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POLÍTICA

Professores lotam Câmara de Novo Hamburgo em votação que altera regras de aposentadoria

Sessão desta segunda-feira (3) foi marcada por protestos, clima tenso e críticas à aprovação da proposta; servidores decretam estado de greve

Publicado em: 03/11/2025 às 17h:11 Última atualização: 03/11/2025 às 19h:58
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A Câmara de Vereadores de Novo Hamburgo ficou pequena para o público que acompanhou, na tarde desta segunda-feira (3), a segunda votação do Projeto de Emenda à Lei Orgânica nº 2/2025, que altera as regras de aposentadoria dos servidores públicos do município. A sessão foi marcada por forte presença de professores e servidores municipais, que lotaram o plenário e os espaços externos do prédio.

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Professores lotam Câmara de Novo Hamburgo em votação que altera regras de aposentadoria

Foto: Joceline Silveira/GES-Especial

A proposta, encaminhada pelo governo do prefeito Gustavo Finck (PP), foi aprovada novamente por 10 votos a 4, repetindo o resultado da primeira votação, realizada em 29 de outubro. Votaram contra Cristiano Coller (PP), Enio Brizola (PT), Professora Luciana Martins (PT) e Felipe Kuhn Braun (PSDB).

Conforme o regimento interno da Casa, alterações na Lei Orgânica Municipal exigem o apoio mínimo de 10 dos 14 vereadores — quórum atingido nas duas votações, o que garantiu a aprovação definitiva do texto.

Plenário e praça lotados

A grande mobilização levou parte do público a acompanhar a sessão do plenarinho Pedro Thon e da Praça da Bandeira, em frente à Câmara. Com cartazes e palavras de ordem, como “auditoria já!”, servidores pediram investigação no Instituto de Previdência e Assistência dos Servidores Municipais (Ipasem).

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Durante a votação, o clima foi tenso. Um requerimento verbal apresentado pelo vereador Enio Brizola (PT), que solicitava cinco minutos de fala para os presidentes do Sindicato dos Professores Municipais (SindProfNH) e do Grêmio Sindicato dos Funcionários Municipais (GSFM), foi rejeitado por 7 votos a 6, o que gerou vaias e protestos no plenário.

“Historicamente, os sindicatos sempre se manifestaram nesta tribuna, e hoje é de lamentar que duas entidades classistas não possam se manifestar”, criticou Brizola.

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Críticas à aprovação

Durante sua fala, a vereadora Professora Luciana Martins (PT) foi aplaudida de pé ao criticar a proposta de alteração na previdência dos servidores.

“Já tivemos a aprovação de cinco projetos de lei complementares que tiram direitos dos servidores. O que estamos discutindo aqui é uma questão política, não técnica. Trata-se de uma proposta retroativa a 2023, e isso é lamentável”, afirmou.

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Ela completou: “Nós não saímos derrotados. Quem sai derrotada é a democracia e a população de Novo Hamburgo.”

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Professores lotam Câmara de Novo Hamburgo em votação que altera regras de aposentadoria

Foto: Joceline Silveira/GES-Especial

O presidente da Câmara, Cristiano Coller (PP), também votou contra o texto e justificou sua posição: “Meu voto foi baseado na coerência. Dois anos atrás, defendi a não aprovação do projeto e hoje tenho certeza de que fiz o certo. Os cargos passam, os governos se alternam, mas os princípios permanecem.”

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Presenças e ausências

A sessão contou com a presença do vice-prefeito e prefeito em exercício, Gerson Haas (PL), do procurador-geral do município, Vanir de Mattos, do diretor-geral da Comusa, Paulo Kopschina, e de secretários municipais. As ausências ficaram por conta do prefeito Gustavo Finck (PP), em viagem à Espanha, e do secretário de Educação, André Luís da Silva, que participaram da primeira votação no plenário.

Embora o governo mantenha maioria na Câmara, o projeto dividiu a base aliada. Na primeira votação, dois vereadores alinhados ao Executivo — Coller e Felipe Kuhn Braun (PSDB) — votaram contra a proposta, posição que repetiram nesta quarta-feira.

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Professores decretam estado de greve

A mobilização desta segunda-feira foi antecedida por assembleias do SindProfNH, no fim de semana, quando a categoria decidiu paralisar as atividades a partir do meio-dia para acompanhar a votação. Durante a assembleia, os professores aprovaram também o estado de greve, que seguirá nos próximos dias, com nova reunião para definir os próximos passos.

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A vice-presidente do sindicato, Ana Maria Sartori, lamentou a postura do Legislativo: “O que vimos na Câmara foi o descumprimento daquilo que está escrito na placa da frente: ‘Parlamento, lugar de debates, lugar de direitos’. Foi nesse lugar que os direitos da classe trabalhadora foram retirados nesta tarde. Hoje aprovam um projeto que afeta nossa previdência, mas essa é apenas uma batalha. Seguimos na luta e articulados na defesa de nossos direitos.”

Nota da Prefeitura

Em nota, a Secretaria Municipal de Educação (SMED) informou que os diretores das escolas foram orientados a organizar o atendimento aos alunos que comparecessem, de modo que não houvesse dispensa de turmas.

A pasta afirmou ainda que prestou apoio às unidades escolares que solicitaram suporte para garantir o funcionamento durante o dia e ressaltou que servidores que aderirem à paralisação estarão sujeitos a desconto proporcional, conforme prevê a legislação.

Entenda a proposta aprovada

Encaminhado pelo governo Finck, o Projeto de Emenda à Lei Orgânica (Pelom) nº 2/2025 adequa a legislação municipal à reforma da previdência nacional (Emenda Constitucional nº 103/2019). O texto altera os artigos 82 e 84 da Lei Orgânica Municipal, modificando regras de aposentadoria e pensão dos servidores.

Hoje, a Lei Orgânica define de forma detalhada os direitos previdenciários — como pagamento integral da pensão por morte, reajustes automáticos e manutenção do benefício em caso de novo casamento. O novo texto retira essas previsões da Lei Orgânica, transferindo a definição dos critérios e valores para Lei Complementar Municipal, que pode ser alterada com quórum menor.

Professores lotam Câmara de Novo Hamburgo em votação que altera regras de aposentadoria

As regras de aposentadoria também mudam. Atualmente, a legislação permite aposentadoria voluntária com 35 anos de serviço para homens e 30 para mulheres, com proventos integrais. O projeto substitui esse modelo por idade mínima de 65 anos para homens e 62 para mulheres, além de elevar a aposentadoria compulsória de 70 para 75 anos.

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