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POLÍTICA

"Alteraram minha senha", diz juíza de Novo Hamburgo que teve dados usados por Zambelli e hacker em invasão a sistemas da Justiça

Segundo denúncia da PGR que levou à condenação da deputada no Supremo, credenciais da juíza foram usadas ilegalmente para inserir alvarás de soltura de presos no sistema do CNJ

Igor Henrique Muller
Publicado em: 04/06/2025 às 18h:19 Última atualização: 04/06/2025 às 18h:19
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A juíza da comarca de Novo Hamburgo que teve seus acessos aos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) usados ilegalmente pelo hacker Walter Delgatti Neto a mando da deputada federal Carla Zambelli (PL/SP) falou pela primeira vez sobre o assunto. O caso foi revelado nesta quarta-feira (4) pelo Grupo Sinos.

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Juíza de Novo Hamburgo foi vítima do hacker que agia a mando de Carla Zambelli | abc+



Juíza de Novo Hamburgo foi vítima do hacker que agia a mando de Carla Zambelli

Foto: Arquivo/GES

A magistrada contou que, após acessar normalmente o Banco Nacional de Mandados de Prisão (BNMP) em um dia, no outro já não conseguiu completar o login. “Alteraram minha senha”, contou a juíza, que pediu para ter o nome preservado.

Segundo ela, assim que teve o acesso negado, a Corregedoria do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJ/RS) e o próprio Conselho Nacional de Justiça foram acionados. “Posteriormente soube que usaram meus dados de forma indevida, emitindo alvarás de soltura para presos de outros Estados”, informou.

A juíza de Novo Hamburgo, que trabalha na área criminal, não foi única vítima do hacker que, segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR), agia a mando da deputada federal Carla Zambelli. Um juiz de Cuiabá (MT) também teve suas credenciais usadas para a inclusão, no sistema do CNJ, de um alvará de soltura a favor de um criminoso ligado ao Comando Vermelho.

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Cinco presos poderiam ter sido soltos

De acordo com a denúncia da PGR que embasou a condenação de Zambelli no Supremo Tribunal Federal (STF) no mês passado, as credenciais da juíza hamburguense ao sistema do CNJ foram usadas para a inclusão de cinco alvarás de soltura falsos em favor de presos.

Nenhum dos cinco presos chegou a ser solto a partir da inclusão dos alvarás no sistema do CNJ. Entre eles, pelo menos dois são considerados criminosos de alta periculosidade. Um é apontado como líder de facção e foi condenado pela construção de um túnel no antigo Presídio Central de Porto Alegre, em 2017. O plano era resgatar até mil presos no carnaval daquele ano.

Outro nome que aparece entre os beneficiários dos alvarás de soltura é o de uma mulher que responde pelo envolvimento em um esquema internacional de tráfico de drogas que utiliza navios e mergulhadores para mandar cocaína do Brasil para a Europa.

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Carla Zambelli fez foto com Walter Delgatti Neto e postou nas redes sociais | abc+



Carla Zambelli fez foto com Walter Delgatti Neto e postou nas redes sociais

Foto: Reprodução/Redes Sociais

Objetivo era tumultuar o Judiciário

O Grupo Sinos conversou nesta quarta-feira, também sob condição de anonimato, com um membro da PGR. O entendimento é que os presos que seriam beneficiados com os alvarás de soltura foram escolhidos aleatoriamente. Não há evidência da relação do hacker nem de Zambelli com os criminosos.

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Na denúncia do caso ao Supremo, o procurador-geral da República Paulo Gonet disse que os sistemas do CNJ foram invadidos entre novembro de 2022 e janeiro de 2023 “com o fim de prejudicar direitos”.

“Os acusados buscavam obter vantagem de ordem midiática e política, que adviria do projeto de desmoralização do sistema de Justiça, bem como causar danos ao funcionamento da máquina administrativa judiciária. Assinale-se que Zambelli dedicava-se a desmerecer o sistema eleitoral digitalizado, tema adotado como tópico de captação de apoio popular. Desacreditar o sistema informático em órgãos da Justiça serviria a esse intuito”, escreveu o procurador.

Prisão de Alexandre de Moraes

A partir de credenciais de acesso de outros servidores do Judiciário, o hacker e Zambelli chegaram a inserir no sistema um mandado de prisão contra o ministro do STF Alexandre de Moraes. Um falso bloqueio de bens do ministro também chegou a ser inserido no sistema, mas não chegou a produzir efeitos práticos.

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