O ex-vereador de São Leopoldo, investigado por envolvimento em um esquema de rachadinha e contratação de funcionário fantasma, é Hitler Pederssetti (Podemos). Ele foi alvo, junto de dois ex-assessores parlamentares, de uma operação deflagrada pela Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) do município, na manhã desta segunda-feira (14).

Foto: Isaías Rheinheimer/GES-Especial
As suspeitas recaem sobre sua atuação na legislatura passada, período em que teria exigido repasses mensais de parte do salário de assessores comissionados e, com isso, se beneficiado de um assessor que recebia sem trabalhar.
Na última eleição, Hitler concorreu à Prefeitura de São Leopoldo e fez apenas 2.139 votos. Quando foi eleito vereador, somou 1.865 votos.
A investigação teve início em maio de 2023, quando um ex-assessor parlamentar procurou a Polícia Civil alegando ser vítima de extorsão. Ele contou que era obrigado a entregar mensalmente parte do salário ao então vereador e ao chefe de gabinete.
Segundo a polícia, o caso se revelou um esquema amplo de corrupção, incluindo a atuação como funcionário fantasma. Ainda conforme a Draco, houve repasse integral de salário ao ex-parlamentar por pelo menos 10 meses, período em que o assessor sequer comparecia à Câmara.
Além disso, a companheira do ex-vereador também é investigada por suspeita de lavagem de dinheiro. A Polícia Civil identificou movimentações financeiras suspeitas com uso de criptoativos, supostamente para ocultar patrimônio. Ao todo, a Justiça autorizou mandados de busca e apreensão, bloqueio de contas bancárias e sequestro de bens, totalizando cerca de R$ 90 mil.
“Fui surpreendido”
Após a saída da Polícia Civil de sua casa, onde teve o celular apreendido, Hitler Pederssetti conversou com a reportagem e se disse surpreso com a operação. Ele negou qualquer prática criminosa. “Eu nem estava sabendo do que se tratava. Tive a visita da polícia para ver celulares e tal. Acho que é algo padrão que deve ser feito. Não tenho essa prática, então estou bem tranquilo em relação a isso”, afirma.
Questionado sobre a identidade do assessor que o denunciou e sobre a existência de funcionário fantasma em seu gabinete, se disse inocente. “Não houve (rachadinha e funcionário fantasma), e não sei quem foi que me denunciou. Fui pego de surpresa em relação a isso, então não tenho mais informações”, acrescenta.
LEIA TAMBÉM