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Mercado de combustíveis

Alta do petróleo mobiliza governo e acende alerta em postos de combustíveis na região

Medida anunciada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva de zerar impostos ocorre em meio à disparada do petróleo no mercado internacional e tenta evitar impacto maior nos preços dos combustíveis

Dário Gonçalves
Publicado em: 12/03/2026 às 17h:05 Última atualização: 12/03/2026 às 17h:06
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A disparada do preço do petróleo no mercado internacional, impulsionada pela escalada do conflito no Oriente Médio, levou o governo federal a adotar medidas emergenciais para conter o impacto sobre os combustíveis no Brasil. Nesta quinta-feira (12), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou a redução a zero das alíquotas de PIS e Cofins sobre o diesel e a criação de um subsídio ao combustível.

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Presidente Lula assinou decreto que zera impostos federais sobre óleo diesel | abc+



Presidente Lula assinou decreto que zera impostos federais sobre óleo diesel

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

As medidas foram divulgadas pelo governo federal com o objetivo de evitar que a alta recente do petróleo se reflita diretamente no preço do diesel pago por transportadores e consumidores. Segundo o Ministério da Fazenda, a combinação da desoneração dos impostos federais com a subvenção ao setor pode representar uma redução potencial de até R$ 0,64 por litro no combustível (R$ 0,32 de imposto + R$ 0,32 de subvenção).

“Estamos dizendo em alto e bom som, que estamos fazendo um sacrifício enorme para evitar que os efeitos da irresponsabilidade da guerra chegue ao povo brasileiro”, disse Lula em pronunciamento nesta quinta. “Faremos tudo o que for possível e, quem sabe, com a boa vontade dos governadores, possam reduzir um pouco o ICMS no preço do combustível para que a gente garanta que essa guerra não chegue ao bolso do motorista, do caminhoneiro e, sobretudo, não chegando ao bolso do caminhoneiro não vai chegar ao prato de feijão, à salada de alface, da cebola e a comida que o povo mais come”, acrescentou citando os impostos que cabem aos Estados reduzirem.

Nos últimos dias, a cotação internacional do petróleo registrou forte volatilidade em meio ao agravamento do conflito no Oriente Médio. O barril do tipo Brent, referência global para o mercado — que antes custava US$ 65 —, chegou a US$ 93,02, com alta de cerca de 6% em um único dia, após ataques a cargueiros no Estreito de Ormuz, segundo informações divulgadas pela Agência Brasil. Autoridades do Irã chegaram a alertar que o preço do petróleo pode atingir US$ 200 por barril caso o conflito se intensifique.

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Reação internacional

Diante da escalada da crise e do risco de interrupções no fornecimento global, países consumidores decidiram adotar uma medida emergencial. Os 32 países que integram a Agência Internacional de Energia decidiram liberar cerca de 400 milhões de barris de petróleo das reservas estratégicas, em uma tentativa de conter a alta dos preços e estabilizar o mercado internacional.

A medida é considerada uma das maiores ações coordenadas já realizadas para amenizar impactos de crises no setor energético.

Abastecimento de gasolina e diesel em postos de combustíveis de Novo Hamburgo | abc+



Abastecimento de gasolina e diesel em postos de combustíveis de Novo Hamburgo

Foto: Dário Gonçalves/GES-Especial

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Expectativa no mercado

O cenário global tem sido acompanhado de perto pelo setor de combustíveis no Brasil, já que variações no preço do petróleo costumam influenciar a formação de preços de combustíveis no país.

Apesar da alta do petróleo no mercado internacional, a Petrobras ainda não anunciou reajuste nos preços dos combustíveis nas refinarias. Diante da pressão sobre o diesel, o governo federal anunciou a redução a zero de impostos e a criação de um subsídio para tentar conter eventuais aumentos.

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Ou seja: a medida tenta compensar a pressão internacional do petróleo, para evitar que ela chegue integralmente ao consumidor, e será condicionada — aos produtores e importadores — a uma comprovação de que o valor foi transferido para os consumidores finais. Lula acrescentou que um imposto deve ser cobrado sobre a exportação de petróleo para financiar a subvenção ao diesel.

No Rio Grande do Sul, o Sulpetro divulgou a nova pauta fiscal de combustíveis válida para a segunda quinzena de março. O documento é utilizado como referência para o cálculo do ICMS e também serve de base para custos no setor. Como a tabela é restrita aos associados da entidade, os valores não são divulgados publicamente. A reportagem procurou o sindicato para comentar eventuais impactos da nova pauta nos preços, mas não recebeu retorno até o fechamento desta edição.

Apuração na região

Em Novo Hamburgo, a movimentação em postos de combustíveis aumentou nos últimos dias diante das incertezas sobre o abastecimento e os preços. Daniel Becker, gerente de um posto no bairro Canudos, conta que os pedidos por combustíveis são feitos diariamente, com o produto chegando durante a madrugada. No entanto, os pedidos realizados na quarta-feira (11) ainda estariam em análise e não foram liberados pelas refinarias.

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“Vai faltar! Eu tenho medido o nível dos tanques a cada três horas. Com o que tenho aqui de gasolina comum, terei no máximo até amanhã de manhã. Em relação ao diesel, tenho cerca de 200 litros, então esta tarde mesmo já vai acabar”, afirma.

Segundo Becker, o movimento de motoristas aumentou nas últimas horas, embora ainda não tenham se formado filas nos postos. “Todo mundo está completando, com medo de que vá faltar.”

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Entre os clientes, uma mulher de 66 anos — que preferiu não se identificar — resolveu fazer exatamente isso. “Eu busco minha neta todos os dias, então não posso ficar sem. Nunca fiz isso, de garantir estoque, mas estou me precavendo para não ficar na mão”, contou, enquanto pedia para encher três galões de cinco litros cada.

Em ronda por postos da cidade na tarde desta quinta-feira (12), a reportagem encontrou os mesmos preços registrados no dia anterior. O litro da gasolina comum chega a R$ 6,59 em alguns estabelecimentos, enquanto outros mantêm o valor em R$ 6,39. “Estamos com uma promoção em que, se a pessoa abastecer mais de 20 litros, cada litro sai por R$ 6,19”, detalha Becker.

No outro lado da cidade, o discurso é um pouco diferente. Lucas Simões, gerente de um posto no bairro Liberdade, afirma que até o momento não há indicativos de falta de combustível, mas diz que os pedidos estão sendo feitos no limite do estoque. “Acabou, a gente pede de novo. Acabou, pediu. Tem sido assim, nada de estoque”, relata.

Mesmo assim, Simões acredita que os preços devem subir nos próximos dias. “O preço sobe no posto porque sobe na refinaria. Nós pagamos com aumento. Se as pessoas soubessem quanto nós ganhamos por litro, não colocariam a culpa nos postos.”



Entre os consumidores, André Cunha Oliveira, 42 anos, decidiu completar o tanque antes de uma possível nova alta. “Eu já tinha abastecido semana passada e paguei R$ 6,19. Geralmente encho o tanque a cada duas ou três semanas. Mas nessa semana já vi o preço subir duas vezes e estão dizendo que vai subir mais e que vai faltar, então vim abastecer de novo antes que piore. É um absurdo.”

Simões também comenta sobre o valor do diesel. “Aqui nós ainda mantemos abaixo dos R$ 7, mas já tem lugar a quase R$ 8. Tenho familiares em Lajeado que disseram ter visto o combustível por R$ 9,99”, finaliza.

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