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SANTANA DO LIVRAMENTO

"Virou rei depois do assassinato": Delegado dá detalhes sobre caso de adolescente de 16 anos que matou e escondeu corpo do pai

Denúncia anônima escancarou manipulação e versões diferentes apresentadas pelo adolescente durante suposto sumiço do genitor

Nadine Funck
Publicado em: 02/10/2025 às 16h:33 Última atualização: 02/10/2025 às 17h:01
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Perspicaz, inteligente e muito manipulador. Essas são algumas das características que o delegado Adriano de Jesus Linhares Rodrigues atribui ao adolescente de 16 anos que foi apreendido na última segunda-feira (29) por matar e esconder o corpo do pai em Santana do Livramento, fronteira oeste gaúcha.

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Adolescente de 16 anos mata pai e enterra corpo no RS; cadáver é encontrado semanas depois | abc+



Adolescente de 16 anos mata pai e enterra corpo no RS; cadáver é encontrado semanas depois

Foto: Polícia Civil

O jovem esteve à frente do negócio do genitor até que o crime cometido no dia 5 de setembro fosse descoberto 24 dias depois, após denúncia anônima. Durante o período, ao ser questionado sobre o sumiço do homem de 56 anos, o adolescente tinha respostas diferentes para dar aos moradores do entorno. 

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Enquanto para um relatava uma doença, para outro contava que o pai se encontrava preso em Rivera, no Uruguai, ou que simplesmente estava viajando. “Os vizinhos já prestaram depoimentos e é impressionante o que ele era capaz de fazer. É realmente uma pessoa inteligente. Não é um criminoso comum”, pontua o titular da Draco de Santana do Livramento.

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Apesar de não ser fichado, era temido. Quem sentiu a ausência do genitor e fez a denúncia foi um parente que mora a mais de 500 quilômetros de distância. Também não tem uma boa relação com o adolescente.

“Jamais falará”

Para a Polícia, há indícios suficientes de que o crime tenha sido cometido por conta do patrimônio do genitor, que guardava R$ 16 mil em casa e era proprietário de uma borracharia – estabelecimento que acabou comandado pelo filho por pouco menos de um mês –, entre outros bens, como um carro vendido em setembro pelo menor de idade. 

No entanto, em depoimento, o discurso foi diferente. O adolescente, que teria sido fruto de um abuso sexual, afirmou que cometeu o assassinato para vingar a mãe de 32 anos, com quem deixou de morar há 3 anos para dividir o mesmo teto que o genitor. Para o delegado, contudo, “esses argumentos são frutos da capacidade de manipulação dele”.

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“A gente tem que entender o sofrimento da mãe. Não dá para isolar o que aconteceu, mas ele sabe o que comove, o que causa sofrimento nas pessoas, e ele sabe que não é aceito na nossa sociedade se disser que queria o dinheiro do pai. Ele é manipulador. Jamais falará”, salientou Rodrigues.

Violência

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Um dia depois de matar o pai, o adolescente tentou atropelar o padrasto em Palmeiras das Missões, próximo ao local onde a mãe mora. Ele usou o Chevrolet Onix que pertencia ao genitor na tentativa de homicídio. O homem conseguiu escapar e não se feriu.

Tiro de espingarda e festa no mesmo dia

Pai e filho dividiam o mesmo quarto. Dormiam em beliche, ocupado embaixo pelo adolescente, que havia comprado uma espingarda um dia antes. Deixou a arma carregada ao lado da cama e efetuou os disparou contra o homem pelas costas, quando se preparava para começar a trabalhar. 

Todo o crime foi premeditado para que o adolescente esbanjasse ainda naquele dia. Pagou dois amigos de 20 e 21 anos para ajudar a enterrar o corpo na localidade de Rincão da Bolsa, zona rural da cidade. Deu dois pneus novos para um e uma tatuagem no pescoço para outro.

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O preço do serviço foi pífio em relação ao que herdaria. Se estima que, no decorrer de setembro, o adolescente tenha pegado cerca de R$ 100 mil do assassinado. 

A investigação apura a real participação dos homens, que foram presos na segunda e seguem detidos, com objetivo de entender se ambos sabiam das pretensões do jovem antes do crime. 

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O que se sabe é que, com o conhecimento ou não da premeditação do assassinato, os homens festejaram com o adolescente na noite daquele mesmo dia. Além de bebida, usaram drogas.

E apesar do temperamento descrito pelo delegado, a execução não tem relação com o crime organizado. “O fato é que ele monitorava o pai. Virou rei depois do assassinato.”

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A identidade dos envolvidos não será revelada em respeito ao que determina o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

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