abc+

ESQUEMA CRIMINOSO

Rifas, apostas e empréstimos clandestinos: Como funcionava lavagem de dinheiro que contava com detentos em presídio gaúcho

Terceira fase da Operação El Patron foi deflagrada nesta quarta-feira (19)

ico ABCMais.com azul
Publicado em: 19/11/2025 às 15h:52 Última atualização: 19/11/2025 às 15h:59
Publicidade

Mais uma fase da Operação El Patron foi executada nesta quarta-feira (19). Após mais de um ano de investigação, 27 criminosos foram identificados, sendo 22 alvos de prisão preventiva em Camaquã, Capão do Leão e Pelotas, no sul do Estado. Do total, nove já se encontravam no Presídio Regional de Pelotas (PRP) e foram transferidos para outras penitenciárias.

Publicidade

CLIQUE AQUI PARA RECEBER NOSSA NEWSLETTER



LEIA TAMBÉM: Carne podre vencida há 2 anos é encontrada em açougue no RS: “Esgoto dentro da câmara fria”

Segundo divulgado pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), também foram cumpridos 27 mandados de busca e apreensão, e sequestro judicial de oito veículos. Além disso, cerca de 200 contas bancárias foram usadas pelos investigados, todas já bloqueadas judicialmente.

Publicidade

Desde o ano passado, o esquema criminoso, liderado por uma facção que atuava na região usando dinheiro do tráfico e da agiotagem para lavagem de capitais, movimentou uma quantia que ultrapassa R$ 107 milhões.

SIGA O ABCMAIS NO GOOGLE NOTÍCIAS!

Publicidade

O esquema

“O grupo estruturou um sistema de lavagem de dinheiro que reaproveitava os lucros do tráfico em atividades como rifas, apostas e empréstimos clandestinos. Utilizavam até um aplicativo estrangeiro para simular operações financeiras legais, mas com juros abusivos e cobranças típicas de facções”, destacou o coordenador do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) no Estado, o promotor André Dal Molin.

Ligação entre suspeitos

Os principais alvos da operação realizavam transações bancárias de alto valor, muitas entre contas de mesma titularidade, o que indica tentativa de dissimular a origem dos recursos. 

“Um dos investigados movimentou sozinho mais de R$ 8 milhões. Outro suspeito apresentou vínculos financeiros com 21 pessoas, totalizando R$ 1,4 milhão em transações. E mais nove presos, que foram transferidos nesta quarta-feira, movimentaram R$ 32 milhões”, afirmou o promotor Rogério Meirelles Caldas, coordenador do 10º Núcleo Regional do Gaeco – Sul, responsável pela investigação.

Publicidade

O total em posse dos detentos foi movimentado enquanto os criminosos já estavam encarcerados.

Terceira fase da Operação El Patron | abc+



Terceira fase da Operação El Patron

Foto: Tiago Coutinho/MPRS

Publicidade

Além das movimentações diretas, o Gaeco comprovou a existência de relações financeiras entre os investigados, com transações que sugerem vínculos operacionais e societários. Foram identificados repasses que dificultam a identificação da cadeia financeira, mas que reforçam o aprimoramento das práticas ilícitas.

A análise ainda revelou diversas conexões entre os investigados, com transações cruzadas que indicam atuação coordenada e com estrutura empresarial voltada à lavagem de dinheiro. Parte do dinheiro saía de Pelotas e era lavado em Balneário Gaivota, Florianópolis e Navegantes, em Santa Catarina; São Paulo, Santos e Ribeirão Preto, em São Paulo; e Humanitária, Amazonas.

Publicidade

Terceira fase da Operação El Patron | abc+



Terceira fase da Operação El Patron

Foto: Tiago Coutinho/MPRS

Publicidade

Matérias Relacionadas