assassino. Um jovem chegou ao local, já isolado pela perícia, e contou que recém havia recebido telefonema do pai, em que dizia ter matado Rosa. Era Henke. Ele pedia ao filho para buscá-lo. Indicou onde.
Um cerco policial foi montado no entorno da “curva da pedreira”, já em Estância Velha, próximo ao limite com Ivoti. Os agentes usaram um drone na área de mata. Encurralado, Henke se entregou. Saiu de uma trilha com as mãos para o alto. Na cintura, a faca ensanguentada usada no crime. Chorava e balbuciava frases sem sentido. Parentes se aproximaram. “Quantas vezes eu falei para você se acalmar”, disse um filho, ajoelhado ao lado do assassino.

Foto: Divulgação
Para a Polícia, foi um crime premeditado. O acusado teria convencido a namorada a dirigir para ele em direção a Ivoti, onde decidiu consumar o plano de morte. O casal morava em Estância Velha.