Uma suposta correntinha de ouro, entregue dentro de um envelope por um motoboy, foi o ponto de partida de uma investigação que resultou, nesta quinta-feira (30), no cumprimento de três mandados de prisão preventiva contra novos criminosos que integram uma quadrilha que promove extorsões no Vale do Sinos.
Os mandados foram cumpridos nos bairros Boa Saúde e São José, em Novo Hamburgo. Um dos procurados acabou sendo localizado no município de Portão, onde foi preso.
A ação, denominada Operação Timeo é conduzida pela Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) de São Leopoldo, com apoio da Delegacia de Portão. O foco é um grupo investigado por extorquir um empresário de Estância Velha, dono de uma revenda de veículos.
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Foto: Isaías Rheinheimer/GES-Especial
Segundo o delegado Ayrton Figueiredo Martins Júnior, o caso teve início em outubro de 2024, quando o empresário recebeu, sem qualquer explicação, um envelope entregue por um motoboy. Dentro, haveria uma correntinha de ouro 18 quilates. Sem entender do que se tratava, ele descartou o envelope.
Dias depois, começaram as cobranças. Por telefone, criminosos passaram a exigir a devolução da joia ou o pagamento de um valor em dinheiro. Em seguida, dois suspeitos foram até o estabelecimento comercial, onde reforçaram a cobrança e ameaçaram o empresário e familiares.
Pressionado e com medo, o empresário começou a repassar valores à quadrilha. O valor incial cobrado era de R$ 3 mil. Na sequência, o esquema evoluiu para a cobrança de uma espécie de “mensalidade” de R$ 2 mil em troca de uma suposta proteção, prática conhecida como “pedágio do crime”. Os valores eram pagos via transferência eletrônica e, assim que foram iniciados, as ameaças foram interrompidas.
Cansado de viver sob intimidação, o empresário procurou a polícia, que passou a investigar o caso somente no ano passado. A partir do registro da ocorrência, os agentes conseguiram identificar os autores das extorsões e também os responsáveis por receber os valores.
Com base nas provas reunidas, a Justiça decretou a prisão preventiva dos investigados.
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Segundo a Polícia Civil, os fatos investigados se enquadram, em tese, nos crimes de extorsão e associação criminosa. “As investigações continuam para o completo esclarecimento do caso e possível identificação de outros envolvidos”, garante Martins.