Carros eletrificados valem a pena? As dificuldades com combustíveis fósseis devido à guerra no Oriente Médio abrem espaço para reflexões sobre opções de veículos mais sustentáveis. Por não dependerem de gasolina ou diesel, os carros eletrificados têm se tornado mais populares.

Foto: Amanda Krohn/GES-Especial
Na comparação entre 2025 e 2026, a venda desse tipo de automóvel entre os meses de janeiro e março cresceu 92,43% nos 43 municípios da região de cobertura do Grupo Sinos, segundo cálculo realizado a partir de levantamento disponibilizado pela Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE). Dentre as cidades da região de cobertura do Grupo Sinos que mais registraram aumento, estão Novo Hamburgo (107,69%), São Leopoldo (57,14%) e Canoas (63,06%).
O diretor da ABVE, Pedro Schaan, aponta que múltiplos fatores impactam no aumento dessas vendas. “Com certeza o conflito no Oriente Médio influenciou na decisão. Devido ao preço dos combustíveis, é mais barato rodar com um carro elétrico do que com um carro comum”, analisa.
“Um tempo atrás, quem comprava carro elétrico era chamado de louco, porque era um modelo que custava caro e tinha pouca economia. Mas começou a ter um pouco mais de paridade nos preços e as pessoas começaram a conhecer a tecnologia e terem curiosidade com o produto novo”, completa.
De acordo com o professor André Rafael Weyermüller, do Programa de Pós-Graduação em Qualidade Ambiental da Universidade Feevale, os modelos são mais sustentáveis do ponto de vista ambiental em comparação com os que dependem de combustível, mas não são perfeitos.
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“Eles são uma alternativa muito importante, pois não produzem gases de efeito estufa, mas em compensação, precisam de grandes quantidades de energia elétrica para serem carregados, e não é todo lugar que possui pontos de carregamento”, pondera. “Para serem produzidos, também demandam um impacto ambiental, pois é necessário fabricar as baterias, cujo descarte pode virar um problema”, continua.
Em contrapartida, Weyermüller comenta os avanços brasileiros em opções de energia renovável. “Quando se fala em carro elétrico, temos que levar em conta uma contradição: embora seja um grande produtor de petróleo, o Brasil tem avançado muito em renovação energética. Com o crescimento das energias solar e eólica, o país é um dos que têm as matrizes energéticas mais promissoras.”
Além do ponto de vista ambiental, o professor cita benefícios econômicos. “O Brasil possui diversos programas de incentivo para quem usa carros eletrificados, como desconto no Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA).”
Cidades na região com maior aumento na venda de eletrificados

Foto: Arte Alan Machado/GES
Quem usa aprova custo-benefício
No Rio Grande do Sul, há isenção de IPVA para os que possuem carros 100% elétricos. Ou seja, proprietários de carros híbridos, que também são considerados eletrificados e podem tanto ser carregados como abastecidos por combustíveis, não são beneficiados.
Para fugir do peso crescente dos combustíveis no orçamento, o motorista de aplicativo Renan Barcelos, 34 anos, decidiu trocar o carro a combustão por um elétrico e diz que a mudança transformou a rotina de trabalho. Morador de Canoas e atuando como Uber em Porto Alegre, ele afirma que a principal motivação foi reduzir despesas, já que o combustível representa o maior custo da atividade.
Antes, com um carro a combustão, Renan gastava cerca de R$ 3,5 mil por mês com gasolina. Agora, calcula uma economia média mensal de R$ 2,5 mil. “O principal foi a economia. O maior custo que qualquer motorista tem é o combustível, e o custo do carro elétrico é muito baixo”, relata.
Segundo ele, a diferença aparece já no uso diário. Enquanto antes consumia cerca de 25 litros de combustível por dia — o equivalente a mais de R$ 160 — hoje desembolsa entre R$ 45 e R$ 50 para rodar praticamente a mesma distância. “Ando cerca de 300 quilômetros por dia. Na gasolina, dava uma fortuna”, compara.
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Além da redução nos gastos, Renan destaca outros benefícios percebidos no dia a dia. “O carro elétrico é mais confortável para dirigir, é mais silencioso”, afirma. Outro atrativo, segundo ele, é a isenção do IPVA para veículos elétricos no Rio Grande do Sul até 2030, fator que também pesa na conta final e reforça a vantagem econômica da troca.
“Em um primeiro momento eu aluguei para testar, porque no condomínio que moro não tem como carregar. Mas só estou esperando liberar o financiamento para eu comprar o meu próprio. Esse valor que eu gasto hoje é porque carrego na rua, se eu morasse em uma casa, colocaria placa solar e iria zerar o custo. Hoje eu pago R$ 1,39 o o kWh.”
O aposentado Edemar dos Santos, de 81 anos, mora em Novo Hamburgo e possui um carro eletrificado há quatro meses. Por dirigir com pouca frequência, ele comenta que seu custo é zero.
“Esse aqui era da minha filha, ela se mudou para São Paulo e resolveu deixar para mim. Toda semana eu venho fazer minhas compras no mercado e, como a partir de R$ 100 em compras é possível utilizar o carregador por cerca de uma hora, não gasto nada”, diz.
“Eu não dirijo com muita frequência, então adianta. Eu vou a Porto Alegre e volto, e ainda sobra. Posso ir à igreja ou sair para almoçar. Se eu der uma carga total, consigo dirigir por 250 quilômetros”, acrescenta.
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