Mais uma fase da Operação El Patron foi executada nesta quarta-feira (19). Após mais de um ano de investigação, 27 criminosos foram identificados, sendo 22 alvos de prisão preventiva em Camaquã, Capão do Leão e Pelotas, no sul do Estado. Do total, nove já se encontravam no Presídio Regional de Pelotas (PRP) e foram transferidos para outras penitenciárias.
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Segundo divulgado pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), também foram cumpridos 27 mandados de busca e apreensão, e sequestro judicial de oito veículos. Além disso, cerca de 200 contas bancárias foram usadas pelos investigados, todas já bloqueadas judicialmente.
Desde o ano passado, o esquema criminoso, liderado por uma facção que atuava na região usando dinheiro do tráfico e da agiotagem para lavagem de capitais, movimentou uma quantia que ultrapassa R$ 107 milhões.
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O esquema
“O grupo estruturou um sistema de lavagem de dinheiro que reaproveitava os lucros do tráfico em atividades como rifas, apostas e empréstimos clandestinos. Utilizavam até um aplicativo estrangeiro para simular operações financeiras legais, mas com juros abusivos e cobranças típicas de facções”, destacou o coordenador do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) no Estado, o promotor André Dal Molin.
Ligação entre suspeitos
Os principais alvos da operação realizavam transações bancárias de alto valor, muitas entre contas de mesma titularidade, o que indica tentativa de dissimular a origem dos recursos.
“Um dos investigados movimentou sozinho mais de R$ 8 milhões. Outro suspeito apresentou vínculos financeiros com 21 pessoas, totalizando R$ 1,4 milhão em transações. E mais nove presos, que foram transferidos nesta quarta-feira, movimentaram R$ 32 milhões”, afirmou o promotor Rogério Meirelles Caldas, coordenador do 10º Núcleo Regional do Gaeco – Sul, responsável pela investigação.
O total em posse dos detentos foi movimentado enquanto os criminosos já estavam encarcerados.

Foto: Tiago Coutinho/MPRS
Além das movimentações diretas, o Gaeco comprovou a existência de relações financeiras entre os investigados, com transações que sugerem vínculos operacionais e societários. Foram identificados repasses que dificultam a identificação da cadeia financeira, mas que reforçam o aprimoramento das práticas ilícitas.
A análise ainda revelou diversas conexões entre os investigados, com transações cruzadas que indicam atuação coordenada e com estrutura empresarial voltada à lavagem de dinheiro. Parte do dinheiro saía de Pelotas e era lavado em Balneário Gaivota, Florianópolis e Navegantes, em Santa Catarina; São Paulo, Santos e Ribeirão Preto, em São Paulo; e Humanitária, Amazonas.

Foto: Tiago Coutinho/MPRS