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ATRASOS

Funcionários de empresa terceirizada que atende rede estadual de ensino enfrentam atrasos salariais na região

Segundo funcionários, nem o FGTS está sendo depositado regularmente

Publicado em: 16/03/2026 às 20h:55 Última atualização: 16/03/2026 às 20h:55
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Receber o salário atrasado já é, por si só, uma situação difícil. Agora imagine ser uma mãe solteira com um filho diagnosticado com Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) ou uma mãe com dois filhos, sendo um deles esquizofrênico. Essa não é uma realidade distante ou hipotética, mas concreta e próxima. A situação ocorre em Novo Hamburgo e também em outras 44 escolas da região. Funcionários de uma empresa terceirizada que presta serviços de limpeza para a rede estadual de ensino relatam atrasos recorrentes no pagamento de salários.

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Franciele Souza Araújo, Rosangela Tomé, Daniel dos Santos | abc+



Franciele Souza Araújo, Rosangela Tomé, Daniel dos Santos

Foto: Geison Concencia/GES-Especial

A situação fica mais difícil. A medida que o salário não vem, eles procuram seu empregador, que responsabiliza a secretaria de Educação, que, por sua vez, diz que paga em dia. Um jogo de empurra, em que os maiores lesados são os funcionários.

Diante desta situação, mesmo com salários atrasados e sem o pagamento do vale-alimentação, trabalhadores seguem comparecendo diariamente aos postos de trabalho. Em escolas da rede estadual, equipes responsáveis pela limpeza e manutenção continuam garantindo que salas de aula, corredores e pátios estejam em condições de receber alunos e professores, como ocorre Instituto Estadual Seno Frederico Ludwig, no bairro Canudos, em Novo Hamburgo.

Nos bastidores, porém, a realidade é marcada por incerteza financeira e dificuldades para manter despesas básicas em dia.

A situação envolve funcionários de uma empresa terceirizada responsável por serviços de limpeza em escolas da rede estadual na 2ª coordenadoria, a Lopes Service Clean, de Porto Alegre. Pelo menos 44 escolas da região enfrentam esse mesmo problema. Segundo os trabalhadores, além do atraso em salários, benefícios como o vale-alimentação também não teriam sido pagos nos últimos períodos.

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Diante das reclamações dos trabalhadores, a reportagem procurou a Secretaria Estadual da Educação e também entrou em contato com a empresa responsável pela prestação do serviço para obter esclarecimentos sobre os atrasos relatados. Em nota, a Secretaria informou que não possui registro de atrasos nos pagamentos relacionados ao contrato. Já a empresa não respondeu aos questionamentos enviados até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto para manifestação.

“Não consegui comprar o remédio do meu filho”, relata funcionária

Mãe solo e moradora do bairro Canudos, em Novo Hamburgo, Franciéle Souza Araújo afirma que o atraso no pagamento tem impactado diretamente a rotina dentro de casa. Segundo ela, as contas se acumulam enquanto o salário não chega.

“Está sendo muito difícil, porque eu moro sozinha com meu filho e dependemos desse pagamento. Chega o dia e o dinheiro não entra. As contas vão atrasando e, quando a gente consegue pagar, já é com juros”, relata.

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A situação se torna ainda mais delicada por causa da saúde do filho, recentemente diagnosticado com Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). “Ele precisa tomar remédio, mas eu ainda não consegui comprar porque não recebi o salário”, conta. Apesar das dificuldades, ela diz que segue trabalhando. “O trabalho na escola é muito bom, mas a gente fica nessa situação porque a empresa sempre diz que a Seduc não pagou.”

“Meu filho depende de remédio e não pode ficar sem”, diz trabalhadora

A funcionária Rosângela Tomé afirma que os atrasos no pagamento têm provocado uma situação de grande pressão financeira e emocional dentro de casa. Ela conta que paga aluguel e sustenta dois filhos, sendo um deles diagnosticado com esquizofrenia e dependente de medicação contínua.

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“Ele não pode ficar sem os remédios, porque fica agressivo. Tenho também um filho menor que depende de mim. As contas vão atrasando e a gente precisa ficar dando explicações para as pessoas”, relata.

Segundo Rosângela, os trabalhadores tentam contato com a empresa para obter informações sobre o pagamento. “Quando respondem, dizem que a Seduc não pagou. Nosso vale-alimentação também está atrasado”, afirma. Para ela, a situação tem provocado desgaste emocional. “Isso afeta muito o psicológico. A gente vive numa promessa de que tal dia vai cair o pagamento, mas ele não vem.”

Trabalhador relata sequência de atrasos e dificuldade para pagar contas

Para Daniel dos Santos, o principal impacto dos atrasos está nas despesas básicas do dia a dia. Segundo ele, os trabalhadores cumprem a jornada normalmente, mas enfrentam dificuldades quando o pagamento não é realizado na data prevista.

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“A gente trabalha o mês inteiro, procura não faltar, e quando chega o dia do pagamento ele atrasa. A empresa diz que vai pagar em tal data, mas o dinheiro não entra”, afirma.

Daniel relata que, enquanto a responsabilidade é atribuída entre empresa e secretaria, os trabalhadores seguem acumulando dívidas. “As contas chegam, os juros chegam e a gente não sabe mais o que fazer.”

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Ele conta que já viveu situação semelhante em outro contrato terceirizado. “A gente faz tudo certo, trabalha, ajuda quando precisa, mas acaba ficando nessa situação de atraso.”

Direção da escola destaca impacto do atraso nos trabalhadores

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Diretor do Instituto Estadual Seno Frederico Ludwig, no bairro Canudos, em Novo Hamburgo, José Ferreira | abc+



Diretor do Instituto Estadual Seno Frederico Ludwig, no bairro Canudos, em Novo Hamburgo, José Ferreira

Foto: Geison Concencia/GES-Especial

O diretor do Instituto Estadual Seno Frederico Ludwig, no bairro Canudos, em Novo Hamburgo, José Ferreira, afirma que acompanha de perto a situação dos trabalhadores terceirizados responsáveis pela limpeza da escola. Segundo ele, os profissionais estão sem receber desde o quinto dia útil.

“Isso causa um transtorno enorme, porque eles dependem desse salário para viver”, afirma. O diretor ressalta que dois dos funcionários são mulheres responsáveis pelo sustento da família e outro trabalhador precisa conciliar mais de uma jornada.

Mesmo diante das dificuldades, Ferreira destaca o comprometimento da equipe. “Eles vestem a camiseta da escola. Cuidam da manutenção e ainda ajudam no cuidado com os alunos no dia a dia.” Para ele, os profissionais estão apenas reivindicando um direito básico: receber pelo trabalho realizado.



 

Funcionários de empresa terceirizada que atende a rede estadual enfrentam atrasos salariais
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