Se para os meteorologistas a transição do fenômeno La Niña para o El Niño já está no radar, no campo essa mudança começa a ser sentida com apreensão.
Agricultores do Vale do Sinos acompanham com atenção as previsões, especialmente porque a possível chegada do El Niño indica um período de chuvas acima da média no Sul do País, fator que pode trazer impactos diretos à produção agrícola.

Foto: Arquivo pessoal
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Na Lomba Grande, zona rural de Novo Hamburgo, o agricultor Valdinei da Silva Bernardes, 48 anos, que cultiva milho e soja, relata que a sequência de extremos climáticos tem sido um desafio constante.
Segundo ele, após um período de estiagem associado à La Niña, que prejudicou o desenvolvimento inicial das lavouras, a projeção de excesso de chuva reacende a preocupação.
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“Esse negócio do tempo, da La Niña pro El Niño, é uma virada de 8 para 80. É sempre uma preocupação pra gente que vive numa indústria a céu aberto”, afirma.
Bernardes explica que o clima seco e o calor excessivo registrados anteriormente afetaram parte do milho plantado mais cedo. O temor agora é que o excesso de chuva comprometa a produção.
“A planta precisa de água para se criar, mas quando a chuva é demais prejudica.”

Foto: Susana Leite/GES-Especial
Uma gangorra nada divertida
Em Estância Velha, o agricultor Jefferson Rodrigo de Abreu, 34, que cultiva milho para silagem, também
observa a mudança no clima com cautela. Para ele, a relação do produtor rural com o tempo é “uma verdadeira gangorra”.
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Abreu explica que o período de colheita do milho safrinha e da soja coincide justamente com os meses em que há maior risco de excesso de chuva.
“Para o plantio tem que ter umidade, mas não excesso. Depois, quando chega na colheita, a gente tem que torcer para não chover demais”, relata.