O indiciamento do ex-aluno da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) Vinícius Krug de Souza, de 28 anos, por crime de apologia ao nazismo, revelou outro detalhe que reforça a acusação da Polícia Civil. Conforme a investigação, além da suástica desenhada no rosto, a música escolhida por ele para a colação de grau em Engenharia de Minas, também faz apologia ao movimento extremista.
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Foto: Reprodução/Redes sociais
“O suspeito ainda utilizou em sua formatura, junto aos símbolos, a música “The Perfect Girl” de
Mareux, a qual é utilizada em plataforma de música e áudio online, com destaque “with a nazi voice”, e em publicações de perfis de redes sociais com fortes referências à apologia ao nazismo”, explica a delegada Tatiana Barreira Bastos, titular da Delegacia de Polícia de Combate à Intolerância (DPCI) de Porto Alegre.
No dia 18 de fevereiro, o morador de Novo Hamburgo apareceu com o símbolo de uma suástica pintado no rosto. Ele foi advertido pela instituição e retirou o desenho, embora tenha justificado que seria uma simbologia hindu. Com isso, participou da cerimônia de colação de grau com outras pinturas na face.
Contudo, no dia seguinte o caso passou a ser investigado pela DPCI, que concluiu u que, além do símbolo tratar-se de uma “cruz gamada”, símbolo hindu apropriado pelos nazistas, os demais desenhos expostos na face do aluno também fazem vinculações ao nazismo, não sendo incomum a utilização por grupos extremistas.
Em depoimento, Souza voltou negar que a suástica que ele usou fosse um simbolo nazista, alegou que tratava-se de uma suástica hindu, cultura que afirma ser do seu interesse. A investigação também ouviu o Coordenador de Segurança da UFRGS e o Vice-Reitor da Universidade, que estava presidindo a cerimônia do dia dos fatos, que reforçaram que a instituição o proibiu de colar grau se não retirasse a suástica. A mãe, a namorada e a amiga do investigado também prestaram depoimento.
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A Polícia ainda cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços relacionados com Souza. Em Novo Hamburgo, a medida foi cumprida na casa da mãe ele no bairro Ideal. Já em Porto Alegre, os agentes estiveram na casa da namorada dele no bairro Ipanema. Foram apreendidos computadores e celulares que são analisados pelo Instituto-Geral de Perícias.
A apologia ao nazismo é crime no Brasil, conforme prevê a Lei 7.716/89, e configura grave violação aos princípios democráticos e aos direitos humanos, com pena prevista de até 5 anos de reclusão.
O inquérito policial foi concluído e remetido à Justiça na última segunda-feira (7). Agora, o documento será analisado pelo Ministério Público, que poderá oferecer ou não a denúncia ao Jucidiário. Caso seja aceito, ele responderá crinalmente.
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A reportagem entrou em contato com a defesa de Souza, que até a publicação não respondeu. O espaço está aberto para manifestação.
A UFGRS instaurou um processo disciplinar. Uma comissão formada por dois professores, dois alunos e dois técnicos administrativos foi formada para avaliar a situação e propor protocolos para casos análogos. Porém, a instituição não informou cronograma nem prazo da análise interna e possíveis sanções.