Os vereadores de Cachoeirinha, na região metropolitana, decidem nesta sexta-feira (2) o futuro político da cidade. Isso porque o prefeito Cristian Wasem (MDB) e o vice-prefeito, Delegado João Paulo (PP) enfrentam a votação do processo de impeachment no Legislativo.
A sessão extraordinária convocada pela vereadora Jussara Caçapava (Avante), recentemente reeleita para a presidência da Câmara, está marcada para começar às 10 horas. O município conta com 17 vereadores, destes, são necessários 12 votos para confirmar a cassação do prefeito e vice, reeleitos em 2024 com mais de 70% dos votos válidos.

Foto: Carol Cândido/Divulgação
Vale lembrar que Wasem assumiu a prefeitura enquanto presidente da Câmara de Vereadores em 2022, após a cassação de Miki Breier (PSB) e Maurício Medeiros (MDB). No entanto, Breier e Medeiros perderam o mandato por decisão do Tribunal Regional Eleitoral (TRE).
Wasem e João Paulo foram eleitos pela primeira vez em eleições suplementares, em outubro de 2022, sendo reeleitos em 2024.
Maioria ou minoria?
A maioria dos vereadores eleitos em 2024 começaram o 2º governo Cristian e João Paulo como membros da base aliada. No entanto, no decorrer de 2025, desgastes políticos entre o Executivo e Legislativo rompeu o ciclo de confiança entre o prefeito e os parlamentares.
Se no início apenas três vereadores faziam parte da oposição: Gustavo Almansa (PT), Léo da Costa (PT) e Mano do Parque (PL), a ala contrária ao governo passou a ganhar novos membros, especialmente a partir do rompimento da presidente do Legislativo (Jussara Caçapava) com a base.
Cristian enfrente dois processos de impeachment simultâneos na Câmara, enquanto João Paulo é alvo apenas do que será votado nesta sexta-feira.
Os pedidos de impeachment foram protocolado suplente de vereador Valdemir de Almeida, o Xereta (PL), com apoio do advogado Hendrix Gavião dos Santos.
O que diz o relatório da Comissão Processante?
A Comissão Processante (CP) analisou denúncias de contratações sem licitação, com favorecimento de aliados políticos. Os fatos teriam ocorrido no momento em que João Paulo ocupava o cargo de prefeito.
Conforme a denúncia, o vice teria suspendido uma licitação e autorizado contratos emergenciais de limpeza e conservação de Unidades Básicas de Saúde e da Secretaria Municipal de Saúde. O valor do contrato teria sido maior que o do certame inicial.
A CP apontou que a empresa contratada não tinha sede física, além de não ter apresentado atestados de experiência prévia, idoneidade e capacidade técnica. Os parlamentares também afirmaram que a prefeitura deixou de fazer contribuições ao Instituto de Previdência dos Servidores (Iprec), utilizando parcelamentos de forma inadequada, caracterizando pedaladas fiscais.
Em caso de cassação, a presidente da Câmara de Vereadores assume a prefeitura de forma interina até que eleições suplementares sejam realizadas. O prazo é de seis meses.
Por ser favorecida por uma possível saída de Wasem e João Paulo, Jussara não poderá votar. Esposa do vice-prefeito, a vereadora Claudine Silveira (PP) também está impedida de votar no processo de impeachment, por isso o suplente do partido será chamado.
Prefeito e vice alegam perseguição
Chamado para depôr durante o processo de impeachment, Wasem diz ser alvo de uma “tentativa de golpe político” por parte dos vereadores. “Fechamos a porta da corrupção”, afirmou o prefeito.
Já o delegado João Paulo afirma que eles estão na mira do “crime organizado”, que desde 2020 tenta entrar na política local.
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