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Operação Falsa Fé

"Trago seu amor de volta": Falso pai de santo é preso após extorquir R$ 180 mil de vítima

Ofensiva lançada pela Polícia Civil, na manhã desta quinta-feira (16), atingiu grupo de golpistas

Publicado em: 16/10/2025 às 09h:49 Última atualização: 16/10/2025 às 10h:01
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Os anúncios são conhecidos e podem ser vistos em cartazes colados em postes e paradas de ônibus, ser encaminhados por WhatsApp ou “passar” no Feed do Facebook e Instagram: “Trago seu amor de volta”.

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Na manhã desta quinta-feira (16), a Polícia Civil lançou uma ofensiva contra um grupo de estelionatários responsável por extorquir vítimas, se valendo de golpes envolvendo a fé. Somente uma vítima, perdeu R$ 180 mil.

Operação policial, na manhã desta quinta-feira (16), mirou grupo criminosos responsável por estelionatos | abc+



Operação policial, na manhã desta quinta-feira (16), mirou grupo criminosos responsável por estelionatos

Foto: POLÍCIA CIVIL/REPRODUÇÃO

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A Operação Falsa Fé foi articulada pelas Polícias de Canoas e São Paulo, base do grupo criminoso responsável pelos crimes. Ao todo, foram seis presos, incluindo um falso Pai de Santo, que seria pivô das ameaças.

A investigação foi conduzida pela 3ª Delegacia de Polícia de Canoas e partiu de uma ocorrência registrada no dia 29 de maio, quando uma vítima viu em uma rede social um anúncio de uma suposta “Mãe de Santo”.

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Conforme a Polícia, a mulher, que se apresentava como “Mãe Natasha”, dizia ter o poder de “trazer o amor de volta” por meio de rituais espirituais. Abalada emocionalmente com um rompimento, a vítima decidiu arriscar.

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Segundo a delegada Luciane Bertoletti, que coordenou a apuração, logo na primeira conversa, a golpista afirmou que poderia resolver o problema amoroso mediante um ritual de “amarração” no valor de R$ 300,00.

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A vítima pagou por Pix, mas, na sequência, a falsa mãe de santo alegou que seria necessário um “trabalho de dominação de coração”, exigindo mais R$ 750. Foi quando a canoense pensou em desistir.

“A mulher foi advertida de que o cancelamento não era possível, porque os nomes dos envolvidos já estavam na mesa”, explica. “E se interrompesse o contrato, as entidades poderiam puni-la. Depois disso, as exigências e ameaças só pioraram”.

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Pai Hugo Castiel

Em poucos dias, a suposta mãe de santo passou a pedir valores cada vez maiores, alegando que as entidades espirituais exigiam novos rituais, como “benzimentos”, “casamento de almas” e “afastamento de rivais”.

A situação se agravou no dia 30 maio, aponta a delegada Luciane Bertoletti, quando entrou em cena um homem que se apresentou como “pai de santo Hugo Castiel”, suposto chefe do terreiro.

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Em tom autoritário, ele reforçou as intimidações à vítima, dizendo que ela estaria “enganando as entidades” e que sofreria consequências se não realizasse os pagamentos exigidos.

Os criminosos se revezavam em mensagens e ligações, utilizando uma linguagem mística e ameaçadora. A vítima, temendo ser exposta ao ex-companheiro, cujos dados os golpistas afirmavam conhecer, acabou cedendo às pressões.

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Os valores pagos foram destinados a contas de diversas pessoas físicas, em diferentes instituições financeiras. Os pagamentos variavam entre R$ 1.500,00 e R$ 37.000,00, chegando a somar mais de R$ 180 mil ao longo de somente um mês.

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Novos prejuízos

Em um ciclo de extorsão sem fim, “Pai Hugo”, segundo a Polícia Civil, chegou a inventar que precisava comprar um bode preto para concluir um dos rituais, pedindo mais R$ 1.500 para ser sacrificado.

Mais tarde, afirmou que o dinheiro da vítima estava “bloqueado pelo banco” e que seria necessário pagar taxas adicionais de 4%, depois 13,5%, para a liberação dos valores — totalizando novos prejuízos.

O esquema chegou a incluir prints falsos de conversas com supostos gerentes bancários e até de um empresário que teria uma loja de carros, tentando dar credibilidade às mentiras criadas pelos falsários.

“Tudo isso aconteceu em meio a mensagens em que o golpista dizia que as entidades estavam furiosas e exigiam novos valores para reforçar o trabalho espiritual”, esclarece Luciane. “Levou um tempo até a vítima, bastante cansada e endividada, procurar a Polícia”.

Capturados

Durante a operação interestadual, 120 policiais civis gaúchos e paulistas cumpriram 18 mandados de busca e apreensão e sete mandados de prisão temporária nas cidades de Itapevi, Cotia e Jacareí, em São Paulo.

Até o momento, aponta o delegado Cristiano Reschke, foram seis suspeitos presos temporariamente, incluindo o pai de santo Hugo Castiel. Uma suspeita, entretanto, permanece foragida.

Diretor da Polícia Civil, o delegado alerta sobre os golpes, cada vez mais sofisticados, praticados nas redes sociais, com elementos de persuasão e convencimento eficazes que colocam as vítimas numa relação de envolvimento emocional e dependência.

“Quando sentem que a vítima vai deixar de contribuir, passam a ameaças e a extorquir”, destaca. “É preciso desconfiar de promessas milagrosas e de serviços que cobrem valores para entregas de soluções para problemas amorosos e financeiros”, conclui.

Até a publicação desta reportagem, a defesa de Hugo Castiel não havia sido localizada. O espaço está aberto para manifestação.

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