No fogão de Vanessa Doering, o milho, o aipim e os ovos caipiras são colhidos no quintal de casa, em Nova Hartz. Mas o modo de preparo e o tempero, esses vêm do nordeste. Natural da Bahia, Vanessa conheceu o marido, gaúcho, quando ele estava em seu estado a trabalho. Há cerca de três anos, o casal comprou uma chácara no município e hoje vive exclusivamente da agricultura familiar.

Foto: Dário Gonçalves/GES-Especial
“Nós vendemos produtos que são receitas tradicionais baianas, mas com ingredientes que a gente mesmo planta: milho, aipim, ovos das nossas galinhas, leite… Faço cuscuz e outras coisas. E o bolinho de batata, que é uma tradição daqui, foi o que nos colocou na feira da agricultura familiar”, conta Vanessa, que participou do 3º Festival Gastronômico Colonial de Nova Hartz durante o último final de semana.
Além dos produtos prontos, o casal também comercializa frutas da estação, como laranja e tangerina. “Hoje essa é a nossa vivência. Tudo que temos vem da terra”, completou.

Foto: Dário Gonçalves/GES-Especial
Bolinho de família ganha o concurso
Entre os destaques do festival, esteve o já esperado Concurso de Bolinho de Batata, que consagrou a receita da família Schnorr. “Esse bolinho é uma receita que minha mãe fazia antigamente. A gente só continua. É o mesmo modo de preparo há anos. A filha, o filho, a nora… todo mundo sabe fazer”, contou Paulo Schnorr. Ele e a esposa, Marlise, mantêm um espaço de turismo rural no município, onde também servem os bolinhos aos visitantes. “Sempre participamos, mas foi a primeira vez que ganhamos. E seguimos à risca o jeito de fazer. Essa é uma receita que não pode ser mudada”, reforçou Marlise.
Do campo direto para a mesa
Segundo o diretor de Agricultura do município, Emerson Brunner, Nova Hartz conta com cerca de 15 agroindústrias registradas, que produzem de queijos e embutidos a panificados e conservas. “Isso fortalece essas famílias, onde elas têm sua renda direto do campo, sem atravessadores, levando à mesa do consumidor um produto com origem, identidade e qualidade”, destacou.
Já o diretor-geral de Cultura, Juliano Marmitt, lembra que a proposta do festival vai além da feira. “Esse é um evento que aproxima a comunidade, valoriza a nossa identidade alemã e compartilha o melhor da gastronomia local com visitantes da cidade e da região.”