Na manhã desta segunda-feira (2), a orla de Tramandaí iniciou a semana envolta em silêncio, respeito e devoção. Diferentemente da movimentação intensa registrada em outros pontos do litoral norte, na cidade, as homenagens ao Dia de Iemanjá e Nossa Senhora dos Navegantes se concentraram, sobretudo, na imagem que se transforma, ano após ano, em ponto de encontro para fiéis de diferentes crenças, origens e trajetórias pessoais.

Foto: Geison Concencia/GES Especial
Desde cedo, pessoas se aproximaram do local levando flores, velas e pequenos objetos simbólicos. Os gestos são contidos, quase íntimos, marcados por olhares atentos e preces discretas. Em meio ao som constante do mar, a imagem deixa de ser apenas um símbolo religioso e passa a representar acolhimento, proteção e escuta, especialmente para quem busca agradecer conquistas ou pedir força para enfrentar o ano que começa.
A escolha pelo recolhimento não diminui a intensidade da fé. Pelo contrário: revela uma relação profunda entre o sagrado e o espaço público, onde a devoção se manifesta sem excessos, mas com significado.
Fé que atravessa fronteiras e gerações
Entre os fiéis estava a estudante de medicina Evelyn Alves, de 25 anos, que veio especialmente da Argentina, da província de Misiones, para participar das homenagens em Tramandaí. Segundo ela, a ligação com Iemanjá é marcada pela emoção e pela busca de equilíbrio espiritual.
“É um sentimento que não tem comparação. A gente veio pra cá realmente para encher a alma”, relatou. Evelyn contou que teve o primeiro contato com a celebração em Tramandaí há cerca de 14 anos, quando ainda observava a movimentação com curiosidade. “Na época achei tudo muito intenso, quase uma loucura, mas no sentido bom. Depois comecei a estudar mais, me aprofundar na religião, e há cerca de cinco anos me tornei realmente devota”, afirmou.
Outra presença foi a de Rita Marasquim, de Caxias do Sul, que participa das homenagens pelo segundo ano consecutivo. Para ela, a imagem representa mais do que uma entidade específica. “Ela não é só Iemanjá, ela tem vários outros nomes, e todos precisam ser respeitados. Acho que tudo o que a gente faz e pede pelo bem retorna. Mas não adianta pedir se não tiver fé, se não acreditar”, refletiu.
Programação no litoral norte já reuniu milhares de fiéis
Entre o fim de janeiro e o início de fevereiro, o litoral norte viveu uma intensa programação em homenagem a Iemanjá. Carreatas, procissões, encontros inter-religiosos e a entrega simbólica de oferendas marcaram cidades como Tramandaí, Imbé e Cidreira. As atividades reuniram terreiros, lideranças religiosas e fiéis.