A falta de pessoal da área da limpeza em instituições estaduais vem impactando na rotina de professores, orientadores e diretores, que precisaram assumir tarefas fora do escopo educacional nas últimas semanas, como varrer o pátio, quadra e salas de aula, lavar banheiros, recolher os lixos e manter o ambiente limpo para os estudantes. [Veja vídeo ao final desta reportagem.]

Foto: Paola Altneter/GES-Especial
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Essa vem sendo a realidade de escolas da região, pois após o término dos contratos com funcionários terceirizados, o quadro não foi reposto pela Secretaria Estadual da Educação (Seduc), de acordo com diretores escolares.
Este é o cenário da Escola Estadual de Ensino Fundamental (EEEF) Leopoldo Petry, do bairro Canudos, em Novo Hamburgo, que há cerca de 45 dias está sem colaboradores da limpeza.
Segundo a diretora Carla Menezes, cada professor ficou responsável pela sua sala de aula, as merendeiras estão levando os lixos e os profissionais da secretaria se revezam em outras atividades.
“Isso impacta porque além do trabalho burocrático, nós temos que deslocar alguém para auxiliar nas limpeza das salas de aula, banheiro e pátio, para que as crianças não tenham um ambiente insalubre”, afirma.
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Para conseguir dar aula de Educação Física, o professor Antônio Lopes tem a função diária de varrer a quadra. “A aula tem 50 minutos e a gente perde uns 10 minutos fazendo toda organização para que os alunos possam entrar na quadra sem escorregar numa poça d’água ou sujeira, isso é bem complicado”, conta.
O pai de aluna, Sirineu Schmidt, de 52 anos, expressa descontentamento com a situação. “Como que vão deixar faltar um serviço de tanta necessidade em uma escola? O Estado está pecando nisso e a escola fica defasada”, desabafa.
A cuidadora e vó de aluna, Simone Cavaleiro, 53, reforça a necessidade de novos profissionais. “Prejudica elas [professoras e diretoras], que fazem muito pelo colégio, e as crianças”, aponta.
A diretora relata que a Seduc comunicou que dois profissionais chegariam no dia 30 de maio, mas até o momento, o quadro não foi ampliado.
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No Instituto Estadual Seno Frederico Ludwig, do mesmo bairro em Novo Hamburgo, costumava ter quatro profissionais de limpeza. Porém, há quase 60 dias, uma colaboradora está sozinha para atender a instituição com mais de 1100 estudantes nos três turnos de aula.
Para minimizar a situação, o diretor José Silon Ferreira conta com a ajuda de um voluntário. “Nos finais de semana, quando a limpeza mais bruta precisa acontecer, a gente vem para a escola e acaba fazendo, principalmente nos banheiros, que são em torno de oito”, menciona.
O déficit no quadro impacta no desenvolvimento das tarefas com os alunos. “Nós combinamos com os professores que a cada turno eles param 10 minutos antes e varrem todas as salas e recolhem o lixo. Além disso, na semana passada a gente parou um período todo para limpar as mesas. Isso causa um impacto bem complicado na escola, porque é um lugar que tem que estar limpo e higienizado”, diz.
Além das demandas de limpeza, os colaboradores auxiliam em outras frentes. “A gente sempre tem um aporte desses funcionários da limpeza com o cuidado e disciplina na hora do recreio. Eles são um dos nossos olhos”, complementa.
A funcionária do Instituto Estadual Seno Frederico Ludwig, Edorilda Arteche, 55, conta que devido ao tamanho da escola, está difícil manter os cuidados.
“Não tem como uma pessoa só. É sala de professor, banheiros, tem que dar prioridade para o das crianças e é o dia todo. Não tem como eu olhar para todos os lados, faço o prioritário”, comenta.
Ainda no município, o Colégio Estadual Senador Alberto Pasqualini, no bairro São José, também está com quadro reduzido de profissionais da limpeza.
“Impacta pois todos temos que trabalhar na limpeza, nos unimos em prol da escola. Equipe diretiva e alguns professores limpam os espaços que usamos, temos dois de limpeza contratados pelo Estado que ficam com os banheiros, áreas externas e recolhimento do lixo e alunos varrem as salas após as aulas”, explica a diretora Marília Würch de Paula.
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Região
No mês passado, escolas da região foram tema de reportagem pelo mesmo motivo. Passados cerca de 30 dias, a situação ainda não foi solucionada. Na Escola Estadual Guilherme Exner, de Presidente Lucena, havia falta de professores de matemática e português, além de profissionais da cozinha, limpeza e setores pedagógicos.
“Já veio uma professora de português e uma orientadora. Porém estou na cozinha porque não chegou merendeira para nós, então essa situação ainda está crítica”, relata a diretora Nair Konzen.
Em São Sebastião do Caí, na Escola Estadual de Ensino Fundamental Thomé Antônio de Azevedo, havia falta de professores, supervisão escolar, cozinha e serviços gerais.
De acordo com o diretor Ésio Flôres, o quadro de professores ficou completo nesta semana e uma merendeira foi recebida, mas ainda é necessário mais uma e o pessoal da limpeza. “Todos estão colaborando e fazendo o possível”, diz ao ser questionado sobre a rotina na instituição com a falta de funcionários.
O que diz a Seduc
Ao ser procurada pela reportagem, a Seduc comunicou que atua diariamente para disponibilizar profissionais da educação, servidores de limpeza e merenda para o atendimento às escolas da rede estadual.
“Pelo número expressivo de instituições de ensino e pessoal, a Seduc trabalha ao lado das coordenadorias regionais em todo o Estado diante da necessidade de reposição de servidores em razão de aposentadorias, licenças, entre outros tipos de afastamento”, esclarece, em nota.
“Sobre a escola Seno Frederico Ludwig, em Novo Hamburgo, Leopoldo Petry, também em Novo Hamburgo, Guilherme Exter, em Presidente Lucena, e Escola Thome Antônio de Azevedo, em São Sebastião do Caí, tramita em caráter de urgência a contratação emergencial de profissionais temporários para o serviço de limpeza destas escolas, com previsão de começo das atividades nas próximas semanas”, complementa a Seduc.
Sobre o motivo da falta de profissionais, o órgão não se manifestou. O Centro dos Professores do Estado do Rio Grande do Sul (Cpers) também foi procurado, porém, até o fechamento desta matéria, não se posicionou sobre a situação.