Com o fim das audiências públicas propostas pelo Estado e que debateram em quatro cidades a concessão do Bloco 1 de rodovias, o governo vai analisar as sugestões de parlamentares, entidades empresariais, prefeituras e comunidade. Durante as audiências o clima foi de tensão entre os representantes do Piratini, Pedro Capeluppi (secretário da Reconstrução), Caio Tomazeli (secretário da Comunicação) e participantes contrários à concessão.
No entanto, entre vaias e bate-bocas, houve espaço para que alternativas fossem apresentadas à população e também às autoridades. A Secretaria da Reconstrução Gaúcha (Serg) afirmou que vai fazer um balanço das assembleias realizadas em Gramado, Taquara, Gravataí e Novo Hamburgo, assim como da consulta pública, disponível até domingo (30) no site parcerias.rs.gov.br/rodovia-bloco-1.

Foto: Dário Gonçalves/GES-Especial
Presente nos quatro eventos, o vice-presidente da Federação das Entidades Empresariais do Rio Grande do Sul (Federasul), Darcy Zottis, falou abertamente que a entidade é contrária ao projeto da maneira como foi apresentado. “Conseguimos enxergar pontos positivos, mas existe muito a melhorar.”
Ideias
Zottis elogiou a construção da RS-010, que vai ligar Porto Alegre e Sapiranga. A obra, no papel há anos, enfim parece que será colocada em prática junto ao Bloco 1. “A RS-010 revoluciona a região metropolitana. É um sono nosso.”
Ele reforça que outro ponto acertado foi manter a RS-118 sem pedágio. “Não podemos dizer que a rodovia será beneficiada. Trabalhamos por cinco anos com o Movimento RS-118 Sem Pedágio. Quando chegou o momento de discussão no Estado, já estávamos organizados.”
Para o vice-presidente, após divergências com autoridades, especialmente do Vale do Paranhana, se chegou ao consenso que a RS-118 não é o principal problema do projeto estadual. “Agora que se deram conta disso.”
Municipalização e retirada de rodovias na pauta
Entre as opções apresentadas pela Federasul, uma delas é a retirada da RS-118 do Bloco 1. “As obras de duplicação até Viamão estão previstas para ocorrer entre 2036 e 2037. Não faz sentido esperar todo esse tempo. Se será traumático (a inclusão da rodovia), podemos evitar.”
Zottis também se diz contrário aos pórticos em áreas urbanas das nove rodovias que compõem o Bloco. “Que se pague pedágio quando o usuário estiver de fato na estrada. Não em trajetos curtos, pendulares, a trabalho ou estudo. O governo precisa ter sensibilidade.”
Na primeira audiência pública da série, governantes de Canela e Gramado debateram a RS-466, conhecida como Estrada do Caracol. Com apenas 7 quilômetros de extensão, a proposta é que a via seja municipalizada e retirada do Bloco 1.
“O projeto está errado, disse que não haverá free flows dentro da área urbana, mas tem. Não haverá duplicação da RS-466, então para que instalar a free flow?”, questiona o secretário de Trânsito e Mobilidade Urbana de Canela, Adriel Buss.
Quatro pontos apresentados por deputado foram protocolados
Na última audiência pública, realizada na tarde de terça-feira (25) na Universidade Feevale, em Novo Hamburgo, o deputado estadual Issur Koch (PP) apresentou quatro alternativas ao sistema de cobrança previsto no projeto de concessão do Bloco 1 de rodovias.
O primeiro ponto é a possibilidade de retornos gratuitos dentro de 1 hora. O modelo apresentado é semelhante ao utilizado na Rota 78, entre San Antonio e Santiago, no Chile. “Isso garante ao usuário isenção total da tarifa caso ele retorne ao mesmo trecho da rodovia em até 1 hora.”
Koch explica que a contagem iria começar assim que o usuário fosse registrado no primeiro pórtico. “Se ele levar 61 minutos para voltar ao mesmo ponto, a tarifa será cobrada. Caso contrário, não. Se tornando justo para quem vai levar o filho na escola, ir no médio ou ao supermercado, por exemplo.”
Outra sugestão é a criação de um “teto máximo” por viagem. Ou seja, o motorista que precisa se deslocar mais de uma vez ao dia pela mesma rodovia, pagaria uma tarifa máxima, evitando que o valor se torne exorbitante. “Especialmente para trabalhadores que percorrem distâncias maiores diariamente.”
Free flow justo e tarifas que podem variar em diferentes horários
O deputado também sugere no documento, protocolado na Casa Civil, a adoção de tarifas diferenciadas conforme o movimento da rodovia. “Mantendo a tarifa normal nos horários de pico e promovendo descontos nos períodos de menor circulação.”
Segundo Koch, a adequação faria com que o usuário adapte seus horários aos valores. “Mas, preciso deixar claro. Seriam descontos nos horários de menor circulação de veículos. Não aumentar a tarifa em horários de pico. Isso já existiu até a década de 1970 na free way.”
O parlamentar também reforça que o modelo apresentado pelo Estado não cumpre a promessa de justiça tarifária. “Se tornou pesado para o usuário. São muitos quilômetros entre os pórticos. O ideal seriam mais pontos de cobrança, reduzindo as tarifas entre eles. Esse é o verdadeiro sentido do free flow, de pagar conforme a quilometragem.”
Para isso, seria necessário um estudo para desenvolver um melhor uso da tecnologia. “Nossa medição é feita por leitura de placa, o que dificulta para efetuar a cobrança. Precisamos de mais pontos com câmeras, um exemplo são os pardais que registram placas.”
Por fim, a proposta de descontos automáticos para moradores e trabalhadores da região. “A exemplo do que é feito atualmente na RS-040 em Viamão.”
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