A qualidade da água que sai das torneiras tem desagradado consumidores, que passaram a substituí-la por água mineral. É o que relatam empresas do setor em Novo Hamburgo, onde distribuidoras registraram aumento significativo nas vendas desde a semana passada. O motivo, segundo clientes, seria a cor, o gosto e o cheiro da água.

Foto: Geison Concencia/GES-Especial
Em uma distribuidora localizada na Rua Rincão, no bairro de mesmo nome, a vendedora Ângela Luiza Vieira afirma que as vendas dobraram, mas não prejudicaram a cadeia de fornecimento, apesar da alta demanda. Segundo ela, o consumo de água mineral em galões teve forte crescimento. “Os clientes dizem que a água das torneiras tem gosto e cheiro ruins. Temos ouvido muitos relatos nesse sentido”, afirma.
A vendedora relata que o aumento começou por Estância Velha, município vizinho atendido pela empresa. “Na segunda-feira passada, notamos uma demanda muito alta em Estância Velha. Depois, foi a vez de Novo Hamburgo, onde também houve elevação no consumo.”
No bairro Ideal, outra distribuidora aponta aumento de 40% na venda de galões. A vendedora Anália Verônica dos Santos diz que a procura acima da média começou entre terça e quarta-feira. “Identificamos novos clientes, que não compravam água mineral e passaram a comprar”, afirma.
A empresa no bairro Ideal conta com uma filial no Centro. Em outro ponto da cidade, vendedores também registraram aumento nas vendas, porém menos expressivo em comparação com os bairros.
Relembre o caso
Desde a semana passada, consumidores da região relatam gosto, cheiro e coloração fora do padrão na água. Imagens e relatos circularam nas redes sociais, mostrando água escura saindo das torneiras.
Em municípios do Vale do Sinos e do Paranhana, o problema começou na semana passada. Estância Velha, Portão e Sapiranga registraram situação semelhante. As cidades fazem parte de um sistema de distribuição ligado à Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) de Campo Bom, operada pela Corsan/Aegea. A causa provável seria a floração de algas, responsável pela coloração escura e alteração no sabor.
Posteriormente, Novo Hamburgo também registrou o problema. A Comusa apontou o afloramento de algas como possível causa.
No início desta semana, a autarquia informou que segue monitorando a situação e realizando testes para identificar as causas, mantendo a hipótese de floração de algas. A mesma explicação já havia sido apresentada anteriormente.
Desconfiança
Morador do bairro São José, em Novo Hamburgo, Geovani Krupp afirma que passou a desconfiar da água após os episódios recentes. Segundo ele, o gosto desagradável gerou receio em voltar a consumir a água da torneira. “Acredito que agora esteja voltando ao normal, mas ainda não me arrisco. Nem para fazer café estou usando essa água”, relata.
Krupp diz que tem recorrido a alternativas. “Tenho buscado água na casa de um vizinho, que possui poço, e também no mercado, até que a situação se normalize. Fico receoso com os produtos que podem estar sendo usados no tratamento”, afirma.
Conforme Corsan e Comusa, a água distribuída está dentro dos padrões estabelecidos pelo Ministério da Saúde. A Agência Reguladora Intermunicipal de Saneamento (Agesan) também afirma que, no momento, a água atende aos critérios de potabilidade, mas ressalta que, por lei, deve ser transparente e inodora.