Oito famílias se manifestaram na tarde desta terça-feira (8) em frente à Prefeitura de Sapiranga. Sete delas enfrentam a dor do luto, após a perda de um familiar em casos que consideram como negligência médica no município.
- RELEMBRE UM DOS CASOS: Adolescente de 16 anos morre duas semanas após parto e família acusa negligência de hospital do Vale do Sinos

Foto: Juliano Piasentin/GES-Especial
A prefeitura afirma que uma sindicância foi instaurada para apurar as responsabilidades de alguns dos casos, que se encontra na fase final, aguardando um ofício do Hospital Sapiranga referente a um dos pacientes. Após inclusão deste documento, o relatório final deve ser produzido. O Hospital Sapiranga foi procurado, mas não se manifestou até o o momento.
Relatos de familiares de pacientes que morreram
Márcia de Amaral é mãe de Jhenyfer Gabriela Vazan do Amaral, que morreu aos 22 anos na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Sapiranga. “Ela precisava fazer uma operação para a retirada de pedra na vesícula. No entanto, por estar com a saturação baixa, a cirurgia foi cancelada.”
O procedimento seria efetuado no Hospital Sapiranga. “Os médicos passaram a adiar a cirurgia. Não marcaram, no dia 24 de dezembro do ano passado, a minha filha não aguentava mais as dores e foi na UPA, deram morfina e outros medicamentos diretamente na veia. Sem ao menos se preocupar com os remédios antidepressivos que ela tomava.” Jhenyfer foi liberada e voltou para casa, entretanto, sofreu uma parada cardíaca, voltou à UPA, mas não resistiu. O caso dela é um dos investigados pelo município.
- CONFIRA TAMBÉM: Corpo de menino de 9 anos que morreu durante ataque em escola será sepultado em cidade vizinha
Outro caso investigado é o de Eloá Possenti Rodrigues de Moraes. A mãe conta que o óbito também aconteceu em dezembro de 2024. “Levei ela na UPA e falaram que ela estava com laringite. Cinco dias depois, voltei e finalmente fizeram um raio-x, descobriram que minha filha estava com pneumonia.”
Eloá, de apenas 5 anos, foi levada para o Hospital Sapiranga e a mãe não conseguiu um leito. “O médico falou que ali não era hotel para se hospedar. Levei minha filha para casa em um caixão.”
O que diz a prefeitura
Segundo a prefeitura, a sindicância também apura o óbito de Jaquelini Graziela dos Santos e o caso de João Vitor Santos de Oliveira, que segue hospitalizado. A prefeitura explica ainda que o Hospital Sapiranga é administrado pela Sociedade Beneficente Sapiranguense e que o Executivo fiscaliza a casa de saúde. Sobre as mortes nas UPAs, reitera que está atuando na apuração das responsabilidades. O Executivo reforça que a ouvidoria do município pode ser acionada em casos de maus atendimentos.
Outros casos da manifestação
Ainda fazem parte do grupo de manifestantes familiares de Lucas Gael, que nasceu prematuro e teve uma série de complicações de saúde; de Kauany Ventura de Vargas, que morreu após complicações por uma cesariana no Hospital Sapiranga; Edilio Diniz da Rosa, que morreu aos 55 anos após dois dias na UPA da cidade com sintomas de vômito e diarreia; e de Theo da Silva Cezar, que faleceu com 1 ano e 6 meses em dezembro de 2021, com câncer na glândula adrenal. De acordo com familiares, o médico teria dito que Theo estava com sintomas gripais e negado uma ambulância.
LEIA TAMBÉM