abc+

De Novo Hamburgo à Serra

De Novo Hamburgo à Serra: Câmaras da região se manifestam contra pedágios e aprovam moção de repúdio sobre concessão do Bloco 1 de rodovias

Parlamentos municipais de diferentes partidos e regiões unificam discurso contra a concessão do Bloco 1 e a instalação de 23 pórticos de cobrança automática

Dário Gonçalves
Publicado em: 04/11/2025 às 17h:20
Publicidade

Do Vale dos Sinos à Região das Hortênsias, Câmaras de Vereadores têm se mobilizado contra o projeto do governo estadual que prevê a concessão de rodovias do Bloco 1, com a implantação de 23 pórticos de pedágio no modelo free flow em estradas que ligam Novo Hamburgo, Campo Bom, Araricá, Parobé, Taquara, Três Coroas, Gramado e Canela.

Publicidade

Em sessões recentes, os parlamentos aprovaram moções de repúdio e manifestações conjuntas contra a medida, que, segundo os vereadores, “onerará o trabalhador, o setor produtivo e o turismo” sem oferecer contrapartidas claras em infraestrutura.

 SIGA O ABCMAIS NO GOOGLE NOTÍCIAS!

Viagem entre a Região Metropolitana e Gramado pode custar mais de R$ 25,00 | abc+



Viagem entre a Região Metropolitana e Gramado pode custar mais de R$ 25,00

Foto: Dário Gonçalves/GES-Especial

Em Novo Hamburgo, a Câmara aprovou a Moção 59/2025, de autoria do vereador Cristiano Coller (PP), manifestando protesto formal à proposta de concessão e à instalação de novas praças e pórticos na RS-239 e demais trechos do Bloco 1.

O texto destaca que as rodovias são eixos essenciais para o transporte de trabalhadores e produtos industriais e que a medida é “precipitada, onerosa e prejudicial ao desenvolvimento regional”, especialmente em um momento em que os municípios ainda enfrentam os impactos das enchentes de 2024.

Publicidade

Em Campo Bom, o vereador Jorge Bellé (PL) anunciou uma moção de repúdio e afirmou que a proposta “é um golpe no bolso do contribuinte”. Ele defendeu que a mobilização precisa envolver “todas as cidades impactadas”. Já o colega Paulo Silveira (MDB) defendeu diálogo sem uso político do tema, lembrando que o impacto dos pedágios atinge “motoristas de todos os partidos”.

Na Câmara de Araricá, a moção apresentada reforça que a cobrança por trecho percorrido impactará diretamente quem se desloca diariamente para trabalhar, estudar ou acessar serviços. A vereadora Mari Dapper (PL) criticou a ausência de estudos socioeconômicos e de garantias de descontos para usuários frequentes. “De Taquara a Novo Hamburgo serão cinco pedágios. Isso vai encarecer tudo: o transporte, as entregas e o alimento que chega à mesa”, afirmou.

Em Nova Hartz, o presidente do Legislativo, Vagner Surkampf (PP), disse que a Casa foi “surpreendida” pela proposta e aprovou nota de repúdio unânime. “A população já paga IPVA e ICMS, que deveriam garantir a manutenção das estradas. O pedágio é uma dupla cobrança”, declarou.

Publicidade

No Paranhana, unidade suprapartidária

Em Três Coroas, todos os vereadores se manifestaram contra a implementação do sistema free flow. A presidente da Câmara, Lu Fogaça (MDB), afirmou que o Legislativo está em articulação com outros municípios da Ampara para “combater uma política que vai prejudicar a região e as indústrias locais”. O vereador Lucas de Freitas (PL) defendeu união suprapartidária: “Esquecemos as siglas e nos unimos pelo bem comum, em repúdio a qualquer nova praça de pedágio”.

Pedágios Bloco 1 | abc+



Pedágios Bloco 1

Foto: Arte Alan Machado/GES

Publicidade

Em Igrejinha, o debate também chegou ao plenário, mas com um tom diferente. Segundo o presidente da Câmara, Maxwel de Matos, alguns vereadores chegaram a propor uma moção de repúdio, mas o grupo optou por não apresentá-la. “A maioria das moções que vimos se referem à concessão das rodovias, quando o verdadeiro problema está no modelo dos pedágios, que precisa ser revisto”, explicou.

Maxwel destacou que está em formação uma Frente Parlamentar dos Presidentes das Câmaras do Vale do Paranhana, com o objetivo de articular uma posição conjunta sobre o tema. O foco, segundo ele, é o excesso de pórticos em curtas distâncias, e não a concessão em si.

“Deixo bem claro que a questão é o equívoco dos pedágios, com o modelo e as distâncias propostas, não à concessão, que tem aspectos positivos para o desenvolvimento das vias. Mas é preciso rever o formato: não pode haver tantos pedágios em espaços tão curtos, pois isso prejudicaria o ir e vir em uma região pequena, com intensa integração entre moradores e empresas”, afirmou.

Publicidade

Câmaras das Hortênsias reforçam oposição

O movimento também chegou à Serra, com moções e pronunciamentos em Gramado e Canela. Em Gramado, a vereadora Prof. Denise (PP) considerou “inadmissível” o aumento no custo de transporte, prevendo prejuízos ao turismo e ao comércio local. O vereador Neri da Farmácia (PP) reforçou que o modelo “onera moradores e visitantes e foi definido sem diálogo com os municípios”.

Já em Canela, o vereador Nene Abreu (MDB) afirmou que a Câmara não é contra pedágios, “mas contra o formato proposto”. O colega Lucas Dias (PSDB) criticou a possibilidade de um pórtico próximo ao bairro Caracol, o que, segundo ele, “dividiria a cidade”. “Leite insulta a inteligência do gaúcho ao dizer que não criaria praças físicas de pedágio — mas cria pórticos que cobram do mesmo jeito”, disse.

Publicidade

Leite detalhou ideia das concessões na terça-feira passada | abc+



Leite detalhou ideia das concessões na terça-feira passada

Foto: Juliano Piasentin/GES-Especial

Contexto:

O Bloco 1 de concessões rodoviárias do Rio Grande do Sul abrange rodovias como RS-239, RS-115, RS-235, RS-020, RS-486 e a futura RS-010, com previsão de 23 pontos de cobrança automática e R$ 6,4 bilhões em investimentos ao longo de 30 anos. A consulta pública está aberta, e o edital deve ser publicado em 2026, com leilão no mesmo ano e operação iniciando em 2027.

Publicidade

O governo estadual defende o modelo free flow como forma de “reduzir filas, distribuir tarifas e modernizar a cobrança”. Porém, as Câmaras municipais da região afirmam que o formato trará impacto direto no custo de vida, na competitividade das empresas e na circulação entre cidades interligadas, reforçando o coro regional “Fora pedágio”, como bradado pelos vereadores de Três Coroas.

Publicidade