abc+

VIOLÊNCIA EM ABRIGO

Incêndio criminoso atinge centro humanitário com cerca 380 pessoas em Canoas; vítimas das enchentes dizem viver clima de tensão

Crime cometido na terça-feira (12) seria vingança devido à desavença que teria acontecido no local um dia antes

Publicado em: 12/02/2025 às 09h:48 Última atualização: 13/02/2025 às 12h:42
Publicidade

A Brigada Militar (BM) prendeu um homem, na tarde de terça-feira (11), após ele ser flagrado ateando fogo nas lonas do Centro Humanitário de Acolhimento (CHA) Esperança, em Canoas. Felizmente, ninguém acabou ferido.

Publicidade

Incêndio criminoso na lona de entrada do Centro de Acolhimento Esperança acabou flagrado por brigadianos que atuam no local



Incêndio criminoso na lona de entrada do Centro de Acolhimento Esperança acabou flagrado por brigadianos que atuam no local

Foto: REPRODUÇÃO

ENTRE NA COMUNIDADE DO DIÁRIO DE CANOAS NO WHATSAPP

Não foi necessário acionar o Corpo de Bombeiros, porque as chamas acabaram extintas pelos próprios Policiais Militares (PMs) e residentes do Centro Esperança, em uma ação rápida com extintores.

Segundo a polícia, o incendiário de 52 anos estava acolhido no local até a segunda-feira (10), quando acabou sendo retirado após uma briga com outro homem. Ao sair, prometeu que incendiaria o lugar.

O caso de violência registrado neste início de semana expõe a tensão que vivem centenas de pessoas no único abrigo que permanece aberto em Canoas desde a tragédia das enchentes no ano passado.

Publicidade

Há aproximadamente 380 pessoas no endereço junto ao Centro Olímpico Municipal, na Rua Araguaia 1151, no bairro Igara. Nem o forte policiamento é suficiente para coibir brigas entre acolhidos.

CLIQUE PARA LER: Tempestade volta a atingir RS em meio a onda de calor; veja como fica o tempo nesta quarta-feira

Segundo uma mulher acolhida, que preferiu não ser identificada devido ao medo de represálias, este não é primeiro acolhido que acaba “expulso”. Brigas e desentendimentos seriam comuns.

Publicidade

“Muita gente aqui não encontra solução para resolver o problema da casa destruída na enchente, então o tempo está passando e está todo mundo ficando mais nervoso mesmo”, afirma. “Já teve brigas antes e gente expulsa, mas é a primeira vez que alguém coloca fogo na lona.”

O Centro Humanitário de Acolhimento Esperança foi aberto em julho do ano passado, por meio de parceria entre Estado, Município e Organização das Nações Unidas (ONU). Na época em que passou a acolher 850 pessoas em situação de vulnerabilidade devido às enchentes. A estimativa é que o Esperança seja desativado em junho.

Publicidade

Por meio da assessoria de imprensa, a Organização Internacional para as Migrações (OIM), responsável pela administração do CHA Esperança, informou que “todos os acolhidos estão bem, que ninguém ficou ferido e que o fogo foi contido pela equipe da OIM e os Bombeiros que trabalham no CHA, com extintores.”

LEIA TAMBÉM: “Tem gente que morreu esperando a casa que foi prometida pelo governo”: Famílias vivem desde 2011 com aluguel social

Promessa não cumprida

Foi no ano passado, em meio à tragédia que atingiu o Estado, que o presidente Luís Inácio Lula da Silva anunciou que o governo federal daria gratuitamente uma nova casa a cada família de baixa renda integrada ao programa Minha Casa Minha Vida que perdeu sua residência na enchente.

Publicidade

Para suprir a demanda, o Planalto projetava entregar, pelo menos, cerca de 17,3 mil novas moradias a estas famílias.

Segundo o ministro da Casa Civil, Rui Costa, que esteve no Rio Grande do Sul, para tratar do assunto, no mês passado, 4.824 beneficiários estão habilitados em todo o Rio Grande do Sul para receberem um imóvel para moradia. Rui Costa aproveitou para pedir celeridade aos prefeitos para que o governo federal possa comprar imóveis.

Publicidade

“Se a prefeitura identifica que em uma poligonal há várias casas boas à venda, a prefeitura pode rapidamente fazer um processo de regularização fundiária, ajudar no cartório a registrar aquelas casas. Com isso, torna possível que a Caixa compre aquela casa. Precisamos do prefeito”, reforçou Rui Costa.

O que diz a Prefeitura de Canoas?

Por meio de nota do Escritório de Comunicação, a Secretaria Municipal da Habitação e Regularização Fundiária informa que 1.137 beneficiários receberam o valor do Programa Aluguel Social no município em janeiro.

Publicidade

Os beneficiários que hoje recebem são os que atenderam os pré-requisitos da Lei n.º 6731, de 7 de junho de 2024, e tiveram seu imóvel com a estrutura física comprometida ou sem condições de habitabilidade após o evento climático e conforme parecer técnico, CadÚnico atualizado, renda faixas 1 e 2 e estão inscritos no programa conforme o decreto n.º 258, de 15 de junho de 2024.

Os canoenses atingidos poderão ser indicados para os programas habitacionais do governo federal, como o Programa Compra Assistida, e até o presente momento foram publicados 270 contemplados, que podem acompanhar seus casos pelo site da Caixa Econômica Federal.

Estes contemplados poderão escolher um imóvel no valor de até R$ 200.000,00 em qualquer município do Rio Grande do Sul. Também para o atendimento dos atingidos, Canoas receberá até 3 mil unidades habitacionais para o Programa Minha Casa Minha Vida Reconstrução.

*matéria atualizada com a posição da OIM, responsável pelo CHA Esperança.

 

Publicidade