Embora Canoas tenha registrado um primeiro semestre com redução histórica da violência, um crime perdura como um mistério a ser solucionado: o desaparecimento de três jovens no bairro Mato Grande.

Foto: REPRODUÇÃO
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Eles saíram do churrasco na casa de um amigo até um endereço no bairro Mato Grande, onde teriam sido mortos e, posteriormente, tiveram os cadáveres ocultados por criminosos, segundo a Polícia.
“Não é algo habitual um hiato tão grande”, frisa o diretor do Departamento Estadual de Homicídios. “As buscas nunca pararam e a Polícia Civil segue o trabalho para chegar ao paradeiro das vítimas”, acrescenta o delegado Mario Souza.
O diretor da Homicídios aponta que todos os protocolos criados pelo Departamento foram acionados e os envolvidos diretamente no crime já estão sob custódia policial, porém, o mistério perdura.
“Nós vamos achá-los”, garante Souza. “Nenhum dos suspeitos presos revelou o que aconteceu naquela noite ainda, mas é algo que estamos trabalhando e que sabemos que, mais cedo ou mais tarde, será revelado.”
O delegado disse entender a angústia de parentes e amigos diante do caso, contudo, lembra tratar-se de um caso complexo envolvendo organizações criminosas por trás do tráfico de drogas e entorpecentes.
“Infelizmente, sabemos que as vítimas estavam envolvidas com o tráfico de drogas e entorpecentes”, frisa. “Atribuímos à facção rival as mortes, após uma investigação complexa que revelou uma entrega de entorpecentes que culminou no desaparecimento das vítimas.”
Busca pelos corpos
“Se ele for ali na delegacia, deixar o carro vai ser pior, cupincha. Como é que ele pegou o carro que estava com eles? Cadê os corpos?”, argumenta em áudio o criminoso a um comparsa sobre a possibilidade do veículo Fiat Punto ser levado até uma DP em Canoas.
Posteriormente, em outro áudio, encontrado pela Polícia Civil, ele continua: “É pior, mano. É pior fazer esse bagulho. O que tem que acontecer? O que tem que fazer é largar o carro em algum lugar, deixar a Polícia pegar o carro”, orienta o suspeito.
Entenda o caso
Foi na noite do dia 6 de abril que os jovens Caroline Oliveira, Vitor Juan Santiago e Pedro Henrique Rodrigues, após participarem de um churrasco na casa de amigos, desapareceram misteriosamente.
A Polícia revelou que Caroline recebeu uma ligação para uma tele-entrega de entorpecentes no bairro Mato Grande, no território de uma facção criminosa rival, para o qual ela e os dois amigos estariam vinculados.
O trio, vale lembrar, desapareceu após deixar o local onde estavam a bordo de um Fiat Punto. O veículo foi encontrado abandonado dois dias depois. No carro, não foram encontradas marcas de sangue ou violência.
“Entre a saída do bairro Guajuviras e a chegada no bairro Mato Grande, território da facção rival, onde deixaram o carro, eles acabaram desaparecendo. É isso que buscamos esclarecer”, revelou na época a delegada Graziela Zinelli.
A hipótese mais clara é que os três jovens tenham sido colocados à força em outro carro e levados até algum local, no entanto, a Polícia não tem conhecimento ainda do que aconteceu depois.
“Não se sabe se foram arrebatados ou o que aconteceu. Sabemos que saíram para fazer uma tele-entregas de drogas e sumiram”, explicou a delegada durante a primeira ofensiva aos criminosos envolvidos.