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ABC NAS RUAS

Mais de 26% das estradas do RS estão ruins ou em péssimas condições, aponta pesquisa

CNT estima que seriam necessários R$ 10,05 bilhões para recuperar as rodovias gaúchas

Isaías Rheinheimer
Publicado em: 17/12/2025 às 18h:02 Última atualização: 17/12/2025 às 18h:02
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A Pesquisa CNT de Rodovias, divulgada nesta quarta-feira (17), revela que 26,3% das rodovias do Rio Grande do Sul ainda são classificadas como ruins ou péssimas, mesmo após avanços registrados nos últimos anos. O levantamento, que completa 30 anos em 2025, avaliou 8.813 quilômetros de rodovias no Estado, o equivalente a 7,7% de toda a malha pavimentada analisada no País.

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Foto: Isaías Rheinheimer/GES-Especial

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De acordo com o estudo, apenas 27% das rodovias gaúchas foram avaliadas como ótimas ou boas, enquanto 46,7% apresentam condição regular, indicando a necessidade de manutenção constante para evitar a degradação dos trechos. Os dados consideram três critérios principais: pavimento, sinalização e geometria da via.

No quesito pavimento, 23,6% das rodovias do estado estão em condição ruim ou péssima, enquanto 39,8% foram classificadas como regulares. A sinalização também é apontada como um ponto de atenção, pois 22,8% dos trechos avaliados receberam avaliação ruim ou péssima, e quase 15% das rodovias não possuem faixas laterais, fator que impacta diretamente a segurança viária.

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Outro ponto crítico é a geometria das vias. A pesquisa aponta que 39,4% das rodovias gaúchas possuem traçado ruim ou péssimo, com predominância de pistas simples (90,6%) e falta de acostamento em 38,3% dos trechos. Além disso, 37,1% das curvas consideradas perigosas não têm sinalização adequada.

Impactos diretos no custo e na segurança

Segundo a CNT, as más condições do pavimento no Rio Grande do Sul elevam em 37,2% os custos operacionais do transporte, refletindo diretamente no preço dos produtos e na competitividade econômica do Estado. Somente em 2025, estima-se um consumo excessivo de 102 milhões de litros de diesel, gerando um prejuízo de R$ 586,6 milhões aos transportadores e a emissão de 269,7 mil toneladas de gases de efeito estufa.

Na segurança viária, os números também são expressivos. Em 2024, os acidentes em rodovias no Rio Grande do Sul causaram um prejuízo econômico estimado em R$ 1,07 bilhão, enquanto os investimentos públicos em infraestrutura rodoviária somaram R$ 739,6 milhões no mesmo período.

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A CNT estima que seriam necessários R$ 10,05 bilhões para recuperar as rodovias gaúchas com ações emergenciais, restauração e manutenção. Apesar disso, os dados mostram que, em 2025, os investimentos realizados superaram o valor inicialmente autorizado, indicando uma reação recente do poder público, mas ainda distante do necessário para reverter o quadro estrutural.

Cenário nacional mostra melhora gradual

No cenário nacional, a Pesquisa CNT de Rodovias 2025 aponta uma evolução no estado geral da malha viária brasileira. Cerca de 38% da extensão avaliada no País foi classificada como ótima ou boa, ante 33% em 2024. Já os trechos considerados ruins ou péssimos caíram de 26,6% para 19,1%, enquanto os segmentos classificados como regulares representam 43% da malha analisada.

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Segundo o presidente do Sistema Transporte, Vander Costa, os resultados demonstram que os investimentos recentes começam a gerar efeitos positivos, mas ainda exigem continuidade. “Já é possível perceber uma retomada no ritmo necessário de investimentos, mas é fundamental mantê-lo e ampliar ainda mais os recursos destinados ao setor”, afirma.

Ao completar três décadas, a Pesquisa CNT de Rodovias segue sendo a principal referência nacional sobre a qualidade da infraestrutura viária brasileira, orientando políticas públicas, investimentos e o planejamento logístico do transporte de cargas e passageiros.

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