Eleito com 63.038 votos (53,3% dos votos válidos), o prefeito de Novo Hamburgo, Gustavo Finck (PP), encerrou seu primeiro ano de mandato em um cenário de transição técnica e política. Em entrevista exclusiva ao Grupo Sinos, concedida em seu gabinete no Centro Administrativo Leopoldo Petry na tarde desta terça-feira (13), o chefe do Executivo fez um balanço de uma gestão marcada pela tentativa de ruptura com o governo anterior, austeridade financeira e o desafio de equilibrar as contas públicas.

Foto: Joceline Silveira/GES-Especial
Calamidade financeira
O início da gestão foi pautado pelo decreto de calamidade financeira, que vigorou por seis meses. Segundo Finck, a gestão assumiu o comando com um rombo de R$ 200 milhões de gestões anteriores. Diante da crise fiscal, a Prefeitura suspendeu repasses a entidades tradicionais, como a Orquestra de Sopros de Novo Hamburgo (OSNH), o que gerou desgaste com o setor cultural.
“As pessoas queriam mudanças já no dia seguinte, mas o processo é moroso. Tivemos que organizar fluxos internos que a cidade nem tinha. Agora, estamos colhendo os frutos do que plantamos lá atrás”, afirma o prefeito. Segundo ele, o início da gestão exigiu a reorganização interna da máquina pública. Entre as medidas citadas estão a redução de gastos com veículos oficiais, segurança pessoal e contratos administrativos, além da revisão de processos que estavam sob questionamentos do Tribunal de Contas e do Ministério Público.
Perspectiva de uma programação de Páscoa
O prefeito destaca que Novo Hamburgo vive agora um momento de retomada do desenvolvimento econômico, impulsionado pelo fortalecimento do turismo e pela atração de novos investimentos. O sucesso do Natal, conforme o político, gerou uma “virada de chave”, levando empresas a procurarem o governo para futuras parcerias.
“O Natal, que nem estava planejado, trouxe um retorno muito grande de trazer investimentos, fomentando o turismo, além de novos negócios. E a gente vai buscar sempre mais parcerias. Vamos ampliar agora o investimento através de leis de incentivo. As empresas estão nos procurando, bem ao contrário do que nós fizemos ano passado, quando nós procuramos as empresas. Agora as empresas estão nos procurando para investir no Natal”, destaca Finck.
Entre as ações planejadas pelo prefeito estão a ampliação de leis de incentivo, a criação de uma programação especial de Páscoa para movimentar o Centro e a consolidação da Rua Coberta como espaço de convivência e fomento ao comércio. O fechamento temporário da Avenida Pedro Adams Filho também foi citado como estratégia para incentivar o fluxo de pessoas.
“Nós vamos fazer duas UBSs novas”
Na área da saúde, Finck destaca a articulação de um empréstimo de R$ 226 milhões, aprovado pela Câmara de Vereadores, junto ao Banco do Brasil. Parte dos recursos será destinada a obras de infraestrutura urbana, enquanto outra parte será aplicada no Hospital Municipal.
Entre as ações previstas estão a conclusão do Anexo 2, o início do Anexo 3 e a reestruturação da fachada do hospital, com a ampliação de espaços e a retomada da oncologia no município. A previsão é que os anexos estejam concluídos entre 2027 e 2028.
“Nós vamos fazer duas UBSs novas e vamos reformar as duas UPAs. O bairro Canudos vai ganhar uma UBS nova, a Santa Afonso vai ganhar uma UBS nova, vamos desabilitar as antigas que não comportam mais, vamos fazer prédios de dois andares para poder comportar a demanda da nossa cidade.”
Frentes simultâneas para pavimentar ruas e avenidas
Outro ponto destacado pelo prefeito Finck é pavimentação como uma das prioridades para 2026. A proposta é dividir as obras em quatro ou cinco frentes simultâneas, organizadas por blocos, abrangendo áreas como o Centro, Santo Afonso, Lomba Grande, Canudos e outros bairros. A estratégia, conforme o prefeito, é dividir as obras em blocos para ampliar a concorrência e reduzir custos. “Os projetos estão prontos, desde a sinalização, a canalização. Vai ser tudo muito pensado. Estamos aguardando liberações burocráticas do Banco do Brasil. Acredito que até março os editais estejam na rua e, entre março e abril, a cidade já esteja em obras.”
Comusa eficiente e investimentos para a Fenac
Por ora, o prefeito Finck descarta a concessão da Comusa Serviços de Água e Esgoto, afirmando que ela pode entregar resultados eficientes e atingir as metas do marco regulatório do saneamento com gestão assertiva. Apesar das discussões sobre uma possível concessão dos serviços, o prefeito disse estar “muito feliz com o que a Comusa está entregando”.
A proposta para 2026 é ampliar os investimentos na Fenac, indo além do setor calçadista, com o objetivo de atrair novas feiras e eventos. Segundo Finck, o espaço tem grande potencial e pode suprir a carência regional por locais adequados para eventos, permitindo uma melhor exploração e diversificação de usos.
Impedimentos legais para cancelar reajuste do IPTU
Sobre o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), o prefeito reconhece que não conseguiu cumprir a promessa de campanha de cancelar a última parcela do reajuste. “Não foi por falta de vontade. Tivemos impedimentos do Tribunal de Contas e do Ministério Público. Não podíamos abrir mão de receita naquele momento”, argumenta. “Eu votei contra o aumento do IPTU quando era vereador. Quando chegamos à Prefeitura, encontramos uma dívida de quase R$ 300 milhões, com contas abertas desde 2017 e 2018”, explica.
Segundo Finck, a Prefeitura está fazendo um levantamento detalhado para apresentar à Câmara de Vereadores. “Vamos contratar uma empresa para reavaliar o valor venal dos imóveis. Essa atualização pode trazer surpresas.” Ele destaca que imóveis atingidos pelas enchentes tiveram redução no imposto. “Casas dos bairros Santo Afonso e Canudos tiveram redução de até 30%. Quem se sentir lesado pode procurar a Prefeitura. A reavaliação pode ser feita a qualquer momento.”
“Braços direitos?”
A saída da ex-secretária Andrea Schneider Pascoal (atualmente no governo de Portão) gerou especulações políticas, mas o prefeito minimizou crises internas do governo. Diferentemente das declarações do início da gestão no ano passado, quando apontava a ex-secretaria e o vice Gerson Haas (PL) como seus “dois braços direitos”, Finck afirma agora que seu “único braço direito” é o vice-prefeito com quem mantém relação de confiança.
“Eu só tinha, e só tenho, um braço direito, que é o Gerson. O resto são todos do mesmo nível. Claro que a Secretaria de Governança, Gestão e Desburocratização ficou muito grande, inclusive agora na reforma (administrativa) a gente ajustou isso, não que deu muito poder a uma pessoa, mas ficaram muitas tarefas para um setor só. A gente redistribuiu, assim como a gente fez em outros departamentos”, pontua.
Relação com o vice
Finck destaca que sempre foi tranquila sua relação com o vice Gerson Haas (PL). “A mídia às vezes plantava algumas situações. Os partidos, talvez não conseguiram ter os espaços que achavam que teriam no governo e criavam umas animosidades externas. Mas entre mim e o Gerson sempre teve muito respeito. Conheço já o Gerson já há bastante tempo. Eu convidei ele para concorrer. Outras pessoas já tinham convidado e ele não aceitou. E nós construímos um plano de governo e um plano de trabalho coletivamente.”