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POLÍTICA

Carla Zambelli e hacker usaram acesso de juíza de Novo Hamburgo para invadir sistemas da Justiça, diz PGR

Credenciais da magistrada gaúcha e de outros servidores públicos foram utilizadas ilegalmente a mando da parlamentar, que já foi condenada pelo crime e agora saiu do País

Igor Henrique Muller
Publicado em: 04/06/2025 às 06h:27
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Menos de um mês depois de ter sido condenada a dez anos de prisão e perda do cargo na Câmara dos Deputados pela invasão aos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), a deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) confirmou nesta terça-feira (3) que deixou o País. O Supremo Tribunal Federal (STF) analisa pedido de prisão preventiva da parlamentar apresentado pela Procuradoria-Geral da República (PGR).

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Carla Zambelli fez foto com Walter Delgatti Neto e postou nas redes sociais | abc+



Carla Zambelli fez foto com Walter Delgatti Neto e postou nas redes sociais

Foto: Reprodução/Redes Sociais

Carla Zambelli responde a dois processos no STF: o que resultou na sua condenação, pela invasão aos sistemas do CNJ, e por perseguir e ameaçar um homem com arma em punho na região da Avenida Paulista, em São Paulo, no segundo turno da eleição de 2022.

Novo Hamburgo na denúncia da PGR ao STF

Novo Hamburgo aparece nas dezenas de páginas da denúncia da PGR apresentada ao Supremo em abril de 2024. O caso foi julgado no início de maio deste ano.

O Grupo Sinos teve acesso com exclusividade ao trecho em que o procurador-geral da República Paulo Gonet detalha que Zambelli e o hacker Walter Delgatti Neto utilizaram ilegalmente as credenciais de uma juíza da Comarca de Novo Hamburgo para inserir alvarás de soltura de presos no sistema do CNJ.

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Como a juíza é vítima do crime pelo qual Zambelli e o hacker foram condenados, o Grupo Sinos mantém em sigilo o nome da magistrada. Ela trabalha na área criminal.

Cinco alvarás de soltura

Segundo a denúncia da PGR ao Supremo, no dia 5 de janeiro de 2023 Walter Delgatti Neto invadiu, a mando de Zambelli, o Banco Nacional de Mandados de Prisão (BNMP), que faz parte dos sistemas utilizados pelo Judiciário brasileiro. Eles teriam inserido cinco alvarás de soltura falsos no sistema utilizando o nome da juíza de Novo Hamburgo.

Os alvarás de soltura “ideologicamente falsos”, segundo a denúncia, foram lançados no sistema do CNJ em favor de criminosos que estariam presos naquele período. Os nomes teriam sido escolhidos de forma aleatória.

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Uma das pessoas que, a partir do crime atribuído a Zambelli e Delgatti, poderiam ter ganho liberdade é a mulher apontada como braço direito da chefia de uma quadrilha que exporta cocaína do Brasil para a Europa em navios.

Restrição de veículo

Ainda conforme a denúncia da PGR, elaborada a partir de investigação e perícias da Polícia Federal, no mesmo dia Delgatti teria agido a mando de Zambelli para invadir o sistema Renajud, que é onde são lançadas as restrições judiciais a veículos.

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Novamente utilizando de forma ilegal as credenciais da juíza de Novo Hamburgo, os denunciados incluíram no sistema a requisição de restrição de um Honda Civic prata, placas JHW 6773.

Não seria a primeira vez que esta placa apareceria nos noticiários. Em 2020, um mecânico de 40 anos foi preso em flagrante pela Polícia Militar da Bahia ao circular pela cidade de Iguaí dirigindo um Civic com placa clonada. Chamou atenção dos policiais que, na placa, a cidade Brasília estava escrita com Z ao invés de S.

Placa lançada por hacker no sistema havia sido clonada em 2020 com erro de grafia | abc+



Placa lançada por hacker no sistema havia sido clonada em 2020 com erro de grafia

Foto: Poções Urgente/Reprodução

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Juiz de Cuiabá também teve credenciais usadas ilegalmente

Segundo a denúncia da PGR, naquele mesmo 5 de janeiro de 2023 Walter Delgatti Neto e a deputada inseriram no sistema um sexto alvará de soltura, dessa vez em nome de um juiz da área criminal de Cuiabá, no Mato Grosso. O documento serviria para libertar um criminoso ligado ao Comando Vermelho condenado a 200 anos de prisão.

No dia 10 de janeiro daquele ano, segundo a PGR, uma busca da 7ª Vara Criminal de Cuiabá acabou identificando no sistema a inclusão de alvarás de soltura suspeitos. Os documentos foram cancelados e nenhum preso acabou sendo solto.

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“Os denunciados atuaram com o fim de causar prejuízo ao sistema judiciário. A invasão aos sistemas e a criação de documentos ideologicamente falsos objetivou abalar a credibilidade e o regular funcionamento do Poder Judiciário”, escreveu o procurador Paulo Gonet na denúncia de Zambelli e Delgatti ao Supremo.

Mandado de prisão de Alexandre de Moraes

No dia anterior à inclusão de cinco alvarás de soltura em nome de uma juíza criminal de Novo Hamburgo, o hacker e a deputada federal teriam lançado no sistema do CNJ um mandado de prisão em nome do ministro do STF Alexandre de Moraes.

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No laptop de Walter Delgatti Neto a Polícia Federal encontrou documentos igualmente falsos que permitiram ao hacker inserir em outro sistema do CNJ ordens de quebra do sigilo bancário do ministro Alexandre de Moraes.

Duas ordens de bloqueio de bens do ministro chegaram a ser inseridas no sistema, informa a PGR na denúncia de Zambelli e do hacker.

“Os acusados buscavam obter vantagem de ordem midiática e política, que adviria do projeto de desmoralização do sistema de Justiça, bem como causar danos ao funcionamento da máquina administrativa judiciária. Assinale-se que Carla Zambelli dedicava-se a desmerecer o sistema eleitoral digitalizado. Desacreditar o sistema informático em órgãos da Justiça serviria a esse intuito”, escreveu o procurador-geral da República na denúncia.

Hacker inseriu no sistema um mandado de prisão contra Alexandre de Moraes | abc+



Hacker inseriu no sistema um mandado de prisão contra Alexandre de Moraes

Foto: Fellipe Sampaio /STF

Contrapontos

As defesas de Carla Zambelli e de Walter Delgatti Neto não foram localizadas pelo Grupo Sinos até a publicação deste conteúdo. O espaço está aberto para manifestações.

Em nota divulgada à imprensa quando da denúncia da PGR ao Supremo, a defesa de Zambelli argumentou ter recebido com “surpresa” a denúncia e disse não haver prova de que a deputada colaborou, instigou ou incentivou Delgatti.

Já a defesa do hacker sustentou que a peça da PGR “só confirma que Walter falou a verdade”.

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