A primeira Escola Cívico-Cidadã da rede municipal de Campo Bom foi oficialmente lançada nesta quarta-feira (18), marcando o início de um projeto que promete mudar a dinâmica do ensino no município. Implantado na EMEF CEI (Centro de Educação Integrada), o modelo atenderá mais de 500 alunos em turno integral e contará com cerca de 40 novos profissionais contratados para viabilizar a proposta.
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Foto: Isaías Rheinheimer/GES-Especial
Embora o governo municipal rejeite a classificação de escola cívico-militar, a Secretaria de Educação admite que buscou referências em instituições desse modelo em cidades como Porto Alegre, Canoas e Taquara para estruturar a proposta local, com a diferença de que não haverá a presença de militares dentro da escola.
Entre as mudanças práticas estão regras mais rígidas de pontualidade, uso obrigatório de uniforme todos os dias e a realização de formatura cívica no início e no fim das aulas, momento em que os alunos irão ser perfilados no pátio da instituição para cantarem os hinos nacional e do município.
Outra novidade, que carrega traços do militarismo, é a formalidade em que os alunos escolhidos como líderes de turma deverão apresentar a classe ao professor antes do início das aulas. Além disso, a escola também terá um coordenador cívico, função inédita na rede municipal, responsável por acompanhar a aplicação das normas e o cumprimento do novo regramento.
Feltes dá o tom do novo modelo de escola
Durante a solenidade, o prefeito Giovani Feltes adotou um tom enérgico ao defender o modelo. Segundo ele, o município quer resgatar o protagonismo na educação e elevar o nível de aprendizado dos alunos. Feltes afirmou que o novo formato exigirá mais disciplina e também mais desempenho pedagógico.

Foto: Isaías Rheinheimer/GES-Especial
Em recado direto aos pais, mas que também reflete o que será cobrado dos alunos, o prefeito declarou que não será tolerado desrespeito contra professores ou servidores da escola.
“Jamais se sintam no direito, pai ou mãe que gosta de fazer barraco, de virem aqui sem saber exatamente o que aconteceu e apontarem (o dedo) desrespeitosamente aos profissionais que estão dando o melhor de si. Aqui não é uma escola que pode tudo”, avisa.
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Para o prefeito, a mudança pode gerar desconforto inicial, mas será fundamental para construir uma nova cultura educacional no município. “Ou construímos uma escola diferente para as futuras gerações ou, então, deixamos a coisa desandar sem nos preocupar em relação à realidade e os benefícios que nossos filhos vão poder realizar nesta escola”, coloca.
Secretária avisa: projeto-piloto pode ter ajustes durante o ano
A secretária de Educação, Mara Daubermann, classificou o lançamento da escola cívico-cidadã como a “menina dos olhos” da administração, mas destacou que o modelo será constantemente avaliado.
Segundo ela, por se tratar de um projeto-piloto, o modelo poderá sofrer adaptações ao longo do ano, conforme os aprendizados e desafios identificados na prática.
“Os desafios serão imensos. Colocamos nossa proposta no papel, que aceita tudo, mas ao longo do caminho, com certeza, teremos que reavaliar algumas coisas e redirecionar o trabalho”, projeta. A intenção é analisar os resultados antes de uma eventual ampliação para outras escolas da rede.

Foto: Isaías Rheinheimer/GES-Especial
Para a professora de português, Cláudia Raquel Basílio da Silva, o ano será de aprendizado coletivo. “É muita expectativa. Todos nós estamos pela primeira vez nesse modelo, mas acredito que vamos fazer dar muito certo. A principal meta é melhorar o aprendizado dos alunos”, afirma.
Entre os estudantes, o sentimento também é de otimismo. O aluno Asafe de Mello acredita que a mudança trará mais projetos e atividades. “Acho que vai dar uma grande mudança. Vai ter mais atividades para desenvolver a gente e melhorar nossa disciplina”, disse.

Foto: Isaías Rheinheimer/GES-Especial