Os médicos emergencistas do Hospital São Camilo, de Esteio, devem iniciar, a partir das 11h desta sexta-feira (28), uma restrição nos atendimentos de pacientes fichas azuis e verdes que chegam ao setor de Emergência da casa de saúde. O motivo é o atraso no pagamento desses profissionais.
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Foto: Adriano Rosa da Rocha/Prefeitura de Esteio/ARQUIVO
Segundo o Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers), a medida foi votada por unanimidade em assembleia geral na noite da sexta-feira (21). Na terça-feira (25), uma notificação foi entregue ao hospital e ao Cremers, alertando que a restrição iniciaria em 72 horas.
“Somente casos de urgência e emergência serão atendidos”, informou a assessoria de comunicação do Simers, destacando que a Emergência Adulta do São Camilo tem em torno de 50 médicos plantonistas trabalhando – alguns fazem plantões vários dias da semana, outros menos dias ou ainda somente no fim de semana.
Na reunião, conforme o Simers, os médicos explicaram que receberam 35% dos honorários de setembro e não há previsão de novos pagamentos. Também relataram falta de clareza nas negociações.
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Vistorias conjuntas
Antes da votação, o Sindicato explicou que foi enviado um ofício no dia 14 de outubro (o que foi negado pelo hospital, de acordo com a entidade) e que está atuando na proposta de vistorias conjuntas com os vereadores do município para apresentar a real situação da instituição, que ainda teria falta de insumos, e dos profissionais que lá atuam.
O Simers reforçou que o Hospital São Camilo é um dos focos das ações da entidade na Região Metropolitana, que passa por forte crise na saúde. Além de visitas ao local e reunião com a Comissão de Saúde da Câmara de Vereadores de Esteio, o Sindicato também esteve com a diretoria da Global Med, que atuava no Hospital São Camilo, de Esteio, até 11 de julho, para tratar do parcelamento dos honorários atrasados. A gestão da assistência é feita pela Associação Movimento em Saúde (ASM) desde julho.
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“O município não dispõe de margem orçamentária”
A Prefeitura de Esteio lançou nota sobre o assunto, informando que acompanha a decisão dos médicos emergencistas do Hospital São Camilo e reconhece a importância do serviço prestado. “No momento, o município não dispõe de margem orçamentária para antecipar pagamentos pendentes, pois os repasses estaduais e federais têm previsão de ingresso apenas no início de dezembro. Soma-se a isso o corte de recursos do Estado no programa Assistir e a não atualização do teto MAC pelo Governo Federal, fatores que agravam o desequilíbrio financeiro na saúde”, explica o texto.
“Mesmo diante desse cenário, Esteio vem realizando um esforço extraordinário para manter os serviços, com cortes de despesas em outras áreas para priorizar a rede de atendimento. Conforme dados do Tribunal de Contas do Estado (TCE), Esteio é o município que mais investe em saúde na região, reforçando seu compromisso com a população esteiense”, pondera ainda a nota.
“A administração segue em diálogo permanente com a direção do hospital e com as entidades representativas, buscando alternativas responsáveis que garantam a continuidade do atendimento”, conclui.