Ir além de soluções simplistas e criar estratégias de enfrentamento a enchentes com foco em ciência e dados. Esta foi uma das temáticas abordadas durante a reunião ordinária do Comitesinos, com a palestra do professor Joel Avruch Goldenfum, da secretaria executiva do Comitê Científico de Adaptação e Resiliência Climática do Rio Grande do Sul.
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A palestra “O Comitê Científico e o processo da construção da resiliência climática” ocorreu durante reunião ordinária do Comitesinos na tarde de quinta-feira (11), na Universidade Feevale.

Foto: Geison Concencia/GES-Especial
Para o professor, enfrentar catástrofes climáticas que resultam em perdas e danos precisa de pareceres técnicos sobre obras, para identificar os pontos fortes ou o que precisa ser melhorado, dentro das estratégias de enfrentamento a enchentes.
“A natureza pensa em limites naturais e geográficos. A sociedade, por sua vez, lida com limites entre cidades. Isso significa que uma obra feita em uma cidade pode ou não afetar outra. Por isso, precisamos pensar em diferentes áreas do conhecimento. Às vezes, não será uma obra estrutural que vai resolver o problema. O Comitê é fundamental para integrar essas diferentes regiões”, afirma.

Foto: Geison Concencia/GES-Especial
Ele reforça que integrar diferentes áreas do saber contribui diante de um cenário de resiliência climática. Segundo Goldenfum, as soluções para enfrentar crises climáticas podem ir além de uma obra de engenharia, passando pela área da educação e até política.
“No nosso Comitê Científico, há 42 áreas de conhecimento. Na hora que a gente vai fazer uma discussão, lá pelas tantas, aparece uma área que faz uma sugestão e nem imagina que isso pode afetar uma outra.”
Educação
Na mesma corrente, a professora da Universidade Feevale e coordenadora do Laboratório de Vulnerabilidade, Riscos e Sociedade (Lavurs), Danielle Paula Martins, apresentou o projeto desenvolvido pelo grupo de pesquisa intitulado Agente Mirim de Defesa Civil, desenvolvido em escolas da rede pública da região.
Para Danielle, é fundamental que as ações de redução de riscos incluam medidas não estruturais, como educação, comunicação, mapeamento e o envolvimento da população. Essas iniciativas promovem o compartilhamento de conhecimento e ajudam as pessoas a compreender melhor o território onde vivem, a forma como ocupam esses espaços e como determinadas escolhas podem contribuir para problemas ambientais e sociais.
A coordenadora explica que a educação tem papel central nesse processo porque gera autonomia. A partir do conhecimento, as pessoas passam a ter condições de tomar decisões mais conscientes, seja ao receber um alerta climático, seja diante de situações que exigem respostas rápidas dentro da comunidade onde vivem.
“Também fortalece o exercício da cidadania, especialmente em questões relacionadas ao meio ambiente”, comenta Danielle.

Foto: Geison Concencia/GES-Especial
Além da autonomia, a educação proporciona segurança. Quando as pessoas sabem como agir diante de um risco, sentem-se mais preparadas para enfrentar situações adversas. Ao compreenderem melhor o território e os mecanismos disponíveis para reduzir riscos, tornam-se menos vulneráveis.
“Esse é um aspecto fundamental quando se trata de eventos climáticos extremos. Toda redução da vulnerabilidade representa uma diminuição das perdas materiais, dos danos sociais e, principalmente, da perda de vidas. Por isso, a educação é um dos principais caminhos para a construção de comunidades mais resilientes.”
Da mesma forma, Danielle defende que a educação contribui para a efetividade das medidas estruturais. Quando a população entende a importância de obras e investimentos voltados à prevenção de desastres, passa a valorizar essas iniciativas e a cobrar sua manutenção e aprimoramento. “Assim, medidas estruturais e não estruturais atuam de forma complementar na redução dos riscos e na proteção da população”, destaca.