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Igrejinha

Casa que foi marco da colonização alemã no Paranhana tem primeira etapa de restauro finalizada

Construída em 1862 pelo colonizador da região, Tristão José Monteiro, a Steinhaus foi a primeira edificação em alvenaria

Publicado em: 27/11/2025 às 14h:17 Última atualização: 01/12/2025 às 12h:37
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Um lugar em que histórias se misturam e paredes que testemunharam o passado de uma região ainda resistem ao tempo. A entrega da etapa 1 do restauro da Casa de Pedra (a Steinhaus), em Igrejinha, foi feita para a comunidade nesta quarta-feira (26) e compreendeu a reforma do telhado da casa, justamente com o intuito de não deixar a estrutura ruir com o passar do tempo, já que havia um comprometimento muito grande da edificação, fundações, do próprio telhado e barrotes que sustentavam o piso. 

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Etapa 1 do restauro da Steinhaus foi entregue em cerimônia nesta quarta-feira (26/11) | abc+



Etapa 1 do restauro da Steinhaus foi entregue em cerimônia nesta quarta-feira (26/11)

Foto: Jauri Belmonte/Especial

A sequência do restauro da Steinhaus vai compreender a reforma do assoalho e estrutura de madeira, além das paredes de alvenaria. Para a museóloga Daniela Schmitt, responsável pelo projeto de restauro da Steinhaus por meio da empresa Movimento Curadoria e Projetos Culturais, é uma satisfação ver essa primeira etapa finalizada. “Tivemos dificuldades para conseguir recursos para dar sequência na primeira etapa da obra. Perdíamos o sono, sempre com medo do telhado ou oitão da casa ruir. E quando conseguimos concluir essa parte foi uma alegria, mostra que salvamos a casa. A próxima etapa é desafiadora, mas nos tranquiliza porque sabemos que a estrutura está estabilizada”, pontua. 

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Na entrega da primeira etapa da reforma, também foi apresentado ao público o documentário “Steinhaus: entre memórias, restauro e ofícios”. A produção emocionou o público e contou a história de moradores e como o corpo técnico, à frente da reforma, tem trabalhado, além dos obstáculos encontrados. A Casa de Pedra, por ficar próxima ao Rio Paranhana, tem sofrido com as enchentes da região, especialmente com a de maio de 2024. “Isso comprometeu muito os barrotes que sustentam o assoalho, o que nos motivou a projetar o restauro sem podermos manter o original”, frisa Daniela. 



Conexão passado e futuro

Construída em 1862 pelo colonizador da região do Vale do Paranhana, Tristão José Monteiro, foi a primeira edificação em alvenaria da região e traduz muito o sentimento de pertencimento dos moradores do Vale do Paranhana. Ao longo desses 163 anos, a Casa de Pedra serviu inicialmente como residência da família Monteiro e, também, como armazém para os imigrantes alemães que chegaram à região, na época conhecida como Santa Maria do Mundo Novo, por meio das águas do rio.

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A Steinhaus também teve um papel importante no desenvolvimento da economia local, já que era por ali que saíam boa parte das produções que necessitavam do escoamento por via fluvial entre o Paranhana e Porto Alegre. Com o tempo, a casa acumulou papeis importantes e também foi salão de festas e serviu como quartel-general para os Farrapos durante a Revolução Farroupilha e, posteriormente, como quartel para os Maragatos durante a Revolução Federalista. No ano de 2010, foi tombada como patrimônio histórico e cultural do Rio Grande do Sul.

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Restauro mostra identidade

Para o prefeito de Igrejinha, Leandro Hörlle, o restauro da Steinhaus mostra que a cidade e sua comunidade se preocupam com a preservação da identidade do município por meio dos seus patrimônios. “Hoje vivemos um dia importante para a história do Vale do Paranhana e do Rio Grande do Sul. Todas as cidades têm os seus ícones que representam a sua história e seu patrimônio, e nós estamos preservando o nosso”, garante.

Ao encontro da fala de Hörlle, a Casa de Pedra tem uma simbologia muito grande, porque é um dos monumentos mais importantes da colonização alemã no Estado e no Brasil, já que foi o ponto de chegada dos primeiros imigrantes. “Essa casa, assim como outras estruturas, estavam sob risco. Hoje, com a entrega da etapa 1, mantemos ela e não corra o risco de não ser recuperada. Mostra a conexão do nosso passado com o futuro e buscamos manter isso.”

“Tomem conhecimento a respeito dessa casa. Tristão Monteiro foi o primeiro homem multinacional da nossa região, assim podemos dizer, em uma época muito difícil. E essa casa testemunhou o passado para que pudéssemos chegar até aqui. Nossos antepassados, os imigrantes, tiveram persistência, perseverança e isso se reflete muito na nossa região, pessoas que trabalham e buscam o desenvolvimento constante”, disse Juliano Müller de Oliveira, que é vice-prefeito e Secretário de Turismo e Cultura de Igrejinha. 

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Apoiadores

Para conseguir concluir a primeira etapa, a equipe técnica juntou cerca de R$ 500 mil, além de custos não contabilizados como serviços e equipamentos. Esse valor veio de várias partes, como poder público Executivo (Secretaria de Turismo e Cultura) e Legislativo (Câmara de Vereadores), além do auxílio da Sicredi Caminho das Águas, Lei Aldir Blanc e empresas parceiras (patrocínio direto).

“É importante quando auxiliamos projetos como esses. É o caminho para identidade, e quando geramos isso, incentivamos pertencimento e autoestima em uma região. A comunidade abraçou a nossa campanha também”, disse Álvaro Link, presidente da Cooperativa Sicredi Caminho das Águas RS. 

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A Sicredi Caminho das Águas incentivou a arrecadação de fundos por meio do projeto “Doe que a Sicredi Dobra – Steinhaus”. A cada valor doado para uma conta de pix, o Sicredi dobrava o valor. Mais de R$ 90 mil foram arrecadados.

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