O prazo de 180 dias do decreto que declarava Estado de Calamidade Pública Financeira na Fundação Hospitalar Getúlio Vargas (FHGV), em Sapucaia do Sul, no âmbito do município, se encerrou no último dia 23. O documento, assinado pelo então prefeito, Volmir Rodrigues, determinava, no final de outubro do ano passado, que os atendimentos eletivos na pediatria da instituição estavam suspensos por seis meses.

Foto: Fotos Amanda Krohn/Especial
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De acordo com o diretor administrativo financeiro da FHGV, Jorge Mendes, os atendimentos de traumatologia (que também sofreram restrições) estão sendo retomados de forma gradual e que a previsão é para que na primeira quinzena de maio já esteja normalizando. “Na pediatria ainda não temos uma data para normalização completa, pois estamos em processo de contratação de médicos e profissionais de enfermagem. Inclusive, já realizamos reunião com o Estado para tratar deste assunto.”
Conforme Mendes, a fundação está em diálogo com o Estado e está trabalhando para viabilizar mais apoio, o que deve contribuir para fortalecer a estrutura e ampliar a capacidade de atendimento. “O foco é qualificar ainda mais os serviços, com reorganização dos fluxos e ampliação das equipes conforme as contratações forem sendo efetivadas.”
Referência para 17 municípios
Mendes explicou que, na traumatologia, o hospital segue como referência para a 8ª região da saúde – que abrange Barão, Brochier, Capela de Santana, Esteio, Harmonia, Maratá, Montenegro, Nova Santa Rita, Pareci Novo, Salvador do Sul, São José do Sul, São Pedro da Serra, São Sebastião do Caí, Sapucaia do Sul, Tabaí, Triunfo e Tupandi. “Desde março, já estamos realizando cirurgias de segundo tempo, o que representa um avanço importante na retomada dos atendimentos.”
“A população pode esperar uma retomada progressiva, com responsabilidade, qualidade e segurança, além da ampliação dos serviços conforme a estrutura e as equipes forem sendo recompostas”, afirmou Mendes.
No primeiro trimestre deste ano, segundo dados go Getúlio Vargas, foram 2.037 consultas (652 em janeiro, 594 em fevereiro e 791 em março) e 192 cirurgias (64 em janeiro, 67 em fevereiro e 61 em março) nos atendimentos de área de traumatologia.
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Decreto de outubro de 2025
Conforme o decreto nº 5.272, assinado no dia 23 de outubro de 2025 pelo então prefeito Volmir Rodrigues, a medida foi tomada considerando, entre outros itens: “que a saúde pública teve uma redução substancial em incentivos vindos do Governo do Estado, por meio da Fundação Hospitalar Getúlio Vargas, através do programa Assistir”; que o hospital realiza atendimentos 100% SUS, com emergência, sendo referência para AVC, para Sapucaia e Esteio, e traumatologia para 17 municípios.
Ainda segundo o decreto, o desequilíbrio financeiro existente entre despesas e receitas no âmbito no Hospital Getúlio Vargas tornava “impossível a manutenção e garantia de todos os serviços oferecidos”; a ausência de perspectiva para o aumento substancial na arrecadação em curto prazo; e a urgência no equilíbrio da relação entre a arrecadação e as despesas.
A reportagem buscou contato com o prefeito Nestor Bernardes, que, segundo a assessoria de comunicação da Prefeitura, ainda vai aguardar para se manifestar oficialmente, pois no momento o que há é uma articulação com o Estado, sem nada de concreto ainda. Bernardes, que assumiu o cargo de prefeito no início deste mês, após a saída de Rodrigues para concorrer nas eleições de outubro, prefere falar quando tiver alguma novidade para anunciar.