Chegou ao fim o romance dos poderosos bilionários Trump e Musk, que, sempre se soube, foi arquitetado com fins bem explícitos: money (dinheiro)!
O chamado “bromance” (como os americanos chamam um relacionamento muito próximo entre dois “brothers”) acabou da mesma maneira como acabam as relações de casais desgastados e desgostosos: aos xingamentos, ofensas e juras de vingança…
Após comandar o meio que extraoficial Departamento de Eficiência Governamental (o DOGE – Department of Government Efficiency, em inglês) por alguns meses, que demitiu milhares de pessoas, cortou benefícios sociais e autorizou outras tesouradas polêmicas em contratos do governo (que muito ajudaram os negócios de ambas partes, aliás), Elon Musk disse adeus ao cargo de conselheiro especial criado por ele e o até então amigo e presidente dos EUA Donald Trump.

Foto: Reprodução
E a novela não acabou com final feliz…
Trump até agradeceu Musk pelo trabalho na saída, no final de maio, mas logo começaram as farpas.
“Briguinha” nas redes sociais
O motivo principal por trás da saída seria o projeto tributário do governo Trump que afetaria diretamente os negócios de Musk (assim como já havia ocorrido com os tarifaços), principalmente a produção de carros elétricos. Musk disse o projeto é uma “abominação repugnante”. E aí a relação implodiu…
E, nestes tempos de redes sociais idiotizadas, nada melhor do que um ficar xingando o outro em “posts”.
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“Eu pedi para ele ir embora, tirei seu Mandato dos Carros Elétricos que forçava todo mundo a comprar carros elétricos que ninguém mais queria (e ele sabia há meses que eu faria isso!), e ele simplesmente ficou louco!”, escreveu Trump em sua rede social Truth Social.
“Sem mim, Trump teria perdido a eleição, os democratas controlariam a Câmara e os republicanos estariam em 51-49 no Senado. É muita ingratidão”, rebateu Musk em sua rede social X, lembrando que ajudou nos cortes de gastos (a bem da verdade, sequer chegou perto do que pensava – cortou cerca de 175 milhões de dólares de um projeto que falava em bilhões -, na realidade, até um trilhão de dólares).
Trump devolveu: “A maneira mais fácil de economizar bilhões e bilhões de dólares em nosso orçamento é encerrar os subsídios e contratos governamentais de Elon Musk. Sempre me surpreendi que Biden não tenha feito isso!”
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Os ataques entre os dois seguiram e até acusações de escândalos sexuais se sucederam, em meio a uma verdadeira troca de posts de xingamentos que mais parecem o rompimento entre dois “adolescentes”
Nesta sexta-feira (6), após uma quinta-feira (5) de troca de posts de ambos em suas redes sociais, Trump, em entrevista à jornalista Dana Bash, da CNN, chegou a dizer: “Nem penso em Elon. Ele tem um problema. O coitado tem um problema”.
Do amor ao ódio
Enfim, quando dois megalomaníacos bilionários sem limites, com discursos destemperados e atitudes excêntricas, não poderia se esperar menos do que uma relação conturbada.
Musk, até há alguns anos, era democrata, aliás. Mas motivações claramente financeiras o fizeram trocar de lado.
É difícil dizer se Trump teria perdido ou não a eleição sem o dono da Tesla, da SpaceX e X (eterno ex-Twitter) ao seu lado.
Mas é evidente que a figura de Musk endossou (com milhões de dólares em doações de campanha, até) a ideia de uma “América grande de novo”, apesar do sul-africano ser um americano “recente” – ele se naturalizou no início dos anos 2000 quando concretizou a Tesla e a SpaceX.
Trump e Musk são dois bilionários midiáticos. Cada ação deles é o movimento de um showman. Trump é muito mais tarimbado. Musk é muito mais bilionário.
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A questão agora é que Trump é o homem com a caneta na mão. E só a aprovação do seu pacote tributário já morderá em mais uma bilionária parte da bilionária fortuna de Musk, que, acreditem, já fala em criar um novo partido. Afinal, não compactua mais com os democratas, que o acusam de espalhar fake news, ser antivacina, racista e antissemita, entre outras coisas. Nem com os Republicanos, que o acusam de liberal, não gostam da sua arrogância e até já o acusam – apesar de ser naturalizado americano desde 2002 – de imigrante ilegal (sim, já tem gente do governo Trump que quer sua extradição, afinal, agora, nos EUA , a caça às bruxas é esporte nacional e ilimitado).
Enfim, o amor dos dois loucos – duas pessoas com mentes maquiavélicas e capazes de dominar facilmente neste mundo de cabeças fracas – acabou.
Como fica
A pergunta é como será a relação agora. E olha que são apenas alguns meses de governo Trump (tem mais 3 anos e pouco pela frente).
Musk já estaria até apoiando movimentos de impeachment do ex-parceiro.
Ardiloso, Trump terá que escolher o caminho. Pode detonar Musk e transformá-lo em um adversário poderoso nas mídias e bastidores da política ou pode apaziguar Musk com aquilo que mais lhe dá prazer: money!
Uma verdade que emerge nesta separação – além dos interesses financeiros – é que o pacote tributário de Trump denunciado por Musk como “nojento” (e olha que o sul-africano não é do tipo que defende “causas sociais”) é classificado pelo Escritório de Orçamento do Congresso (CBO), uma agência reconhecidamente apartidária nos EUA, como um projeto que fará os americanos mais ricos ficarem ainda mais ricos e que vai afetar diretamente o cidadão de baixa renda, que terá benefícios cortados em nome da “América grande novamente”, que, na realidade, quer dizer: Trump e seus amigos mais ricos ainda.
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Além disso, o CBO projeta uma aumento trilionário do déficit norte-americano nos próximos anos. Musk, inclusive, usa estes dados para denunciar que “esse projeto de gastos do Congresso, gigantesco, ultrajante e cheio de privilégios, é uma abominação repugnante (…). O Congresso está levando os EUA à falência”.
Já para Trump, se isso vai afetar ou não sua popularidade, tanto faz! Ele não pode concorrer à reeleição após este mandado (a Constituição americana limita a dois mandatos – duas eleições vencidas – o presidente dos EUA). Então, o importante é engordar as contas bancárias e negócios seus e de seus “parceiros”.
O problema é que há uma clara divisão no Congresso sobre os extravagantes planos da “América grande de novo”. Trump pode não estar pensando em reeleição, mas seus congressistas sempre estão atentos a isso.
Mundo caótico
O mundo está desconexo, egoísta, com ditos polarizados fazendo isso só pelo fato do ganho pessoal ou pelo poder de guiar pessoas que não conseguem pensar por si próprias.
Seja à direita ou à esquerda, o mundo está cada vez mais mal guiado, ou, vendo por outro ponto, se guiando para um caos onde uma política doente e nada humanitária, sempre pensada em nome de uma seita partidária ou de fins mesquinhamente econômicos, vai nos levar ao completo vazio.
Tão vazio quanto o “amor” de Trump e Musk.