Foragido desde outubro de 2024, Juliano Biron da Silva, um dos criminosos mais procurados do Rio Grande do Sul, acabou preso na Bolívia, após uma bem engendrada ação da Polícia Civil em parceria com agentes bolivianos.
Biron acabou identificado após tentar renovar a carteira de identidade. Isso porque, desde o ano passado, a Polícia procura o líder criminoso.

Foto: POLÍCIA CIVIL/DIVULGAÇÃO
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Diretor do Departamento Estadual de Investigações do Narcotráfico (Denarc), o delegado Alencar Carraro explica que Biron se refugiou em Santa Cruz de La Sierra, onde vivia vida de luxo, ostentando dinheiro oriundo do tráfico de drogas e entorpecentes.
“A captura foi resultado de meses de troca de informações entre as forças policiais brasileiras e bolivianas”, confirma. “Isso permitiu identificar onde ele estava fixado, o que acabou resultando na prisão.”
Carraro aponta que Biron é suspeito de movimentar uma fortuna em drogas e entorpecentes para o Rio Grande do Sul enquanto estava na Bolívia, razão pelo qual acredita no impacto da organização sediada no Vale dos Sinos após a prisão do criminoso.
“Há um prejuízo, sem dúvida, para a alta cúpula da organização”, afirma.
Mesmo sem citar os Manos, o delegado lembra que Biron acabou implicado em uma operação, envolvendo lavagem de dinheiro, que a Polícia descobriu ter movimentado mais de R$ 557 milhões.
“A última prisão preventiva decretada contra o Biron foi em dezembro de 2024, no âmbito da Operação Beatus”, recorda. “Por meio da investigação conduzida, sabemos que movimentaram mais de R$ 557 milhões em ativos.”
Segundo o delegado, uma nova operação está sendo organizada, em parceria com as autoridades bolivianas e a Polícia Federal gaúcha, para garantir a condução de Biron para o Estado, onde deve retornar ao cumprimento da pena.
“Estamos organizando o retorno dele para amanhã [sexta-feira]”, avisa. “Deve vir para o Denarc para os procedimentos de praxe e, posteriormente, mandado para o cumprimento de prisão.”

Foto: FELCN/Reprodução
Entenda o caso
Condenado pela morte do fotógrafo José Gustavo Bertuol Gargioni, em Canoas, em 2015, Biron estava vivendo há onze meses na Bolívia.
Ele acabou identificado por agentes bolivianos ao usar o documento falsificado. Bastou um alerta vermelho da Interpol para ser classificado como um criminoso de alta periculosidade.
Chefe do tráfico durante anos de uma facção com sede no Vale dos Sinos, Biron possui um total de quatro condenações e estava foragido desde o ano passado.
Além do rumoroso caso envolvendo a morte do fotógrafo Gargioni, já possuía condenações por tráfico de drogas e entorpecentes, lavagem de dinheiro e roubo a uma agência bancária.

Foto: Reprodução/Facebook
Crime que chocou Canoas
O fotógrafo José Gustavo Bertuol Gargioni, 22 anos, foi brutalmente assassinado na noite do dia 28 de julho de 2015, quando havia marcado um encontro com uma mulher após sair da academia.
Na época, foi comprovado que ela era namorada de Juliano Biron. O casal levou o fotógrafo até a Praia do Paquetá, onde Gustavo acabou dominado após ser agredido pelo traficante.
Conforme a apuração conduzida pela Polícia Civil, Gargioni foi torturado antes de ser morto com 19 tiros. O encontro, concluiu a Polícia, foi criado para atrair o jovem para uma armadilha.
Juliano Biron e a namorada acabaram presos, suspeitos do assassinato, após uma investigação complexa, que se valeu de imagem para evidenciar a participação de ambos no crime.
Biron acabou condenado pelo crime em 2020. A namorada, no entanto, acabou absolvida do crime durante sessão da 1ª Vara do Júri de Canoas organizada em dezembro de 2023.