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SEQUÊNCIA DE ACIDENTES

BR-448: Sequência de acidentes com mortes faz PRF pedir instalação de 46 radares na rodovia do Parque e outras três estradas federais gaúchas

Se pedido da PRF for atendido, BRs 448, 386, 290 e 101 passarão a ter mais de 70 equipamentos monitorando a velocidade dos veículos

Isaías Rheinheimer
Publicado em: 16/01/2026 às 07h:00 Última atualização: 15/01/2026 às 20h:20
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A Polícia Rodoviária Federal (PRF) encaminhou à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) um pedido para ampliar de forma significativa o monitoramento eletrônico de velocidade em quatro rodovias federais do Rio Grande do Sul que são administradas pela CCR ViaSul. A solicitação prevê a instalação de 46 novos dispositivos de fiscalização, entre redutores e controladores de velocidade, distribuídos em 26 novos pontos das BRs 448 (Rodovia do Parque), 290 (Freeway), 386 e 101.

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BR-448 que já conta com radares em dois pontos passará a ter quatro trechos caso a proposta da PRF seja aceita pela a ANTT | abc+



BR-448 que já conta com radares em dois pontos passará a ter quatro trechos caso a proposta da PRF seja aceita pela a ANTT

Foto: Isaías Rheinheimer/GES-Especial

Atualmente, segundo a própria concessionária, já existem 25 equipamentos em funcionamento, instalados em 20 pontos diferentes dessas rodovias. Caso o pedido da PRF seja integralmente aprovado, o número total de dispositivos poderá chegar a 71 equipamentos em operação.

O pedido foi formalizado dentro do processo de revisão quinquenal do contrato de concessão da CCR ViaSul e tem como principal justificativa o histórico de acidentes graves registrados em determinados trechos. De acordo com a PRF, os pontos indicados concentram ocorrências frequentes de colisões, tombamentos e mortes no trânsito, o que reforça a necessidade de medidas permanentes de controle de velocidade.

Pedido de radares na BR-448 ocorrerem após acidentes com três mortes

Um dos exemplos citados pela PRF é a BR-448, especialmente no trecho de Canoas, na altura do quilômetro 13 em uma reta logo após uma curva próximo ao acesso a prainha do Paquetá, e também na saída da rodovia em Porto Alegre, no entorno da Arena do Grêmio, nas alças da ponte estaiada.

PRF solicita radares na ponte estaiada da BR-448, no entorno da Arena do Grêmio, em ambos sentidos após sequência de acidentes com mortes registrados no local | abc+



PRF solicita radares na ponte estaiada da BR-448, no entorno da Arena do Grêmio, em ambos sentidos após sequência de acidentes com mortes registrados no local

Foto: Isaías Rheinheimer/GES-Especial

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No final de 2025, esse ponto entre os quilômetros 21 e 22 foi palco de uma sequência de acidentes graves. Entre eles, o tombamento de um caminhão carregado com serragem, que caiu sobre um automóvel quando subia uma das alças da 448, no dia 15 de outubro. O caso teve repercussão nacional, pois uma moradora de Canoas ficou horas presa dentro do veículo soterrado, mas sofreu apenas escoriações. Cerca de dois meses depois, no dia 2 de dezembro, outro caminhão tombou sobre a ponte estaiada, só que desta vez na descida para a Avenida Castelo Branco. O caminhão estava carregado com uma carga de ração e, com o tombamento, o veículo pegou fogo e causou a morte do motorista.

No mesmo período, dois acidentes envolvendo motos também resultaram na morte dos pilotos. Em ambas ocorrências, uma registrada na tarde do dia 25 de outubro do ano passado e outra na madrugada do dia 1º de janeiro deste ano, os motociclistas despencaram do viaduto.

