No centro de Estância Velha, no Pavilhão de Atividades Culturais, também conhecido como PAC, existia um muro branco que, agora, ganhou vida. Uma existência que representa as cores e identidade do município, como o Kerb, a tradição gaúcha, o carnaval e a agricultura, que por vezes aparece na Rural Fest – festa voltada a atividades agrícolas.
O artista visual Fernando Cardoso, o Feu, acredita que a arte precisa estar onde as pessoas estão. Foi com essa proposta que ele levou para um pavilhão de Estância Velha um mural inspirado em diferentes manifestações culturais da cidade.
“Eu gosto de fazer uma coisa que seja uma linguagem acessível, para que qualquer pessoa que passe olhe e pense: ‘Nossa, que legal’. Quero aproximar a arte das pessoas”, afirma o artista, de 30 anos.
No mural instalado no parque, cada elemento foi pensado para representar parte da identidade cultural de Estância Velha. Máscaras e pandeiro remetem ao carnaval. A cuia faz referência ao chimarrão e à tradição gaúcha. Já uma caneca de chopp simboliza o kerb.
A composição ainda traz uma menina com flores e livros, em alusão à Feira do Livro, além de um gaúcho a cavalo e um trator, representando a Ruralfest. Segundo o artista, o maior desafio foi justamente selecionar quais símbolos fariam parte da obra.
“Foi a parte mais difícil, escolher o que iria entrar e o que teria que ficar de fora”, relata.
Feu resume o próprio processo criativo com uma frase que considera parte da essência do trabalho artístico: “Uma obra de arte só termina quando o artista desiste.”
Sobre o artista
Formado em Arquitetura pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), Feu conta que a ligação com a arte começou ainda na infância. Segundo ele, a mãe costuma lembrar que, quando criança, desenhava até no box do banheiro, usando a espuma durante o banho. “Até hoje, qualquer lugar em que estou, estou desenhando, nem que seja no ar”, brinca.
Apesar da formação acadêmica, diz que a arquitetura nunca foi sua principal paixão. “Eu nasci com essa coisa da arte visual. Foi algo de que eu não tive muito como fugir”, comenta.
A transição do desenho feito em casa para os murais urbanos veio do desejo de democratizar o acesso à arte. Para Feu, muitas obras acabam restritas a galerias e museus frequentados por poucas pessoas. “Tem obras que, muitas vezes, você precisa estudar para entender. Eu gosto de trabalhar uma linguagem mais direta”, explica.