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À luz do dia

"Tá uma vagabundagem só": Moradores reclamam da Praça Pio X

Mesmo durante o dia, vizinhança aponta consumo de álcool e drogas, que serviria de impulso para os crimes cometidos

Publicado em: 26/11/2025 às 10h:57 Última atualização: 26/11/2025 às 10h:57
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Dizendo-se cansados por não poderem esquecer nada no pátio de casa, moradores da área central do bairro Mathias Velhos reclamam dos constantes furtos que acontecem nas imediações.

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Como suspeitos para os crimes, eles apontam jovens que se reúnem diariamente na Praça Pio X para consumir álcool e drogas, à luz do dia mesmo, sem se importarem em ser notados.

Conforme apontamento dos moradores, Praça Pio X concentra jovens consumindo álcool e drogas mesmo durante o dia | abc+



Conforme apontamento dos moradores, Praça Pio X concentra jovens consumindo álcool e drogas mesmo durante o dia

Foto: PAULO PIRES/GES

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A situação piora durante a noite, aponta uma comerciante que tem estabelecimento a metros do local. Ela observa que há “elementos” perigosos circulando na praça a partir do final da tarde.

“Tá uma vagabundagem só”, diz. “Durante o dia, tem meia dúzia que a gente mais ou menos conhece. Fumam e bebem sem parar, mas não incomodam”, explica a trabalhadora, que preferiu não ser identificada. “Só que de noite chegam os mais bandidinhos mesmo.”

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Conforme o segurança contratado por um estabelecimento, não raro, é possível notar o consumo de drogas durante o dia. Isso porque os jovens não têm medo da autoridade policial que circula pela área.

“A gente nota que são uns guris muito novos”, observa. “Sei que um ou outro são ou eram envolvidos com facções. Já estiveram presos, então não têm medo ao ver a polícia”, observou o trabalhador que preferiu o anonimato.

Área no coração Mathias Velho, Praça Pio X é referência para os moradores do bairro | abc+



Área no coração Mathias Velho, Praça Pio X é referência para os moradores do bairro

Foto: PAULO PIRES/GES

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Fome x Álcool e drogas

A Praça Pio X fica em frente à Paróquia São Pio X, na Avenida Rio Grande do Sul. A reportagem procurou conversar com um funcionário e ouviu o relato de que as pessoas reunidas na área não estão com fome.

“A gente já ajudou mais de uma vez com comida e mantimentos, mas eles levam embora e trocam por drogas”, lamentou o funcionário que, por medo, preferiu não ser identificado. “Então, paramos de dar o que comer.”

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O trabalhador opina ser necessário um trabalho até social e não apenas da segurança pública, já que é possível enxergar “meninos e meninas” cada vez mais jovens se aglomerando na praça.

“Acho um desperdício ver meninos e meninas, alguns tão novos, envolvidos com coisas que não prestam”, diz. “Precisam delinear uma ação social séria até para coibir esse tipo de atividade.”

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Enchente

Há cerca de um mês, Carlos Leonardo Bozzi, 54 anos, acordou sem luz devido à fiação arrancada da frente de casa. Ele fala que não pode culpar X ou Y, mas aponta que o ladrão saiu da Praça Pio X.

“Desde que a água da enchente baixou, se reúne ali um grupinho que espera anoitecer para dormir no albergue”, explica. “Só que existe um outro grupo, que não dorme lá. Fica rondando as casas para roubar à noite.”

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Reforço no policiamento

O comandante do 15º Batalhão da Polícia Militar (BPM) de Canoas, tenente-coronel Clóvis Ivan Alves informou, na manhã desta terça-feira (25), que reforçará o policiamento ostensivo na área.

Segundo o comandante, a Brigada Militar (BM) mantém um trabalho de reforço em determinados pontos considerados de consumo de álcool e drogas. Há ações em, pelo menos, dois por dia.

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O oficial aponta ser necessário o registro da ocorrência policial ao menor delito. Isso porque somente assim a Brigada Militar pode agir para identificar a área e coibir os crimes.

Casas sem luz

Foi no começo do mês passado que a reportagem do DC foi acionada por moradores do bairro Mathias Velho, que reclamavam de furtos à fiação elétrica acontecendo durante a noite.

Na época, a reportagem chegou a conversar com um eletricista responsável por uma dúzia de instalações em pouco mais de uma semana, devido à quantidade de fiações levadas das casas nas redondezas.

“Os vagabundos puxam os fios e arrebentam tudo”, afirmou Valtoir Marques. “Depois levam para a sucata, que compra a preço de banana. Eu já quase peguei eles arrancando. Tudo na base do puxão. Dão um pique no cabo e puxam o resto com força”, explicou o veterano de 70 anos.

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