O professor de Direito investigado pela Polícia Civil por crimes sexuais contra mais de dez mulheres no Rio Grande do Sul foi preso nesta sexta-feira (26). O mandado de prisão temporária foi cumprido nesta manhã na sua casa, em Porto Alegre. A ordem de prisão é de 30 dias, podendo ser prorrogada por mais 30 ou convertida em preventiva.

Foto: Redes Sociais/Reprodução
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O suspeito é o advogado e professor de Direito Conrado Paulino da Rosa. O caso veio a tona na última semana.
A Polícia Civil realiza uma coletiva de imprensa nesta sexta, onde confirmou a prisão.
Em nota divulgada na semana passada, a Polícia informou que um inquérito policial foi instaurado. Segundo as autoridades, o homem foi acusado de prática de estupro de vulnerável. “Todas as diligências necessárias para a elucidação dos fatos estão sendo rapidamente providenciadas”, escreveu.
A advogada Gabriela Souza, responsável pela defesa das vítimas, também por meio de nota, afirmou que “todas as medidas judiciais cabíveis já foram tomadas”. Ainda, ela reiterou que as mulheres só irão se manifestar “perante as autoridades policiais e judiciais, inclusive em razão de Medida Protetiva de Urgência vigente”.
“Unidas, incentivam a proteção de todos os direitos das mulheres e incentivam àquelas que possam estar vivendo relacionamentos abusivos a buscarem ajuda, denunciarem, entendendo que o silêncio protege apenas os agressores”, escreveu.
Nas redes sociais, Conrado Paulino da Rosa publicou uma manifestação onde reiterou confiar que a “verdade dos fatos se sobressairá”. Ele também afirmou que repudia “qualquer forma de violência contra a mulher” e está sendo representado pelo advogado Paulo Fayet, que “está adotando todas as providências necessárias”.
O advogado dava aulas na Fundação Escola Superior do Ministério Público (FMP), mas foi desligado. N)o dia 19 de setembro, a FMP afirmou que o desligamento “foi decidido em caráter administrativo, conforme previsto no regimento interno da FMP, sem a realização de juízo antecipado sobre eventuais responsabilidades relacionadas a fatos externos à Instituição”.
“A FMP reitera seu compromisso inegociável com a ética, a transparência e, sobretudo, com a promoção de um ambiente acadêmico seguro, inclusivo e respeitoso para todas as pessoas”, disse em nota.
O que diz a advogada Gabriela Souza em defesa das vítimas
“A defesa das vítimas de Conrado Paulino da Rosa comunica através dessa nota à imprensa que todas as medidas judiciais cabíveis já foram tomadas e que, neste momento, se manifestarão apenas perante as autoridades policiais e judiciais, inclusive em razão de Medida Protetiva de Urgência vigente.
Unidas, incentivam a proteção de todos os direitos das mulheres e incentivam àquelas que possam estar vivendo relacionamentos abusivos a buscarem ajuda, denunciarem, entendendo que o silêncio protege apenas os agressores. Desde já, repudiam o uso de qualquer estereótipo de gênero, comuns nas defesas de homens denunciados, e reafirmam aquilo que foi dito por Maria da Penha: a vida começa quando a violência termina.
As mulheres estão vivas na união, na voz e na força. A coragem de cada uma e de todas juntas é para que não existam próximas vítimas.“
O que diz a FMP
“A Fundação Escola Superior do Ministério Público – FMP informa que o professor Conrado Paulino da Rosa não integra mais o corpo docente da Instituição.
O desligamento foi decidido em caráter administrativo, conforme previsto no regimento interno da FMP, sem a realização de juízo antecipado sobre eventuais responsabilidades relacionadas a fatos externos à Instituição.
A FMP reitera seu compromisso inegociável com a ética, a transparência e, sobretudo, com a promoção de um ambiente acadêmico seguro, inclusivo e respeitoso para todas as pessoas.
Reafirmamos, de forma categórica, nossa posição contrária a qualquer forma de violência, em especial a violência contra as mulheres, e nosso apoio a todas as iniciativas que promovam a equidade de gênero e os direitos humanos.
Com 41 anos de atuação na formação de profissionais comprometidos com a justiça e a cidadania, a FMP seguirá fiel aos seus princípios institucionais e ao respeito à dignidade humana.“
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O que diz a defesa
“A defesa de Conrado Paulino da Rosa considera a prisão temporária uma medida desproporcional, visto que ele vinha cumprindo rigorosamente todas as determinações judiciais. Diante disso, ingressará com pedido de Habeas Corpus (HC) junto ao Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS).
Ressalta-se, ainda, que Conrado não foi ouvido, até o momento, nem teve a oportunidade de apresentar suas provas perante a autoridade policial.”
Professor se manifestou nas redes sociais na semana anterior
Em nota divulgada nas redes sociais há uma semana, o professor negou as acusações. Veja:
“Quem conhece minha trajetória de décadas, sabe do respeito que possuo pela minha profissão e como conduzo minha vida pessoal.
Confio que, com a apuração completa, após a minha oitiva e de minhas testemunhas, e a análise da documentação que será apresentada, a verdade dos fatos se sobressairá. Confio no trabalho das Autoridades, pessoas técnicas e idôneas, mas ao menos por ora respeitarei o sigilo da investigação e evitarei qualquer outra forma de exposição desnecessária. O Dr. Paulo Fayet, profissional em quem confio e agradeço, já foi constituído e está adotando todas as providências necessárias.
Por fim, não se pode esquecer que investigação não equivale à condenação. Muito menos enquanto ainda não formalizado o contraditório e ampla defesa, de sorte a ferir também a ampla presunção de inocência. Repudio qualquer forma de violência contra a mulher e indispensável que haja responsabilidade na divulgação de informações sigilosas sem autorização.”