O Sindicato dos Bancários e Financiários de Novo Hamburgo e Região, em conjunto com o Sindicato dos Vigilantes, está empenhado em barrar o Projeto de Lei nº 40/2025, de autoria do Poder Executivo, que propõe a retirada da obrigatoriedade da instalação de portas giratórias com detector de metais em agências bancárias e postos de atendimento de instituições financeiras.
Para as entidades, a medida representa um grave retrocesso na segurança de trabalhadores, clientes e da própria estrutura bancária nas cidades.

Foto: Joceline Silveira/GES-Especial
A proposta estava prevista para ser votada no dia 23 de junho na Câmara de Vereadores de Novo Hamburgo, mas a apreciação foi adiada para o dia 9 de julho após um pedido de vista do vereador Enio Brizola (PT). Até lá, os sindicatos organizam articulações com os parlamentares para tentar barrar a aprovação da proposta.
Visitas aos gabinetes e reunião de líderes
Segundo o dirigente sindical e bancário Bruno Louzada, sete dos 14 vereadores já aceitaram receber representantes das entidades para ouvir os argumentos contrários à proposta. “Alguns optaram por nos atender apenas na reunião de líderes marcada para esta segunda-feira (7), às 13h15, na Câmara”, afirmou.
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Além dos bancários, o presidente do Sindicato dos Vigilantes, João Alfredo Ferreira, também participará da reunião. “Estamos atuando de forma conjunta desde o início. A retirada das portas giratórias afeta não só a segurança dos clientes, mas também compromete o ambiente de trabalho de vigilantes e bancários”, destacou Louzada.
Para as entidades, a proposta em discussão enfraquece o atendimento bancário, desestimula o comércio, reduz empregos e gera insegurança. A expectativa é que, até o dia da votação, mais vereadores se sensibilizem e votem contra o projeto.
Os sindicalistas argumentam que a retirada das portas giratórias compromete diretamente a segurança nas agências, deixando clientes e funcionários mais expostos a situações de risco, como assaltos, fraudes e agressões físicas ou verbais.
Entre os mais prejudicados estariam os idosos e pessoas com dificuldades cognitivas ou motoras, que precisam de apoio presencial.
“Esse projeto não considera a realidade de boa parte da população, que depende do atendimento físico. Uma boa parcela dos usuários, preferem ir pessoalmente ao banco e se sentem mais seguros com a presença dos vigilantes e dos sistemas de segurança”, relatou Everson Gross, também representante sindical.
A proposta também colide frontalmente com a Lei Estadual nº 16.239/2024, aprovada por unanimidade na Assembleia Legislativa, que torna obrigatória a presença de portas giratórias com detectores de metais em todas as instituições financeiras que movimentem numerário. Segundo os sindicatos, caso aprovada, a lei municipal criaria um conflito legal e abriria precedente para o desmonte da segurança bancária.
Efeitos na economia local e no centro da cidade
A crítica à medida vai além da segurança. Representantes alertam que a redução da estrutura física das agências e a eliminação do atendimento presencial tendem a esvaziar o centro da cidade, impactando negativamente o comércio local.
“A presença de clientes movimenta o comércio, gera empregos e fortalece a economia local. Já estamos vendo o fechamento de agências como as do Santander em Estância Velha, Campo Bom e do bairro Canudos. A população perde acesso e os bairros se tornam mais vulneráveis”, afirmou Louzada.
Além disso, bancários apontam que a diminuição da presença de vigilantes e funcionários nos postos de atendimento favorece golpes, como os de “saidinha de banco”, e desestimula o uso das agências por clientes que se sentem inseguros sem a presença de profissionais treinados.
Risco de desassistência
Outro ponto levantado pelos sindicatos é a digitalização forçada. Com menos agências físicas e menos funcionários, cresceria a dependência dos canais digitais — que nem sempre oferecem suporte adequado. “Muitos bancos digitais sequer possuem sedes físicas para atendimento ao público ou para registro de reclamações. Isso cria um vácuo de assistência”, argumentam os representantes.
Casos de orientação equivocada em autoatendimento, assédio e agressões em agências sem vigilância também foram relatados. “Não se trata de ser contra a tecnologia. Mas é preciso garantir um atendimento humanizado e seguro”, reforçou Gross.
Apelo ao Executivo
Segundo os dirigentes sindicais, foi encaminhado um pedido de reunião com o prefeito Gustavo Finck (PP), autor do projeto, mas ainda não houve resposta oficial. “Entendemos que a reversão dessa proposta depende muito do Executivo. Sabemos que alguns vereadores votam conforme a orientação do governo municipal”, explicou Louzada.
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