Essas ocorrências, segundo a PRF, fizeram acender o sinal de alerta para os problemas relacionados ao excesso de velocidade nessa ponta da Rodovia do Parque e reforçam a urgência de ações para reduzir a velocidade média dos veículos no trecho. “A medida tem como objetivo coibir o excesso de velocidade e contribuir para a redução de acidentes, reforçando a segurança viária no estado”, pontua Laudson Viegas, da assessoria de comunicação da PRF-RS, nesta quinta-feira (15). 

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Outro ponto destacado no pedido é a BR-290 (Freeway), na chegada a Porto Alegre. A PRF solicita a instalação de equipamentos em sentidos opostos àqueles onde já existem controladores em funcionamento. No quilômetro 91, por exemplo, há hoje fiscalização eletrônica em apenas um dos sentidos, e o mesmo ocorre no quilômetro 92,5, onde a corporação defende a necessidade de monitoramento também na pista contrária.

Motoristas divergem sobre instalação de novos radares

Usuários frequentes das rodovias têm opiniões divergentes sobre a ampliação da fiscalização eletrônica. O profissional de TI Eduardo Vidal, 34 anos, que utiliza diariamente a BR-448 e eventualmente a BR-290 no deslocamento entre o Vale do Sinos e Porto Alegre, avalia que os radares fixos não são a solução mais eficiente.

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Segundo ele, com o tempo, os equipamentos acabam se tornando previsíveis. “Quem transita por essas rodovias, no meu caso a 448, raramente vê uma viatura da PRF realizando alguma ação de fiscalização. O motorista aprende onde estão os radares e reduz a velocidade só naquele ponto”, afirma.

Vidal defende uma presença mais constante da PRF ao longo dos trechos. “Acredito mais em ações frequentes, com radares móveis, abordagens de rotina e viaturas posicionadas em diferentes pontos ao longo do dia. Isso faz o motorista respeitar o limite de velocidade em toda a rodovia, não só onde tem equipamento”, completa.

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Já a advogada Márcia Trindade Betes, 47, concorda com a instalação de mais equipamentos, especialmente diante do número de acidentes com mortes. Para ela, os radares são importantes, mas precisam vir acompanhados de outras medidas. “A fiscalização eletrônica ajuda, mas sozinha não resolve tudo. Campanhas educativas e formas mais diretas de sensibilizar o motorista também são fundamentais”, avalia.

Márcia sugere a instalação de placas com mensagens mais apelativas ao longo das rodovias ou ao menos nos trechos mais críticos, como forma de reforçar a percepção de risco e incentivar a redução da velocidade.

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Pedido fora do prazo será analisado em caráter extraordinário pela ANTT

A Agência Nacional de Transportes Terrestres esclareceu que a demanda apresentada pela PRF foi registrada no sistema Participantt, dentro da revisão quinquenal do contrato. No entanto, como o pedido foi protocolado na fase final do processo, não houve tempo hábil para análise completa e incorporação à revisão em curso.



Diante disso, a ANTT informou que a solicitação será redirecionada para um novo processo administrativo, com possibilidade de análise por meio de revisão extraordinária, conforme os ritos regulatórios previstos nos contratos de concessão e na regulamentação vigente.

A Agência explicou que esse tipo de análise envolve etapas como avaliação técnica da proposta, solicitação de estudos complementares, análise de orçamento, impactos contratuais e tarifários, além da participação de diferentes áreas da ANTT e da concessionária. Não há prazo definido para a conclusão do processo, mas, por se tratar de segurança viária, a demanda deve ter prioridade.

O que diz a CCR ViaSul

Em nota, a CCR ViaSul informou que mantém comunicação e alinhamento contínuos com a PRF para tratar de temas operacionais e de segurança viária. A concessionária explicou que os 25 equipamentos atualmente instalados foram implantados conforme previsto em contrato e a partir de indicações técnicas da PRF.

A empresa ressalta que cabe à PRF indicar os pontos de fiscalização e realizar a autuação, enquanto à concessionária compete a implantação da infraestrutura necessária, como energização, passagem de cabos e instalação das estruturas. Segundo a ViaSul, novos pedidos dependem de estudos técnicos, análise de viabilidade e da anuência da ANTT.

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