Embora ainda faltem mais de 12 meses para o primeiro turno das eleições de 2026, marcado para 4 de outubro, os bastidores da política gaúcha já estão em movimento.
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Especialistas avaliam que, a partir de agora, os partidos devem intensificar suas articulações em torno da disputa pelo governo do Rio Grande do Sul. Mesmo com dirigentes partidários defendendo que o foco atual deve ser o cumprimento dos mandatos conquistados em 2024, alguns nomes começam a despontar como potenciais candidatos ao Palácio Piratini.
Partidos articulam candidaturas de olho em alianças e no eleitor moderado na disputa pelo Piratini
Foto: Leandro Osório/Especial Palácio Piratini
Para o presidente do Instituto Gaúcho de Direito Eleitoral (Igade), Everson Alves dos Santos, o cenário da sucessão no Executivo estadual começa a ganhar contornos mais claros, embora ainda iniciais. “Já é possível identificar uma eleição que deverá ser marcada por múltiplas candidaturas competitivas e, possivelmente, por uma fragmentação na largada”, avalia.
Segundo ele, nomes com experiência administrativa, capacidade de articulação e perfil moderado tendem a se destacar — uma preferência já consolidada no eleitorado gaúcho, que tradicionalmente valoriza projetos pragmáticos e viáveis.
“A lição está dada: insistir em nomes consolidados internamente, mas com baixa aceitação fora da bolha partidária, pode limitar a competitividade em disputas majoritárias”, aponta.
A pesquisa também trouxe um dado importante sobre o comportamento do eleitor gaúcho: 60% afirmam que pretendem votar para governador de forma independente do voto para presidente da República.
Na avaliação de Santos, isso reforça a tendência observada em 2022, quando Leite evitou se posicionar nacionalmente no segundo turno, priorizando uma campanha com foco local.
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A estratégia contrastou com a de Onyx Lorenzoni, que se recentemente se filiou ao Progressistas, mas que na época fazia parte do PL e buscou colar sua imagem à do ex-presidente Jair Bolsonaro — sem sucesso. “A leitura é clara: tanto à esquerda quanto à direita, uma candidatura competitiva precisa dialogar com o centro democrático para vencer”, resume Santos.
Ele também lembra que o quadro segue aberto e sujeito a mudanças. Fatores como a resposta do governo à tragédia climática, os efeitos de reformas estruturais em andamento e as movimentações para a disputa ao Senado podem alterar os rumos do jogo. “O eleitor gaúcho mostra preferência por projetos sólidos e desvinculados de extremos ideológicos. A moderação e a competência técnica seguem como ativos fundamentais na disputa que se avizinha”, conclui o presidente do Igade.
Com bom trânsito entre diferentes partidos e experiência no Executivo estadual, Souza também é visto como um nome de continuidade da atual administração, especialmente entre figuras da base aliada. No entanto, nos bastidores, disputa com Paula Mascarenhas um ativo político decisivo: o apoio explícito do governador Eduardo Leite (PSD) na sucessão ao Palácio Piratini.
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Em Campo Bom, MDB lançou Gabriel Souza pré-candidato ao Piratini
Foto: Leandro Rodrigues
A candidatura conta também com o respaldo do partido Novo, em aliança formalizada para 2026. Zucco aparece com cerca de 27% das intenções de voto nas pesquisas mais recentes do Paraná Pesquisas, liderando alguns cenários.
Luciano Zucco
Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados
Situação do PT: Indefinições e nomes em avaliação
O Partido dos Trabalhadores ainda não definiu seu nome para a disputa ao governo estadual, mas algumas alternativas vêm sendo cogitadas nos bastidores.
A baixa performance de Edegar Pretto nas pesquisas recentes abalou sua posição como “candidato natural” do partido. Embora Pretto — atual presidente da Conab e ex-deputado estadual — siga colocado na disputa, lideranças internas pressionam por uma reavaliação da estratégia.
Paulo Pimenta
Deputado federal, ex-Ministro da Secretaria de Comunicação Social e ex-ministro extraordinário de Apoio à Reconstrução do RS, Pimenta fortaleceu sua presença no Estado durante a crise climática. Seu nome, embora ventilado para o Executivo, é apontado como a principal aposta do PT para o Senado. A articulação visa ampliar a bancada no Congresso e contrapor a ofensiva da direita.
Pepe Vargas
Atual presidente da Assembleia Legislativa, o deputado estadual Pepe Vargas surgiu como alternativa forte dentro do PT. Sua atuação institucional e perfil de diálogo ampliaram sua aceitação interna, e alas do partido já defendem sua candidatura ao Piratini. Por ora, no entanto, não há definição oficial.
Pretto, Pimenta e Vargas disputam indicação do PT na disputa pelo Piratini em 2026
Foto: Reprodução