O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, revelou que se reunirá com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na próxima semana para discutir as retaliações econômicas aplicadas ao Brasil.
O anúncio foi feito durante seu discurso na Assembleia Geral da ONU nesta terça-feira (23), após um breve encontro nos corredores da sede das Nações Unidas, em Nova York.
Trump relatou que o contato inicial com Lula ocorreu de maneira casual quando ambos se cruzaram no plenário.

Foto: UN/YouTube
“Eu estava entrando (no plenário da ONU), e o líder do Brasil estava saindo. Eu o vi, ele me viu, e nos abraçamos. Na verdade, concordamos que nos encontraríamos na semana que vem”, disse o presidente americano. Segundo informações do g1, o encontro não estava previamente agendado e surpreendeu as delegações de ambos os países.
O líder norte-americano afirmou ter tido uma “química excelente” com Lula, apesar da brevidade do encontro.
“Tenho um pequeno problema em dizer isso, porque devo dizer que não tivemos muito tempo para conversar, tipo uns 20 segundos. Nós conversamos, tivemos uma boa conversa e concordamos em nos encontrar na semana que vem, se isso for do seu interesse, mas ele parecia um homem muito legal”, declarou Trump.

Foto: Ricardo Stuckert/PR
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Durante seu pronunciamento, o presidente dos EUA mencionou as sanções impostas ao Brasil. “O Brasil agora enfrenta tarifas pesadas em resposta aos seus esforços sem precedentes para interferir nos direitos e liberdades dos nossos cidadãos americanos e de outros, com censura, repressão, armamento, corrupção judicial e perseguição de críticos políticos nos Estados Unidos”, afirmou.
A data exata e o local do encontro entre os dois presidentes não foram divulgados. A pauta principal será as relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos, com foco nas tarifas impostas pelo governo americano.
No mesmo pronunciamento na Assembleia Geral, Trump direcionou críticas à própria ONU, à Rússia e à China. O presidente americano afirmou que a organização “não só não resolve os problemas que deveria com muita frequência, como também cria novos problemas para nós resolvermos”.
Trump mencionou especificamente a questão migratória como exemplo de falha da ONU e declarou que a instituição “não está nem perto de todo seu potencial”. O discurso, que durou mais de 15 minutos, incluiu também críticas às tentativas russas de controlar o mercado de petróleo e gás natural.
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O presidente americano anunciou que se reunirá com líderes europeus durante a Assembleia para discutir o boicote proposto contra produtos energéticos russos. Em relação à China, Trump sugeriu, sem apresentar evidências, que o país teria sido responsável pela criação do coronavírus.
O único momento em que Trump recebeu aplausos da plateia foi quando pediu um cessar-fogo na Faixa de Gaza. Contudo, criticou países que reconheceram recentemente o Estado da Palestina, incluindo aliados como Reino Unido e França. “Tem gente reconhecendo o Estado Palestino, seria uma recompensa muito grande para o Hamas…. Apenas libertem os reféns”, disse.
Trump dedicou aproximadamente 15 minutos de seu discurso para questionar as mudanças climáticas, classificando as energias renováveis como “uma piada” e afirmando que as previsões sobre o aquecimento global “foram feitas por pessoas estúpidas”. Esta postura segue a linha negacionista que marcou seu primeiro mandato, quando retirou os EUA do Acordo do Clima.
Em tom de autopromoção, o presidente americano declarou: “Muita gente diz que eu deveria ganhar o Nobel da Paz”. Ele mencionou sua suposta contribuição para a paz mundial, afirmando ter encerrado sozinho sete guerras, citando conflitos entre Cambódia e Tailândia, Paquistão e Índia, e Israel e Irã, este último interrompido após um ataque dos EUA ao território iraniano.
Trump também destacou aspectos de sua administração, afirmando: “Graças à minha gestão, os EUA estão na era de ouro. Somos o país mais ‘sexy’ do mundo”. Ele ressaltou melhorias em índices econômicos e defendeu sua política anti-imigração como marcas de seu governo atual.