A Brigada Militar (BM) prendeu um homem, na tarde de terça-feira (11), após ele ser flagrado ateando fogo nas lonas do Centro Humanitário de Acolhimento (CHA) Esperança, em Canoas. Felizmente, ninguém acabou ferido.

Foto: REPRODUÇÃO
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Não foi necessário acionar o Corpo de Bombeiros, porque as chamas acabaram extintas pelos próprios Policiais Militares (PMs) e residentes do Centro Esperança, em uma ação rápida com extintores.
Segundo a polícia, o incendiário de 52 anos estava acolhido no local até a segunda-feira (10), quando acabou sendo retirado após uma briga com outro homem. Ao sair, prometeu que incendiaria o lugar.
O caso de violência registrado neste início de semana expõe a tensão que vivem centenas de pessoas no único abrigo que permanece aberto em Canoas desde a tragédia das enchentes no ano passado.
Há aproximadamente 380 pessoas no endereço junto ao Centro Olímpico Municipal, na Rua Araguaia 1151, no bairro Igara. Nem o forte policiamento é suficiente para coibir brigas entre acolhidos.
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Segundo uma mulher acolhida, que preferiu não ser identificada devido ao medo de represálias, este não é primeiro acolhido que acaba “expulso”. Brigas e desentendimentos seriam comuns.
“Muita gente aqui não encontra solução para resolver o problema da casa destruída na enchente, então o tempo está passando e está todo mundo ficando mais nervoso mesmo”, afirma. “Já teve brigas antes e gente expulsa, mas é a primeira vez que alguém coloca fogo na lona.”
O Centro Humanitário de Acolhimento Esperança foi aberto em julho do ano passado, por meio de parceria entre Estado, Município e Organização das Nações Unidas (ONU). Na época em que passou a acolher 850 pessoas em situação de vulnerabilidade devido às enchentes. A estimativa é que o Esperança seja desativado em junho.
Por meio da assessoria de imprensa, a Organização Internacional para as Migrações (OIM), responsável pela administração do CHA Esperança, informou que “todos os acolhidos estão bem, que ninguém ficou ferido e que o fogo foi contido pela equipe da OIM e os Bombeiros que trabalham no CHA, com extintores.”
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Promessa não cumprida
Foi no ano passado, em meio à tragédia que atingiu o Estado, que o presidente Luís Inácio Lula da Silva anunciou que o governo federal daria gratuitamente uma nova casa a cada família de baixa renda integrada ao programa Minha Casa Minha Vida que perdeu sua residência na enchente.
Para suprir a demanda, o Planalto projetava entregar, pelo menos, cerca de 17,3 mil novas moradias a estas famílias.
Segundo o ministro da Casa Civil, Rui Costa, que esteve no Rio Grande do Sul, para tratar do assunto, no mês passado, 4.824 beneficiários estão habilitados em todo o Rio Grande do Sul para receberem um imóvel para moradia. Rui Costa aproveitou para pedir celeridade aos prefeitos para que o governo federal possa comprar imóveis.
“Se a prefeitura identifica que em uma poligonal há várias casas boas à venda, a prefeitura pode rapidamente fazer um processo de regularização fundiária, ajudar no cartório a registrar aquelas casas. Com isso, torna possível que a Caixa compre aquela casa. Precisamos do prefeito”, reforçou Rui Costa.
O que diz a Prefeitura de Canoas?
Por meio de nota do Escritório de Comunicação, a Secretaria Municipal da Habitação e Regularização Fundiária informa que 1.137 beneficiários receberam o valor do Programa Aluguel Social no município em janeiro.
Os beneficiários que hoje recebem são os que atenderam os pré-requisitos da Lei n.º 6731, de 7 de junho de 2024, e tiveram seu imóvel com a estrutura física comprometida ou sem condições de habitabilidade após o evento climático e conforme parecer técnico, CadÚnico atualizado, renda faixas 1 e 2 e estão inscritos no programa conforme o decreto n.º 258, de 15 de junho de 2024.
Os canoenses atingidos poderão ser indicados para os programas habitacionais do governo federal, como o Programa Compra Assistida, e até o presente momento foram publicados 270 contemplados, que podem acompanhar seus casos pelo site da Caixa Econômica Federal.
Estes contemplados poderão escolher um imóvel no valor de até R$ 200.000,00 em qualquer município do Rio Grande do Sul. Também para o atendimento dos atingidos, Canoas receberá até 3 mil unidades habitacionais para o Programa Minha Casa Minha Vida Reconstrução.
*matéria atualizada com a posição da OIM, responsável pelo CHA Esperança.