A falta de pessoal da área da limpeza em instituições estaduais vem impactando na rotina de professores, orientadores e diretores, que precisaram assumir tarefas fora do escopo educacional nas últimas semanas, como varrer o pátio, quadra e salas de aula, lavar banheiros, recolher os lixos e manter o ambiente limpo para os estudantes.

Foto: Paola Altneter/GES-Especial
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Essa vem sendo a realidade de escolas da região, pois, após o término dos contratos com funcionários terceirizados, o quadro não foi reposto pela Secretaria Estadual da Educação (Seduc), de acordo com diretores escolares.
Este é o cenário, por exemplo, da Escola Estadual de Ensino Fundamental (EEEF) Leopoldo Petry, do bairro Canudos, em Novo Hamburgo, que há cerca de 45 dias está sem colaboradores da limpeza. Segundo a diretora Carla Menezes, cada professor ficou responsável pela sua sala de aula, as merendeiras estão levando os lixos e os profissionais da secretaria se revezam em outras atividades. “Isso impacta porque, além do trabalho burocrático, nós temos que deslocar alguém para auxiliar nas limpeza das salas de aula, banheiro e pátio, para que as crianças não tenham um ambiente insalubre”, afirma.
O pai de aluna, Sirineu Schmidt, de 52 anos, expressa descontentamento com a situação. “Como que vão deixar faltar um serviço de tanta necessidade em uma escola? O Estado está pecando nisso e a escola fica defasada”, desabafa. A cuidadora e vó de aluna, Simone Cavalheiro, 53, reforça a necessidade de novos profissionais. “Prejudica professoras e diretoras, que fazem muito pelo colégio, e pelas crianças”, aponta.
A diretora relata que a Seduc comunicou que dois profissionais chegariam no dia 30 de maio, mas até o momento, o quadro não foi ampliado.
Situação crítica
No Instituto Estadual Seno Frederico Ludwig, do mesmo bairro em Novo Hamburgo, costumava ter quatro profissionais de limpeza. Porém, há quase 60 dias, uma colaboradora está sozinha para atender a instituição com mais de 1100 estudantes nos três turnos de aula. Para minimizar a situação, o diretor José Silon Ferreira conta com a ajuda de um voluntário. “Nos finais de semana, quando a limpeza mais bruta precisa acontecer, a gente vem para a escola e acaba fazendo, principalmente nos banheiros, que são em torno de oito”, menciona.
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Ainda no município, o Colégio Estadual Senador Alberto Pasqualini, no bairro São José, também está com quadro reduzido de profissionais da limpeza. “Impacta pois todos temos que trabalhar na limpeza, nos unimos em prol da escola.”, explica a diretora Marília Würch de Paula.
Problemas na região
No mês passado, escolas da região foram tema de reportagem pelo mesmo motivo. Passados 30 dias, a situação ainda não foi solucionada completamente. São os casos da Escola Estadual Guilherme Exner, de Presidente Lucena; e da Escola Estadual de Ensino Fundamental Thomé Antônio de Azevedo, em São Sebastião do Caí. Ambas tiveram os problemas minimizados. “Todos estão colaborando e fazendo o possível”, enfatiza o diretor Ésio Flôres, da Thomé Antônio de Azevedo.
O que diz a Seduc
Ao ser procurada pela reportagem, a Seduc comunicou que atua diariamente para disponibilizar profissionais da educação, servidores de limpeza e merenda para o atendimento às escolas da rede estadual. “Pelo número expressivo de instituições de ensino e pessoal, a Seduc trabalha ao lado das coordenadorias regionais em todo o Estado diante da necessidade de reposição de servidores em razão de aposentadorias, licenças, entre outros tipos de afastamento”, esclarece, em nota.
“Sobre a escola Seno Frederico Ludwig, em Novo Hamburgo, Leopoldo Petry, também em Novo Hamburgo, Guilherme Exter, em Presidente Lucena, e Escola Thome Antônio de Azevedo, em São Sebastião do Caí, tramita em caráter de urgência a contratação emergencial de profissionais temporários para o serviço de limpeza destas escolas, com previsão de começo das atividades nas próximas semanas”, complementa a Seduc.
Sobre o motivo da falta de profissionais, o órgão não se manifestou.