Uma pessoa alegre e carinhosa. É assim que a família se recorda de Maria Helena de Souza, de 50 anos, assassinada no último sábado (21) em Igrejinha. Em meio à dor pela partida violenta, os filhos Matheus, 21, e Ahmanda Machado, 28, tentam retomar a rotina, apesar da trágica partida da mãe.
Ao mesmo tempo, buscam consolar a avó Lélia dos Reis, 65, que é mãe da vítima, a mais velha de seus cinco filhos.
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Foto: Ruan Nascimento/Especial
Maria Helena foi morta ao visitar o pai, na localidade de Rochedo, no interior de Igrejinha. De acordo com o filho Matheus, que presenciou o crime, a visita tinha o objetivo de conferir o estado de saúde do idoso, que havia sofrido um acidente de cavalo dias antes. Chegando lá, a madrasta de Maria Helena, Lourdes de Fátima Lima, 63, estava discutindo com o marido.
“Minha mãe viu a cena, e elas começaram a discutir. Ela [vítima] foi defender o meu avô. Aquilo se tornou uma discussão maior, e elas começaram a brigar fisicamente. Quando a gente já estava indo embora, minha mãe já estava saindo pela porta. Nisso, a Lourdes foi no quarto, pegou a arma e disparou. Infelizmente, o tiro pegou na mãe, e ela já caiu inconsciente”, conta.
Atitude suspeita
Antes do crime, a família já desconfiava do comportamento de Lourdes. Ahmanda conta que, nos dias em que o avô ficou internado por causa do acidente, em apenas duas oportunidades recebeu a visita da companheira.
“Quem estava cuidando dele foram os meus tios e minha mãe. Achávamos que ela iria para Santa Catarina e deixaria a gente cuidando do nosso avô em casa. Ela deixava claro que não queria cuidar dele e [queria] resolver isso logo. Tínhamos o medo de que algo acontecesse com ele quando recebesse alta”, lembrou. “‘Tava’ todo mundo com medo do que ela fosse fazer, só que ‘tava’ com medo que ela fosse fazer algo pro meu avô, e a minha mãe morreu defendendo o pai dela.”
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“Mulher incrível”
Os filhos definem Maria Helena como uma mulher incrível e batalhadora, que trabalhou desde cedo pelo bem-estar da família. “Era sempre uma pessoa alegre. Sempre animava os lugares que chegava, brincava com as crianças. Era apaixonada pelo neto dela, que é o meu filho”, recorda a filha.
A mãe da vítima lembra que Maria Helena vivia o momento mais feliz de sua vida, e que isso lhe foi tirado de forma violenta. “Ela era incrível com todo mundo. Uma mulher guerreira. Me ajudou a criar os irmãos, pois me separei cedo e ainda estava grávida. Perdi a minha primeira filha, e queremos justiça em memória a ela.”
Suspeita está presa
De acordo com as investigações da Delegacia de Polícia de Igrejinha, Lourdes de Fátima Lima fugiu por uma mata após atirar com uma espingarda calibre 12 em Maria Helena. A suspeita foi localizada na casa de parentes em Itajaí, no litoral de Santa Catarina, quando foi presa. Segundo o delegado Ivanir Caliari, ela nasceu no estado vizinho, e tinha familiares no litoral e em São Miguel do Oeste.
“Ela deve ter tido ajuda para chegar a Santa Catarina tão rápido. Espero que isso seja revelado. Mas não tem nada que vai trazer a minha mãe de volta. Só queria ter ela do meu lado”, lamenta Ahmanda.
A suspeita já passou por audiência de custódia, e agora está detida preventivamente no Complexo Penitenciário do Vale do Itajaí. Ela aguarda transferência para um presídio do Rio Grande do Sul, o que ainda não tem prazo definido. O caso segue em investigação.
A defesa de Lourdes não foi localizada. O espaço está aberto para manifestação.