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SÍMBOLO CENTENÁRIO

Igreja que chegou a ser atingida por bala de canhão na Revolução Farroupilha completa 100 anos em Novo Hamburgo

Igreja Três Reis Magos é marcada por fatos históricos do Rio Grande do Sul entre os quais foi onde uma personagem da história regional se casou

Isaías Rheinheimer
Publicado em: 26/04/2026 às 12h:16 Última atualização: 26/04/2026 às 12h:17
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A comunidade evangélica de Novo Hamburgo celebrou, neste domingo (26), o centenário do atual templo da Igreja Três Reis Magos, localizada no bairro Hamburgo Velho.

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A construção, inaugurada em 4 de abril de 1926, marca o terceiro templo erguido no mesmo local pela comunidade evangélica de confissão luterana, e carrega uma trajetória marcada por episódios históricos que atravessam quase dois séculos.

Membros da Igreja Três Reis Magos se reuniram para um abraço simbólico ao templo que faz parte da história do RS | abc+



Membros da Igreja Três Reis Magos se reuniram para um abraço simbólico ao templo que faz parte da história do RS

Foto: Isaías Rheinheimer/GES-Especial

A programação comemorativa começou antes mesmo do culto. Fiéis e membros da comunidade se reuniram em frente à igreja para um abraço simbólico ao templo, em um gesto de reconhecimento à importância histórica e religiosa da edificação.

Na sequência, o culto festivo foi conduzido pelo pastor William Felipe Zacarias, responsável também por um estudo que resgata os principais marcos da trajetória da comunidade. “Hoje é um dia feliz, um dia de alegria, pois é o culto em que recordamos e comemoramos o centenário deste templo aqui que faz parte da história do RS e é um símbolo de Novo Hamburgo”, afirma.

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O secretário de Cultura de Novo Hamburgo, Angelo Reinheimer, participou da celebração e relembrou da importância da Igreja Três Reis Magos no contexto regional. “Essa Igreja transcende a questão religiosa, ela é um marco de fé da nossa cidade, de fé e de cultura. Um templo que completa 100 anos, exatamente como sempre foi, então são gerações e mais gerações que passaram por aqui têm esse espaço como um testemunho vivo”, pontua.

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Conforme Reinheimer, a Igreja Três Reis Magos também teve pastores importantes à frente da comunidade. “O pastor Pechmann, o pastor Kreutzer, que então inaugurou o templo, o pastor Pommer, todos esses, além do trabalho espiritual, também tiveram obras sociais importantes na cidade”, acrescenta.

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Igreja Três Reis Magos é história viva do RS

A atual estrutura centenária não foi a primeira a ocupar o terreno. A comunidade evangélica de confissão luterana, fundada em 6 de janeiro de 1832, construiu seu primeiro templo em 1833. Poucos anos depois, durante a Revolução Farroupilha, o prédio foi atingido por uma bala de canhão.

Os colonos luteranos, apesar da promessa de liberdade religiosa caso apoiassem os farroupilhas, optaram por permanecer ao lado do Império. Em meio ao conflito, o templo acabou atingido, o que contribuiu para sua posterior substituição.

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Com o fim da guerra, um segundo templo foi erguido em 1845, também no mesmo local. Assim como o primeiro, a construção não possuía torre nem sinos, que era uma restrição imposta pelo Império Brasileiro às igrejas não católicas.

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A mudança só ocorreu após a Proclamação da República, em 1889, e a definição do Estado laico pela Constituição de 1891.

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A partir disso, a comunidade pôde iniciar a construção da torre, entre 1895 e 1898. Nela foram instalados três sinos trazidos da Alemanha, com a inscrição natalina em alemão: “Ehre sei Gott in der Höhe und Frieden auf Erden” (“Glória a Deus nas alturas e paz na Terra”), posicionados no alto, como símbolo da mensagem que anunciam.

Mesmo com a torre concluída, o restante da igreja ainda correspondia à estrutura de 1845. Foi apenas em 1926 que o antigo templo foi demolido e deu lugar à atual edificação, inaugurada em culto de Páscoa e integrada à torre já existente.

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A relevância histórica da Igreja Três Reis Magos vai além da arquitetura e dos conflitos do século XIX. O templo também foi palco de um episódio ligado a uma das figuras mais conhecidas da história do Rio Grande do Sul.

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Jacobina Mentz Maurer se casou na igreja em 26 de maio de 1866 com João Jorge Maurer. Um ano depois, o casal se mudou para o Morro Ferrabraz, onde formou uma comunidade religiosa própria. O grupo acabou sendo rotulado como “mucker” e perseguido, culminando no desfecho violento conhecido como Massacre dos Mucker.



“É uma alegria muito grande estar aqui, pois essa Igreja é um marco histórico, cultural e da fé dos imigrantes que chegaram a partir de 1824, que logo em 1832 já tinham o seu primeiro templo, que também serviu de escola, enfim, como em toda a colônia alemã”, completa Reinheimer.

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