Você já montou um kit de emergência? Não é uma pergunta que quem mora no Brasil estava acostumado a responder ou sequer pensar sobre. No entanto, a maior frequência e intensidade de desastres ao longo dos anos levou a Defesa Civil do Rio Grande do Sul a fazer um alerta: é importante ter uma mochila emergencial em casa.

Foto: Matheus Bertelli/Pexels
Ter um kit de emergência é uma medida essencial de preparação para momentos extremos, como durante e após desastres climáticos, afirma a Defesa Civil. Com ele, a família terá acesso a itens essenciais como água, medicamentos e alimentos.
Isso permite que as pessoas tenham condições mínimas de sobrevivência, diminuindo a vulnerabilidade e aumentando autonomia nas primeiras horas 24 até 48 horas. “Trata-se de uma ferramenta simples, mas estratégica, que pode preservar vidas e reduzir danos.”
Nesse período, há mais chances dos serviços públicos estarem sobrecarregados pelo grande número de chamados. Dependendo da situação, também é quando eles têm uma dificuldade maior de acessar o local onde a pessoa que precisa de ajuda está.
Como o que aconteceu em diferentes cidades do RS durante a tragédia de 2024, que afetou mais de 2,3 milhões de pessoas, deixou 184 mortos e 805 feridos. As enchentes atingiram 459 das 497 cidades, totalizando mais de 92% do Estado, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Ao todo, 183 pessoas morreram por conta das enchentes, mais de 800 ficaram feridos e mais de 580 mil desalojados.
Mais frequência de desastres no Brasil
Em 32 anos, mais de 64 mil desastres climáticos aconteceram no Brasil. Somente entre 2020 e 2023, foram registrados 16.306, o que mostra um aumento de até 250% em relação aos anos 1990. Os dados são do estudo 2024: O Ano Mais Quente da História, feito pela Aliança Brasileira pela Cultura Oceânica.
É esse aumento nos desastres como as inundações, os deslizamentos e até mesmo ciclones, que levou as autoridades a alertarem o Brasil sobre a importância dos kits de emergência. O alerta da Defesa Civil também acontece em um ano em que os meteorologistas alertam para um El Niño com potencial histórico. “O objetivo é estimular a população a adotar comportamentos preventivos e a se preparar adequadamente, reduzindo riscos e impactos”, afirma a Defesa Civil.
A Aliança Brasileira pela Cultura Oceânica é coordenada por: Programa Maré de Ciência da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), em parceria com a Fundação Grupo Boticário.
Antes de montar
Antes de montar um kit, a Defesa Civil alerta: é preciso pensar para qual tipo de emergência ele será usado. Em caso de enchentes, por exemplo, a mochila deve ter um rádio que possa ser carregado com pilhas, assim como um powerbank, lona, lanterna e sinalizador. Já se houver crianças na casa ou alguém com uma necessidade específica, é importante ter os medicamentos e os alimentos junto.
Lembrando que os mantimentos devem servir como auxílio nas primeiras 24 até 48 horas após o desastre. Se precisar fazer uma escolha, é importante lembrar que a hidratação é mais necessária para a sobrevivência do que a alimentação.
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O que colocar em um kit de emergência
Em uma mochila resistente, de fácil manuseio, guarde:
- água;
- alimentos de fácil manuseio, como enlatados, biscoitos ou barras de cereal;
- documentos como passaporte, carteira de motorista e identidade enrolados em plástico filme para
- que não sejam danificados caso entrem em contato com a água;
- quantias em dinheiro físico;
- lanterna;
- kit de primeiros socorros com curativos e remédios de uso contínuo;
- uma muda de roupa resistente;
- roupas íntimas;
Se tiver pets:
- ração;
- coleira;
Se tiver crianças e idosos:
- receitas médicas;
- fralda;
- leite.
O dinheiro físico é importante pois, em momentos de emergência, as formas de pagamento digitais podem não funcionar, ficando fora do ar ou passando por instabilidades.
Já no caso dos itens para pets, crianças e idosos, é importante levar aquilo que for necessário de acordo com as necessidades pessoais de cada um. Por vezes, isso pode ser medicamentos específicos, receitas que já estejam em casa, etc.
O lugar ideal para guardar
Não adianta ter um kit de emergência, mas deixá-lo no fundo do armário ou em qualquer outro local que não seja fácil de acessar. Todos os moradores da casa devem saber onde está.
O local ideal, segundo as autoridades, é próximo da saída da casa. Isso facilita em casos onde seja necessário deixar a residência rapidamente. O kit também deve ficar protegido de umidade, do calor excessivo e de riscos de contaminação.
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Quando montar o kit, pense na família
Não é obrigatório ter um kit por pessoa. O ideal é que ele seja familiar, com mantimentos que atendam a necessidade de todos que moram na casa. Isso inclui:
- quantidade adequada de água e alimentos;
- medicamentos de uso contínuo;
- itens específicos para crianças, idosos, pessoas com deficiência e animais de estimação.
O que não colocar em um kit de emergência
Alguns itens não devem fazer parte dos kits de emergência, tanto por questões de segurança quanto de praticidade e durabilidade. São eles:
- alimentos perecíveis: estragam rapidamente e podem causar contaminação;
- bebidas alcoólicas: podem comprometer o estado de alerta e a tomada de decisão;
- objetos volumosos e/ou pesados: dificultam o transporte no caso de evacuação;
- materiais inflamáveis ou perigosos: aumentam risco de acidentes;
- itens supérfluos.
“A lógica da composição do kit deve priorizar itens essenciais, seguros, leves, duráveis e multifuncionais, garantindo eficiência em situações de emergência”, afirmam as autoridades.
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