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ACIDENTE GRAVE

Médico bêbado, alta velocidade e só um farol: Grupo que peregrinava até santuário testemunhou acidente que matou motociclista na BR-116

Relato de testemunhas e de enfermeira sobre o acidente diferem; entenda também o que diz a Polícia Civil sobre o caso

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Publicado em: 19/04/2025 às 20h:26 Última atualização: 19/04/2025 às 20h:26
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Era madrugada de sexta-feira (18), por volta da 1h30, quando um grupo, com ao menos 13 pessoas, caminhava às margens da BR-116, no trecho de Estância Velha. Eles estavam em uma peregrinação em direção ao Santuário Padre Reus, em São Leopoldo, quando viram um veículo passar em alta velocidade pela estrada e somente com um dos faróis ligado. Eles não sabiam que estavam prestes a testemunhar um grave acidente até ouvirem um estrondo.

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Grupo que peregrinava até Santuário Padre Reus testemunhou acidente que matou motociclista na BR-116 | abc+



Grupo que peregrinava até Santuário Padre Reus testemunhou acidente que matou motociclista na BR-116

Foto: Redes Sociais/Reprodução

O veículo se tratava de um Mercedes-Benz GLA250 branco. Nele estava um médico, de 48 anos, e uma enfermeira, 44, moradores de Lindolfo Collor. O carro invadiu a pista contrária e bateu na motocicleta Yamaha Fazer vermelha, que era conduzida por Karine Louise Friedrich, 43. A barwoman voltava de um trabalho em Ivoti quando foi atingida. Ela faleceu no local.

“Uns comentaram: ‘Olha o carro quase sem farol vindo’. Logo após [o veículo] passar por nós, ouvimos uma frenagem e a batida com a explosão”, relatou uma jovem, de 20 anos, que prefere não ser identificada.

“Ele vinha a uns 100 km/h”, disse o almoxarife Alã de Britto, 22, que participava da mesma peregrinação que a mulher: “O carro estava muito rápido e com um dos faróis desligado”, reiterou.

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Ao ouvirem o acidente, algumas pessoas do grupo correram em direção ao local para tentar ajudar como podiam. Britto era um deles. “Assim que bateu na moto, [ela] explodiu e arremessou a motoqueira”, contou. Já outro jovem, que também não quis se identificar, disse ao ABCmais que o veículo de Karine ficou “completamente incendiado”.

Enquanto um amigo ligava para as autoridades, Alã de Britto decidiu tentar ajudar a vítima. “Eu tenho treinamento de primeiros-socorros”, afirmou. Entretanto, ao sentir o pulso da mulher, com auxílio do Corpo de Bombeiro no telefone, percebeu que ela já estava sem vida. Ele procurou por alguma identificação da mulher e se manteve próximo dela até que a polícia chegasse.

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“Foi muito assustador, porque nunca presenciei algo assim”, disse a jovem de 20 anos. Ela ficou junto com a parte do grupo que não foi até o acidente, mas a velocidade com que o carro passou por eles chamou a atenção dela. “Comecei a chorar de medo porque em questão de segundos podíamos ser nós ali, esmagados no paredão”, contou. “Minha família estava ali, meu pai era o último da fila da caminhada… Só chorei com medo, pânico.”

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“Com certeza, não é uma coisa que eu gostaria de ver”, afirmou Alã sobre o acidente. Entretanto, ele afirma que não se arrepende de ter tentado ajudar e que faria novamente, caso presenciasse outro.

Anteriormente, a enfermeira afirmou que o médico foi até Karine para tentar ajudá-la logo após a batida. Entretanto, o jovem desmente, explicando que ele e o amigo prestaram socorro e chamaram as autoridades. “Eu sou um civil, sou leigo nessa situação toda, mas não seria responsabilidade dos médicos verificar se a vítima estava sã ou viva, pelo menos?”, relatou, indignado. 

Sobre Karine, ele ainda pontuou: “Que Deus a tenha agora e que conforte a família dela, porque eu imagino que a moça devia estar só por chegar em casa e descansar depois de um serviço”.

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Afinal, quem estava no banco do motorista? Família pede justiça

Na manhã deste sábado (19), família, amigos e colegas de Karine foram ao velório para se despedir da barwoman, em Novo Hamburgo. Em meio a grande comoção, todos pediram pelo mesmo: justiça.

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Eles estão revoltados com a situação e com as inconsistências na versão dos fatos relatada pelo casal. Enquanto a Polícia Rodoviária Federal (PRF) escreveu no boletim de ocorrência (BO) que o condutor do veículo era o médico, mais tarde, a enfermeira assumiu a responsabilidade do acidente. 

Alã de Britto não viu, mas acredita que era a mulher quem dirigia. Ele relatou que o médico parecia estar extremamente embriagado. “Ele estava muito bêbado, não tinha condições de dirigir”, contou. Já sobre a enfermeira, Britto diz não saber com certeza, tanto por conta do susto da batida quanto pelo impacto dos airbags que foram acionados. A PRF afirma que ele se recusou a fazer o teste do bafômetro no local do acidente.

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Enquanto isso, os outros dois jovens entrevistados afirmam que não sabem dizer quem estava no banco do motorista porque chegaram ao local após os dois terem deixado o veículo. “Que o carro estava em alta velocidade, isso é certo”, reiterou a jovem.

Uma outra mulher, que conduzia um carro na via logo atrás da moto de Karine, disse aos jovens que a condutora era a enfermeira. Assim como Britto, um deles afirmou que o médico estava muito bêbado. “Ele não ia conseguir dirigir”, relatou ao ABCmais.

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O que diz a Polícia Civil

Logo após a batida, a enfermeira foi levada ao Hospital de Ivoti para uma avaliação médica e, mais tarde, foi conduzida ao Departamento de Polícia de Pronto Atendimento (DPPA) de São Leopoldo, onde o médico estava. Eles foram liberados para responder em liberdade.

“A violência do acidente já é um indício da velocidade do carro”, afirmou o delegado Rafael Sauthier, responsável pela investigação do caso. Entretanto, ele não especificou quantos quilômetros por hora o veículo estava no momento da batida, o que deve ser indicado pela perícia.

Quanto a quem seria o motorista, a Polícia Civil continua a investigação visando o médico como o motorista do carro. “No boletim de ocorrência da Polícia Civil, a esposa dele deu depoimento como testemunha e assumiu que ela era a condutora. Iremos averiguar se isso é verdade. Mas a princípio, o condutor era o médico”, disse.

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